Saturday, March 21, 2009

bloggy-boring

Why would I come back here? After all this time, all the silence, which in essence means nothing new or worth saying... no actually, here for me is the parallel universe where I contribute my share of nothingness, of unreality, of crazyness... there was a time when I had both time and much more of nothing to write about here. Now, in the last few years real things have been happening making my contributions fewer and less bloggy-funny or bloggy-rebel or bloggy-diary.

Let's face it, this is not about real life at all. It's about what we want others to capture from us.

But this is my black board, my empty white page... and what I got today is plain real life, pretty real stuff, that's actually not pretty at all. You know, sometimes you can't be all bloggy-witty with facts of life. You can't open it all out for discussion and hope to get consolation from the comments.

No you can't. And neither can the second life overtake your first one. And so you are forced to land from your virtual trip into this earth here where there's plenty of bad things and past to be faced up with. Past that cannot be changed. Past that echoes into the rest of your life forever. Unlike the page or black board, cannot be erased either.

Live with it. You gotta do what you gotta do. But sometimes living is not that easy. Living, moving on, getting over, getting a grip... but where to begin from? Hard to make sense in such a mess. Hard to pick yourself up and dust off and move on.

And to all of you who could be in this moment actually reading this (oh god I doubt it very much...) I am perfectly aware that this post sucks. Stinks bad. I know. It's intentional. Because life sucks even worse right now.

I am not a teenager in anger because my old folks took away my playstation, I am fucking 32. Besides being old and boring I am also very sad right now.

Hey but if you got this far on this post, keep reading. My blogging past was so much fun. And maybe even come back in few months. If I manage to get a good pill, I'll let you all know.

Wednesday, December 17, 2008

anestesia e você, tudo a ver.

Os defeitos e efeitos e da epidural são super interessantes. Eu adoro aula. Adoro alguém lá frente falando pra mim, explicando alguma coisa, assim, apaixonadamente, tipo a anestesia, gente, a existência da anestesia me faz amar mais o mundo em que vivo. Ô coisa civilizada. Tipo assim, eles - os anestesistas xamânicos, os novos pajés, os escolhidos pra lidar e dosar a dor alheia e a droga institucionalizada. Não, eu não estou sendo irônica não. Eu acho que o direito a anestesia deveria ser incluído no manifesto dos direitos humanos. Anestesia pra todos os povos, pra pobres e ricos, pra qualquer raça e religião - quer dizer, devem ter religiões que não permitem, mas se Deus não quisesse que homem usasse a anestesia não ia ter nos dado a capacidade de inventá-la.

Ok. Efeitos colaterais, nada que é isso. A epidural, essa amiga silenciosa da mulher parturiente, é perfeita, ela vai lá nas fibras longas, ou seja músculos, ela parte da 3a vértebra e portanto e nao pega uma tal de massa branca e vai só pra baixo, pra baixo da cintura, ou seja a parte interessada. E não tudo abaixo da cintura, não, eles, os anestesistas conseguem dosá-la de um modo que as pernas não perdem o movimento!

Fiquei maravilhada com o produto. Os anestesistas não são só bons na droga, não, eles são bons pra cacete na venda também, eles todos poderiam trabalhar no shoptour.

Mas, porém, não obstante todo o mundo maravilhoso do parto sem dor, ei-la que surge, a palavra maldita: catéter. Catéter. Não precisa saber o que é. Você já desconfia que é aflitivo. Mas eu sei o que é e isso me deixa mais ainda preocupada e enojada e aflita. Catéter. Na coluna. Passando por cima do ombro. Com um filtrinho pra dar mais ou menos anestesia. Catéter pendurado, ligando a minha coluna vertebral ao mundo através de um canudinho.

Peraí, meu povo, para tudo. Quanto tempo? Ah, tranquilo, uma ou duas horas depois do parto a gente tira. Hãããããã?! Duas horas DEPOIS do parto? Se for normal. No caso da cesariana fica lá umas 12 horas. (Aqui, nesse momento, eu posso dizer que tive um pequeno desmaio de 5 segundos, mas imediatamente meu cérebro aflito mandou um monte de hormônios pra me acordarem porque julgava que não estávamos seguros e que eu precisava estar acordada pra me defender daquela gente "super-civilizada".)
Quando recobrei a consciência a mulher-pajé-líder-pusher estava dizendo quote"e "daí a enfermeira vem remove o esparadrapo e puxa o tubinho do catéter pra fora, rapidinho".

Sei lá, comecei a visualizar outras possibilidades pra mim. Tipo a possibilidade de agüentar a dor do parto, porque eu sei que não agüentaria a aflição do catéter. Iam ter que me hipnotizar pra por o tal negócio nas minhas costas e ia ter que tomar uma anestesia geral pra deixar a enfermeira tirar o tubinho num movimento rapidinho... Eu sei lá. Eu me convenci de vez de tentar o parto tal e qual Deus sempre quis, aquele em que a mulher grita, empurra, agarra o braço do marido, manda ele fazer alguma coisa, manda ele praquele país e bota a culpa toda nele e naquele espermatozóide de merda, a contribuição mais microscópica e ridícula e injusta da história da humanidade. Eu entro com 15 kilos, 9 meses, pés inchados, bexiga solta, teta caída, estrias, mamilos rachados e você entra com o orgasmo e uma nanopartícula.

Peraí, vamos manter a calma. Agora não tem mais volta e a solução não é elocubrar...

Eu assinei o termo de ciência do lance da anestesia. Mas sabe gente, de todas as coisas que eu descrevi acima, das agruras da gravidez, eu acho que o pior mesmo seria o tal do catéter. Sorry indíviduos dourados da anestesia moderna, mas porra,se vocês fossem bons mesmos, vocês já teriam inventado um sistema menos primitivo que o catéter.

Friday, October 03, 2008

Novos classicos da literatura...

‘Next Life’
by Woody Allen

In my next life I want to live my life backwards. You start out dead and get that out of the way.
Then you wake up in an old people’s home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day.

You work for 40 years until you’re young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, and then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, and you play. You have no responsibilities; you become a baby until you are born.

And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm!

I rest my case.

Friday, September 26, 2008

clima (des)temperado.

Europeu adora esnobar o seu clima com quatro estações definidas. Eles adoram dizer que é lindo poder curtir a primavera e o outono que são meias estações, que o povo sul-americano nem conhece nem sabe o que é. Tipo, no Brasil, pra eles, só faz calor o ano todo e eles não gostam, ai, é calor demais. Mas sabe, infelizmente pra brasileiro o clima da Europa é uma merda. No fundo, gente, clima é uma questão de temperatura, ou seja, duas opções claras: quente ou frio. E, olha, se vocês querem saber a verdade, o calor é um conceito complicado por aqui (e.g.: ingleses stripping down on Hyde Park quando fazem 20 graus) e a partir do dia 21 de setembro, não se enganem não, outono o caralho, aqui faz frio.

Ah, na primavera? Também faz frio. Faz frio até meados de junho. As vezes ate julho. Dai começa o calor - que já explicamos que calor aqui quer dizer qualquer temperatura acima de 18 graus - gente besta. Na minha modesta opinião, só em agosto faz calor mesmo.

Ou seja, europeu, quem quer você seja, pode desarrebitar esse nariz, quatro estações? Onde? Pelo menos uma falta: Verão.

Thursday, September 11, 2008

pesce scatola.

Mi dicono che forse ho preso troppo peso troppo rapido. Ma non mi sento ne grassa ne cosi' enorme... infatti quando mi vedo riflessa in un vetro o specchio mi sento bella... mi sento gonfiare pian piano, ma so che e' perche' sono ripiena del mio maggior desiderio che sta per avverarsi.

Thursday, July 17, 2008

Kitchen time machine.

I sit down in the kitchen with my breakfast, everyday, and I talk to the trees outside the window, to the green mountains in the back, to the wind, about all the things I remember from my childhood. How naughty I was. All the times I lied to my parents or did wrong things knowing they were wrong... I must have been a horrible daughter, at times. I was a weird child. And grew up into a weirder teenager. And then by magic I became a decent adult. I think (maybe that's how it's supposed to be). I remember clearly my mother telling me I would someday pay my dues when I would have had kids of my own.

But then I come across some other memories... opening my lunch box and finding always something different, some surprise, sometimes there would be a twinkie - do they have twinkies here in Italy? Everyday a different fruit juice... but the most delicious thing, that sort of imprinted the taste of my childhood and was a lunch box classic, was this sandwich of thinly sliced bread, a veil of mayonnaise on either side and ham, sometimes also cheese. I tried to make myself one repeatedly but that taste somehow is never there. And I talk about and remember all these things because I'm gonna have to tell you all about it. And there are so many memories I am collecting for you...because you'll have to savour your childhood well for some flavors and smells, and sometimes some people too, remain in the past.

And in just a little time I won't be talking to myself in the kitchen anymore.

Friday, May 23, 2008

inside out

Why is it that when you finally get something you always wanted it feels so ... messed up. Weird. In a way, even wrong... I feel like my body is doing everything by itself. It's all involuntary right now. You burp, you fart, you wake up at night and your eyelids shut during the day when you are supposed to be working. The body is totaly taking over. And the thing I like the most which is eating, is the hardest to do right now. It's all comando.

I remember a ride on a theme park when I was maybe 10 years old, it was like a visit of a woman's body... I know it sounds like anything but a ride, but I swear that's what it was. So you start the visit up her legs, I think, and then you could see the human body from the inside. Funny enough, that's how I feel, like as if there were creatures visiting my insides, and the problem is they can see me and I can't see them. Or control anything.

Monday, May 12, 2008

Reality check - italian edition: Sicko My Ass.

O Michael Moore escolheu muito bem os casos reais e as pessoas que apareceram como testemunhas no seu ultimo filme Sicko. Queria que ele tivesse vindo aqui em Genova, e quem sabe gravado a minha manha na espera do hospital. Claro, eu só perdi 2 horas, primeiro esperando numa fila com 50 pessoas na frente. Quando estava pra chegar o meu numero, uma senhora do hospital apareceu perguntando quem não tinha pagado ainda o "ticket" - que seria como um valor simbólico pra você ser atendido ou fazer exames (simbólico pero no mucho, vai de 12 a 30 euros...). Eu aproveitei a deixa da senhora e como não tinha pagado ainda (nunca pagar antes de saber o que você tem que fazer) e resolvi pedir informação sobre o que eu tinha que fazer. Obviamente, toda a meia hora que eu tinha esperado tinha sido jogada no lixo, porque logo essa mulher foi me falando que eu tinha que ir direto na ginecologia que e' no segundo andar - elevador da direita - e esperar la. Ok, o elevador da direita não estava querendo colaborar, pra não perder mais outros minutos preciosos, eu subi de escada. Do primeiro andar pra cima, tinham sinais que diziam "psiquiatria, 6 andar sempre por essa escadaria" (prestem atenção pois isso sera importante mais pra frente da historia).

Segundo andar, um monte de mulheres gravidas se abanando (toda gravida se abana e quase sempre e' com a ecografia ou outros exames do filho que vai nascer). Estou no lugar certo? Não sei. Não tem ninguém pra pedir informação. As gravidas barrigudas são simpáticas e me dizem que estão na fila pra saber o que fazer. Otimo, pergunto quem e' a ultima e me posiciono. Quando chega a minha vez e' obviamente a enfermeira mais antipática que vem me atender. E obviamente de novo os 10 minutos que esperei ali foram jogados no lixo pois ela me diz que devo esperar na porta ao lado. Sei, sei, vocês estão se perguntando "mas esperar por que e por quem?" e estão pensando que eu conto historias muito mal porque estou deixando o leitor a cada frase mais confuso. Não, minha gente, eu posso ate não ser a melhor contadora de historias do mundo, mas eu estou tentando fazer o relato o mais realisticamente possível e era assim mesmo que o povo me dizia, olhava o pedido do medico que eu tinha em mãos e me mandava pra outro andar, pra outra porta, sem me dizer mais nada. E quando eu pegava folego pra perguntar alguma coisa a pessoa ou tinha sumido com um passe de magica ou ja estava falando com uma outra pessoa gravida.

Abro um parenteses pra dizer que acho que no ano de 2008 a taxa de crescimento vegetativo italiana vai quadruplicar pelo que vejo. E' uma superlotação de gravidas no hospital. Mas enfim, de alguma maneira, os italianos conseguem sempre morrer mais que nascer. E' um fenômeno de interessantes desdobramentos sócio-culturais e filosóficos.

Voltando aos fatos, agora estou de frente a uma portinha cheia de avisos de coisas que eu não consigo entender. Quero deixar claro pros leitores que eu sei falar italiano perfeitamente bem. Que tem gente que não acredita que eu não sou italiana e que o meu léxico e' fantástico. Ok, descartando um possível problema de idioma e percebendo que eu não sou tao burra assim, vai, eu ate sou "meia" inteligente, e' tudo feito pra não ser entendido mesmo. Pra fazer as gravidas ficarem fazendo filas longas calorentas e as pessoas normais (sim, gravida e' anormal) perderem o dobro, senão o triplo, do tempo que se poderia gastar pra tirar 3, 4 tubinhos de sangue, meter uma etiquetinha e dizer "volta na semana que vem pra pegar o resultado, obrigado, ate logo".

Acontece que nessa segunda portinha dizia também pra não bater, pra esperar. Mas, vocês vão concordar comigo que depois desse périplo eu não ia ficar la pagando pau pra fila de novo e já estava começando a perder a paciência. O que eu fiz? Eu bati, toc-toc-toc. E saiu uma enfermeira com olhar de reprovação. Aqui, missão cumprida, nem 1 minuto de espera. Não fosse pela menina antipática da porta do lado que saiu na mesma hora pra me dizer "Senhora, e' pra esperar ate' a porta abrir, não pode bater, você não viu o aviso?!" Nessa hora, cara de estrangeira funciona sempre. Essa segunda enfermeira se revelou muito simpática e imaginei que ela também não gostava daquela primeira que se achava que veio me dar bronca no corredor e tal, portanto aconteceu aquela identificação imediata entre eu e a enfermeira gordita (porque sera?). Ok. Gente agora vem a parte mais engraçada. A gordita olha os pedidos do medico e me diz, não não, você tem que esperar aqui do lado mesmo, ou seja, da onde eu tinha acabado de sair. Ah, gente, eu ri. Eu ri de verdade. Eu dei uma risada pra tentar descontrair o ambiente, o pessoal vestido de branco, as gravidas barrigudas calorentas. Alguns riram comigo, porque se tem uma coisa que não existe na Itália, na Itália inteirinha, em todo o pais, não e' uma hipérbole, e' a tal da privacidade. Alias, não existe uma palavra em italiano pra privacidade. Não estou estou brincando, aqui, quando alguem quer ilustrar o conceito (obtendo inevitavelmente um exito ruim) se usa "privacy" em inglês. Mas ninguém sabe o que e'. E por isso eu estava discutindo no meio do corredor a meia hora com enfermeiras e senhorinhas que cazzo eu tinha que fazer pra conseguir alguem com um garrote, uma seringa e 3 ou 4 tubinhos pra tirar meu sangue?

Outro parenteses, eu odeio tirar sangue. Gente se tem uma coisa na vida que me da arrepios e me faz sentir mal dias antes e' o exame do sangue. E eu tinha me preparado psicologicamente pra faze-lo hoje. Mas estava começando a entrever um desfecho negativo pra mim.

A gordita, depois que viramos melhores amigas, disse que ia me ajudar, entrou na sua portinha imaculada na qual não se pode bater e me disse pra esperar fora. Ai quanto mistério... Voltou com uns formulários já preenchidos e me disse - ufa, juro por deus que essa foi a primeira vez que alguem me disse alguma coisa esta manhã , quer dizer, que alguma informação foi passada pra mim sobre os exames que deveria fazer e como e quando. Mas a desfortuna era que eu deveria voltar pra fila do lado, a porta da antipaticona, pra marcar os exames porque, afinal de contas, vejam vocês, já era tarde demais pra fazer coleta de sangue. Eu não quis entrar no mérito que eu já estava ali indo de fila em fila fazia quase 2 horas. Achei melhor não jogar a culpa na minha única aliada do hospital, não queria disturbar-la com essas pequenezas.

Bom, volto pra fila 1, espero 5 minutinhos, e entro de novo na sala. No fundo tem uma outra enfermeira muito mais antipática que a primeira, (me sinto ate' um pouco mais sortuda nesse momento) falando com uma paciente no telefone sobre exames, resultados, com riqueza de detalhes e nomes - o que numa cidade pequena como Genova, e' fácil que vire boato logo, tipo Fulaninha Parodi Bruzzone Sanguinetti esta com uma doença venérea hahaha. Mas dai como vocês aprenderam hoje, na Itália não existe palavra pra privacidade.... E finalmente a minha enfermeira menos antipática resolve dar uma olhada no calendário. Marca um exame pra amanha, mas atenção amanha tenho que passar primeiro embaixo e pagar o ticket e depois subir pra tirar o sanguinho, e o outro exame esta marcado pro dia 13 de junho, sim, daqui a um mês.

Se eu tiver tempo juro que vou traduzir e mandar pro Michael Moore. Olha ai a saúde pública do 2o colocado no mundo nesse quesito. Primeiro a Franca, depois a Itália. Mas eu não paguei nada hoje, quer dizer não tirei nada do bolso e não consegui fazer nada, mas perdi horas de trabalho, que valiam dinheiro, ou seja, desvantagem total pra mim. E amanha tenho que pagar. E quando voltar pro exame do 13 de junho vou ter que pagar também. Espero só que eu consiga ouvir o resto da historia da fulaninha com DST que tinha que refazer o exame. E sinceramente, se tivessem me contado essa historia antes e eu tivesse tido a opção de pagar caro e resolver o assunto, ou esperar e pagar menos, col cazzo que eu ficar brincando de dança das portas a manha toda em jejum.

Ah, na volta, quando estava saindo, avaliei seriamente a possibilidade de subir outros 3 andares e dar uma passadinha na psiquiatria. Mas dai, eu realmente tinha que ir embora e se eu chegasse la' naquele estado psicológico agravado, provavelmente me internavam. A única vantagem e' que internado não tem que pagar a merda do ticket.

Friday, May 09, 2008

sublime joy

I went from super anxious to fabulously blase'. But also, numb could be a good definition. I think there's some hormone that operates that (some? talk about the works, loads of them all over your body, 24/7 hormones, filling in the blanks for you everytime you get your mind off of something, literally, there's no free time anymore...)

Don't get me wrong, I am happy. I swear I am and I would prove it right now if I only knew how to. (Don't expect me to begin knitting).

So right now, the next phase is depression, I suppose, so, basically crying. When you shower, when you eat, when you don't eat, when you crave and can't find the thing you're craving, when you wake up and for some reason everything's uncertain, none can give you clear answers, you'd figure, since it's always been the same thing from the beginning of time, and now with our so-called modern science you'd think, I did, that they would give you a document with bullet points of things you can't and can do, things you will feel, things that are going to happen. But no. It's here, on blogs like this, that you have to go fishing for, mind you, no science talk, but some girlfriend's guide to the deed. And it helped.

But, hey, girlfriend, one thing you should know is that the beginning is really hard. Nobody says that. Because you feel so lonely. And you are. Wait, no, you are not. And you will never be alone again. Because now you are with child. And when it finally kicks in, I bet it's all the joy sublime.

So wait, I'll keep you posted. Sincerely.

Friday, March 02, 2007

Mais uma dose...

- Cloridrato de Sibutramina.
- E?
- Só.

- Pílula anticoncepcional conta?
- Conta.
- Então, é isso mesmo, sibutramina e pílula. E a bombinha de asma.
- Quantas vezes ao dia?
- Uma.
- ...
- Uma de manhã e outra à noite. Duas vezes ao dia. 250mg.
- Café?
- Ah é, tem o café também. 2 ou 3.
- Álcool?
- Pouco, aqui e ali, em situações sociais... mas peraí, conta tudo? Tenho que contar tudo, tudinho? Então tá faltando o egg&bacon roll que eu comi no bar e uma porçao de cheetos... mas eu tava com tanta fome, tanta, tanta, eu não aguentei. E pra acompanhar eu pedi um guinness shandy. E acho que essa foi a maior droga do dia, ok?

Wednesday, February 28, 2007

Salute e figli maschi.

Me encontrei no supermercado com uma criança pequena no colo e uma outra um pouco mais velha dentro carrinho. Procurando produtos saudáveis, lendo etiquetas, a cena perfeita de um comercial de margarina. Ou leite, ou cotonetes. E foi aí que eu perguntei pra ela, ou seja, eu mesma, se estava feliz.

Nada faz sentido nesse inferno que é ter filhos, essa pança flácida, coberta de estrias. As tetas caídas. O carrinho do supermercado transbordando de merda saudável, verdurinhas, papinhas, fralda e tudo aquilo que mete raiva na gente. Na gente que é solteira e sem filhos, quero dizer.

É isso que você quer mesmo? Esse não estar nunca mais sozinho no mundo, ter alguém sempre carregando seu sobrenome e seu DNA pra te fazer passar vergonha em lugares públicos quando resolve ter um temper tantrum. Essa existência sobre a qual você não tem nenhum controle, ainda que todos as cagadas que esse ser humano fizer antes de 18 ou 21 can be and will be traced back to you. Esse outro ser humano que você, num momento de gloriosa fantasia, acreditando numa vocação divina dos homens, pensando na Bíblia e toda e qualquer papagaiada, resolveu botar no mundo. Esse filho para o qual você perdeu horas e horas escolhendo o nome, fazendo provas pra ver se rimava com palavrões, pra tentar prever como os filhos dos outros testa di cazzo gozariam da cara dele.

Ela (eu) me pergunta se é isso que eu quero mesmo. Não tem volta, sabia? As feministas se enganam, não tem pílula, nem aborto, nem pro-choice. Mulher quer mesmo é ter filho. Mesmo quando não pensa nisso, se prepara pra isso. É o norte magnético da mulher moderna, clássica, engajada, solteira, casada, feia, bonita. Não importa. Até aparecer naquele comercial de margarina e entender do que se trata, não sossega.

E eu fiquei sem resposta.

Monday, May 29, 2006

It's only a paper moon.

My thoughts linger nostalgically to my old days of silicone boobs, 14-dollar drinks in preppy-trendy places, the "by the pool" business and I'm telling you, all year round by the pool is unbeatable business, I once did my birthday party by the pool, it didn't work out quite right but anyways, you gotta be with the "in-crowd". The fantastic "2-for-1 night" all week long, if you know where to go, you know what I'm saying. The board walks, the dog walks, the power yoga, the eat-as-much-as-you-can king crab all seafood fresh from the pier buffets. The light mayo, light butter, egg beaters, the "90% natural cheese" cheese, all protein, no transfatty acids and no white flour, no sugar added, organic guaranteed, delicious one-meal shakes. The harassment-free, no questions asked, satisfaction or your money back, this call might be recorded for your own safety and please come back again we appreciate your business. The thousands of passwords and safety questions, mother's maiden name, dog's breed and credit cards with your photo. I miss it. And the whipped butter. And my light yogurt with real fruit. And the parking lot and the meters outside the movie theatre, the boardwalk and any road and the parking meter card "25 $ of tranquillity parking". Paper or plastic supermakets, over the counter 2-story drugstores with anything you could ever need in the case of diarrhea, unsafe sex and bad breath. The one million diet sodas and the large variety of peanut butter, mascara and aspirins. Ooh, don't let me forget about the always useful wax filled electric hair rollers. Really rocking. Do you get it? I miss my shower radio.

Wednesday, May 17, 2006

Trópicos.

O trópico de capricórnio existe? Ele é imaginário mas existe, tá lá em alguma posição exatinha, basta olhar no atlas. E é assim também com os 30. É uma linha imaginária, mas que existe, ó, exatinha, 30 anos depois que você nasceu. Que na prática são 3 décadas em que tudo somado, tudo calculado, tudo subtraído, faltou um monte de coisas. É isso, na prática, é isso. Tem sempre aquele negócio de pensar em como a gente pensava aos 15 que a gente seria aos 30. Eu pensava tudo diferente. Eu pensava que ia demorar mais, pensava também que me sentiria mais velha, e isso, é verdade verdadeira, me sinto muito menos velha - tudo mérito da Neutrogena com o fantástico sistema de microdermabrasion, quer rejuvenecer?, pergunte-me como. Comunque, pensava tudo diverso, 30 anos é a idade eterna dos meus pais, eles tiveram sempre 30 anos até que um dia fizeram 50. Mas eu não tenho filhos e agora tenho 30. Conflito. Trinta anos é tempo pra caramba. Imagina levar a roupa pra lavanderia e te pedirem pra voltar "daqui umas 3 décadas mais ou menos, mas nós ligamos pra avisar se ficar pronto antes. Olha que se a senhora quiser dá pra fazer em menos tempo, mas tem a taxa de urgência."

Sei lá. 30 já parece tanto.

E o resto, como será? Daqui por diante, como é? Quando é que vou me sentir velha, quando é que serei considerada velha mesmo, quando é que se começa a falsificar documentos, mentir em entrevistas, não dizer a idade simplesmente...?

Os sinos anunciam a meia noite do meu aniversário. E eu começo um dia que poderia ser como todos os outros sentindo-me estranha porque 30 anos atrás eu nasci. Que bobagem. Porém, ainda que imaginário, é um trópico e eu posso jurar que ele está bem aqui.

Saturday, May 13, 2006

Reality check: La dolce vita.

Europeu quando quer ser schifoso mesmo goes all the way to the rocky bottom. Desodorante que dura 7 dias, já viram isso? A idéia que exista toda uma industria para as pessoas que ficam dias sem tomar banho me preocupa: o carinha que inventou a formula depois de anos de pesquisa e testes em milhares de axilas voluntárias, a empresa que resolveu produzir, os supermercados que vendem o produto... e toda a gente que compra e usa o maldito desodorante de 7 dias. Bom, eu, que pego ônibus todo dia, sei que não funciona 100%.

Todos votam pela sinistra, nonostante queiram se ver livres de todos os imigrantes e dos turistas tambem. Essa gente dá muito trabalho. Os mais odiados sao os asiáticos. Sa com'é, eles abrem a lojinha, nao fazem pausa pranzo, Dio mio, e ainda por cima querem abrir no domingo. É o fim do mundo. Os italianos odeiam sopratutto gente que quer trabalhar... Basta ir no banco. Fila de mil pessoas, as mocinhas no caixa lixando a unha, falando no telefone, contando dinheiro na frente de todo mundo... daí aparece o chefe. Pensa que todo mundo finge que está trabalhando? Que nada, lá do fundo alguém grita o resultado da ultima partida de futebol da empresa, as mocinhas todas dão uma piscadinha pra ele e ele, nas suas mocinhas preferidas, dá aquela palmadinha carinhosa na popa. Cenário maravilhoso. E você ali há 20 minutos, esperando pra trocar um cheque. Mas pra quê ter pressa. Parece até aquela gente de Milão. Ah, tem também aquela "gente de Milão", que gosta de trabalhar, que tem pressa porque tem coisa melhor pra fazer do que ficar esperando em fila, insomma, gente que é uma vergonha pro próprio país.

País civilizado, de primeiro mundo, é isso aí.

Comunque, não quero voltar pro Brasil.

Friday, March 17, 2006

Contrário.

Estou feliz.
Não estou feliz.
Estou bem.
Não estou bem.
Estou mal.
Estou melhor.
Queria ser magra.
Queria ser mais alta.
Queria ser mais rica.
Queria ser famosa.
Queria ser ruiva de verdade.

Mas nunca quis ser mais inteligente. O que me leva crer que essa é a chave do negócio todo. A beleza é que é realmente importante. A inteligência você pode adquirir ao longo da vida, vivem dizendo isso pra gente, que a idade traz sabedoria, nada mais fácil, mas a beleza não. Either you have it or you don't. E chega de papo-furado.

Ou será que é o contrário?

(Que medo, meu deus, de ter pensado tudo errado, e que se eu fosse inteligente mesmo não ia ter escrito nem pensado essa merda, não ia nem ter blog pra escrever essas besteiras! E se fosse inteligente não ia desejar, por exemplo, ser ruiva de verdade, que é uma coisa muito ridícula, eu assumo. E agora, meu deus, pra ficar inteligente o que é que a gente faz? Dispenso mensagens sobre Scientology.)

Monday, August 01, 2005

Bob pai, bob filho

Certa vez levaram um cachorro ao veterinário com o carro oficial. Isso junto com um monte de coisas resultou num dia em que, na minha escola, os professores disseram que quem quisesse virar massa de manobra podia faltar na aula sem levar falta. E eu, alienada e orgulhosa que sempre fui, fiz o manifesto dos cara-amassadas no meu travisseiro - hoje sei que sou agorafóbica e aquela muvuca na Avenida Paulista, fosse pelo que fosse, non sarebbe andata bene per me.

Enfim, moral da história: nenhuma. Mas eu queria ter o prazer de comparar o filho do Lula com a cadelinha do Magri.

Friday, June 17, 2005

Prosciuto sugli occhi

Finalmente, Tom Cruise está apaixonado por uma de nós. Sim, uma de nós, que naquela época do Top Gun, era adolescente e gravou o filme quando a Globo passou na Tela Quente e o assistiu centenas de vezes a tarde durante as férias de Julho. Minha parte preferida era quando estavam todos os pilotos no banho e Iceman provocava Maverick (Val Kilmer e Tom Cruise respectivamente). Confesso logo: eu também quis casar com Tom Cruise. E me sinto representada pela Katie Holmes (pretenciosa?nah...). Veja bem, a Nicole Kidman não é uma de nós - quem dera... a Penelope Cruz-credo. Agora, a Joey do Dawson's Creek, (e isso é bom e muito ruim ao mesmo tempo), is definitely one of us. Good for us, Tom Cruise é nosso!

Monday, June 06, 2005

Incrível

O shampoo e o condicionador acabaram juntos.

Wednesday, May 25, 2005

Eu já contei pra vocês....

...do incrível inseto vermelho?

Vermelho mesmo, vermelho Ferrari, aparece no verão no teto da minha casa. Na verdade é um prédio. Mas eu moro no último andar, sem elevador, é claro, pois a casa foi construida em 1800 sei lá o quê e depois foi reformada em 1900 sei lá o quê - uma data quando os elevadores ainda nao tinham sido inventados. Mas tudo bem, porque estando no teto, eu tenho janelinhas de barco em casa, a mobília toda baixinha e uns 3 galos no cucuruto de tanto meter o cabeção nas vigas do teto... Comunque, eu contava do tal bichinho vermelho que parece um ácaro, (naquela célebre imagem ampliada milhões de vezes do microscópico vilão). A primeira vez que o vi estava dentro da minha máquina fotografica, caminhava pelo visor digital. Eu ainda não expliquei que ele aparece bem pequenininho, o que facilita sua entrada em aparelhos eletrônicos e depois vai crescendo, no começo de maio eram pontinhos barely visible. Agora estão com dimensões de formiguinhas de cozinha. E são vermelhíssimos. E mancham a roupa da gente. Portanto, tomar sol no telhado só de roupas escuras.

Wednesday, March 16, 2005

Conselho editorial

Nunca, sob hipótese alguma, peça luvas emprestadas. Em temperaturas propícias ao uso de luvas, o nariz da gente escorre quase que ininterruptamente. E friozinho faz com que tenhamos preguiça de tirar as luvas pra assoar o nariz. E assoar o nariz de luvas é deveras complicado. Poupo o leitor dos detalhes.

3 meses depois...

Tenho blog, logo existo.
Primavera em 3 marcas.

Armani. Bastava parar aí, o resto é tudo cópia.
Entre linhos e couro e algodão amassado, puro, com cara de ser muito macio e confortável, Armani constrói sua Primavera com muito branco e off whites como aveia, manteiga e tons de bege. Jaquetas de couro estilo aviador, calças estilo gaúcho, e proteções de canela que me parecem muito pouco funcionais, mas são lindas e convencem. Quase sem estampas, algumas calças listradas, tudo muito casual e limpo, muito simples porém muito bonito e de bom gosto. Na parte haute couture, entram algumas estampas florais, com muito rosa, laranja e verde, seda, alguns tecidos luminosos, até brilhantes, mas a cor de fundo continua sendo o branco e o tecido básico, o algodão. Faz a gente ficar com muita raiva dos casacos, echarpes e botas pesadões do final de inverno atípico na Europa, por culpa de últimas frentes frias que chegaram de surpresa, sobretudo na Itália, que ficou cobertinha de neve de Norte a Sul. Milão, que tem sempre aquele friozinho chique, estava geladésima... e a Primavera acontece por enquanto só nas vitrines.

MaxMara, mulheres muito bem vestidas e femininas ? Echarpes finas, em tons fortes como vermelho escuro, vestidinhos de alças com jaquetinhas curtas ou ?coprispalle?, que é tipo uma malha que só tem as mangas, muito coloridos, sobretudo de azuis claros e verdes puxando para o pistache. Muito bege aqui também e branco. Muitos tecidos orgânicos e confortáveis, muita, muita, muita sobreposição. Um cachê-coeur aqui e ali. Algum laranja, sinto que será um grande hit do verão (previsão minha). Jaquetas tipo aviador e muitos trench coats, todos lindos.

Zara, a cópia bem feita ? Um pouco de tudo que foi dito acima. Aqui acha-se ainda alguma coisa em um verde escuro, entre o militar e o oliva. Não prestei muita atenção, porque o verde é a cor proibida pra mim. Coprispalle, casaquinhos curtos, trench coats, e ainda aquelas insistentes saias assimétricas, (eu que sou um pouco obsessiva-compulsiva não suporto). Muito Jeans.

Disse que seriam 3 mas dou uma colher de chá e falo da H&M, que é uma marca Sueca, inaugurada no final da década de 40. E só chegou aos EUA e sul da Europa a partir do ano 2000. A primeira loja na Itália foi aberta em 2003, e hoje é um sucesso tremendo. O line up e público alvo são praticamente os mesmos da Zara, pois a marca segue todas as principais tendências da moda, com todas as peças mais básicas e mais fashion de cada estação com preços bem mais em conta. E bem mais em conta que os preços da Zara, devo sublinhar. Em Genova e em Milão, alguns pontos que eram lojas enormes da Benetton foram vendidos para a H&M que parece crescer vertiginosamente. A loja está sempre lotada, eu quase não consigui ver as paredes de acessórios, e estamos falando de uma quarta-feira de manhã...

Balanço do dia: 10 euros na H&M e 30 na Zara. E um par de óculos escuros glamourosos, preço sob consulta. E almoço no McDonald?s... Agora sento e choro com dor de estômago.

Friday, December 31, 2004

Un Giorno Migliore

Depois que formulei a teoria de que falar italiano emagrece (depois eu explico melhor) e como pretendo colocá-la a prova esse ano de 2005 pra depois escrever meu best-seller de auto-ajuda do tipo " Emagreça parlando", aí vai uma musiquinha muito bacana em italiano. Infelizmente não consigo incluir uma música aqui, mas é tipo um twist, bem animadinha, vai imaginando aí. De Paolo Belli, Un Giorno Migliore.

Oggi puo' essere un gran giorno
che ti sorriderà
credi nei tuoi sogni
il mondo splenderà

Gli occhi, chiudi gli occhi
e sogna quello che ti va
quando apri gli occhi
e un gran sole ci sarà

Ti senti libero
Perfetto
il cuore elettrico
l'animo fantastico

Guarda le tue mani
hanno grandi desideri
credici nei sogni
Al ritmo del tuo cuore

Oggi puo' essere un gran giorno
Datti un'oppurtunità

Sessão

Acho que começou quando era pequenininha. Esses traumas de primeira infância. Quando eu pedia pra minha mãe me pegar no colo, e ela, com meu irmão que era bebê nos braços, dizia que eu já era grandinha e tinha que ficar no chão como uma boa menina. De lá pra cá, fiquei tentando ser boazinha pra esconder o ciúme.

Freud explica. Mas quem resolve?

Eu quero minha parte em éter.

Thursday, December 30, 2004

Loucura mesmo é a lucidez. É olhar pra dentro de si e tomar consciência de tudo de uma vez só, tudo aquilo na ignorância poderia ser bliss. Eu achava que enlouquecer era diferente. Eu esperava perder a noção, ( e isso parecia bom). Mas não se perde os sentidos, encontra-se outros.

Wednesday, December 29, 2004

Amore ovunque

Volto no tempo querendo precisão. Quando tudo começou exatamente. E não encontro. Continuo a procura lúdica, um daqueles momentos que a gente imagina vir com uma legenda dizendo: é agora, é isso, é tudo. Mas, uma vez acontecido, espalha-se por toda a memória o verniz do amor e volto atrás um milhão de vezes, (principalmente antes de dormir), e encontro tudo embebido na sensação de agora que é clara, forte e magnífica. E me desafia de novo a força de algo que começou assim do nada (ou do tudo), e mistura todos os tempos no meu coração. Volto no tempo, quando? Mas a resposta é sempre.

Wednesday, December 15, 2004

Isso suga!

Foi o que apareceu na legenda de um filme que passava outro dia na TVA quando um garoto disse "It sucks!".

Eu juro.

Monday, December 13, 2004

A cada ano que passa fico mais surpresa com as decorações de natal no Brasil. (Mentira, meu pessimismo de auto-defesa me faz imaginar, aliás ter certeza, de que pode ser pior, muito pior sempre*.) Mantas de amianto enroladas em fitas metálicas (ou algum similar), sim, fitas metálicas de péssima qualidade dappertutto, em laços mal-feitos, renas iluminadas piscando junto com parcas árvores enroladas em jogos de luzes provenientes da 25 de Março e o abominável spray de neve... Oh Deus, o problema não é o Natal ter se transformado num feriado comercial e ter perdido seu real significado. O problema é ter se convertido num feriado de mau gosto.

*Filosofia de vida, aplicações metafísicas.

Sunday, December 05, 2004

... e vou vivendo...

É inútil tentar negar. Só quando bebo minha letra (oh yeah, my handwrite) fica linda. E geralmente tenho boas idéias (ok, arguable...).

Besides that, nothing says louder "you look wonderful, darling!" than a twinkling glass of something on the rocks.

(Acabo de assistir a Bridget Jones e constatar minha frágil natureza...)

Tuesday, November 23, 2004

Se me permitem, um pequeno aforismo Alexandrino, desde que fui demitida, tenho vivido avidamente meu lado caçula - que è aquele nosso lado totalmente desprovido de anal retentiveness - ainda bem que aqui è barato beber vinho bom!

Bibliografia sugerida: A coisa nao-deus, Alexandre Soares Silva.

Monday, November 08, 2004

"I know I need therapy, but only once I would much rather kill someone. Just once..."

From the Memoire of Angela O'Keefe.

Thursday, October 21, 2004

Meu alter-ego fuma.

Eu mesma nao fumo mas, sempre que me imagino, me vejo fumando. Meu alter-ego è muito mais charmoso do que eu.

Tuesday, October 19, 2004

Cada vez que me perguntam porque estou na Itàlia, a reposta è diversa. Funny enough, sò tem uma resposta certa. Sim, aquela mais òbvia. Mas enfim, isso là è pergunta que se faça? Porque estou na Itàlia?, problema meu, oras bolas, nao pedi dinheiro emprestado pra ninguèm pra vir pra cà. Nao devo satisfaçoes a ninguèm, mas o povo italiano è estilo "dona-matilde-do-biscoitinho-de-nata" e quer saber tudo. Eu me divirto inventando respostas. E conjugando verbos de maneiras impensàveis aos ìtalo-parlantes. Italiano è foda - refiro-me a lìngua, por favor. (E o duplo sentido continua firme...)

PS: 23 minutos no Cyber Cafè sò saiu isso, me perdoem (nao sei como escrever essa palavra, confesso e aqui nao tem til).

Thursday, October 14, 2004

Tanta coisa pra postar e tao poucos minutos no cyber cafè. Tao poucos acentos...

Tinha atè uma foto do candidato napoletano a deputado que se chama Labocetta - eleiçao na Italia è outra coisa. Napoli inteira vota em boceta, opa, Labocetta. E quem nao votaria?

Alias, vencer eleiçao em pais onde o horàrio politico nao è de graça è outra història, nè? Olha là o Kerry gastando a fortuna da familia ketchup, suando seu rego pra bater no Bush nas pesquisas e estatisticas. Enquanto isso, na maravilhosa cidade de Sao Paulo... bem feito.

A dopo, carissimi.



Tuesday, September 28, 2004

Bla

Dias repletos da minha propria cheap philosophy. Sò assim me consolo. Leio sobre a tal da Cabala. E, de certa forma, isto me desconcerta. Ler o best-seller que mudou a vida de Madonna e tantas outras estrelas, nunca me foi atraente. Mas enfim, confesso, leio, estou na metade e ainda nao entendi nada. Por isso digo e digo de novo que nao sei nada, menos que nada, o além-nada dos meus neuronios. E esta reclamaçao toda me faz lembrar da adolescencia. Eh, a fase mais chata da vida em todos os sentidos. E ao mesmo tempo, como um polvo num labirinto (juro que ja vi uma reportagem sobre polvos em labirintos), me sinto sendo testada por alguma entidade superior pra ver se eu consigo sair dessa. Vai ver que é a Cabala. (Repare no 'C' maiùsculo, respeito com a Cabala, rapaziada.)

Agora deveria falar sobre o turismo acidental. Nao faz sentido, absolutamente. Preferiria ser um daqueles americanos-de-viseira-em-dia-nublado, batendo no vidro do aquario, bem embaixo de uma placa que pede o favor de nao se bater no vidro, do que ser essa versao descabida de gente em outro paìs. Eu sou gente de outro paìs. Pronto. Turista nao. Mas enfim, o que somos, pra onde vamos, de onde viemos e, sobretudo, o que fazemos aqui?

Em outra nota, deveria dizer que o turismo aqui em Genova tem a caracteristica de ser acidental ou, assim me parece. Nao consigo imaginar o roteiro turistico contendo: dia tal, hora tal - Tarde em Genova, degustando o verdadeiro pesto. Noite - empanturrados de pesto e focaccia, partida para qualquer localidade. Mas vale a pena. O pesto, a focaccia, o Porto Antico, que eu adoro, de onde teclo nesse exato minuto e todo o charme milenar da cidade. Eu adoro velharia. Deveria abrir um antiquàrio. Isso é, se conseguisse desfocar do meu lindo umbiguinho e começasse a olhar em volta. Mas é dificil, é imensamente dificil. Esperemos que a Cabala tenha o efeito esperado e possa me ajudar a resolver todos os meus problemas. Ou entao, procuro o Walter Mercado.
"There's an old joke. Two elderly women are at a Catskills mountain resort, and one of 'em says: 'Boy, the food at this place is really terrible.' The other one says, 'Yeah, I know, and such small portions.' Well, that's essentially how I feel about life. Full of loneliness and misery and suffering and unhappiness, and it's all over much too quickly."

A point of view from Annie Hall.

To read more, click here.

Friday, September 24, 2004

Mais que nada

N. da E.: infelizmente sem acentos... cyber café italiano...

Antes me consolava pensando que nada sabia. Oras bolas, nao saber qualquer coisa era apenas uma pequena parte momentanea do meu nao-saber, doença jà conhecida, tipo aquela enxaqueca que vem de vez em quando, a gente nem liga muito, toma-se uma Neosaldina e pronto. Agora, infelizmente, quanto mais eu reparo menos eu sei. Estou falando de menos que nada. Ou mais que nada. Sei là. Como aqueles cientistas que a cada ano descobrem que o universo é maior do que eles imaginavam. O nada também. Cada ano que passa, como um big bang ao contrario, coisas que outrora faziam sentido simplesmente se desvirtuam, e meu nada cresce exponencialmente.

Quando releio livros, posts, cartas, certas vezes, é como se eu nunca os tivesse lido antes, e me assusto: a memòria é o buraco negro do meu universo nulo. E eu nem sempre me reconheço ou reencontro as impressoes de antes.

E, apesar de tudo isso, é a primeira vez na minha vida que estou feliz com o tamanho da minha bunda.

Deveras, it doesn't make any sense after all.

Monday, September 06, 2004

Senza Senso

Impressionante como, de perto, a realidade parece mentira.

Me belisca?

Sunday, August 08, 2004

"Parou por quê?" dizia a analista quando eu fazia longas pausas no meio do que estava dizendo. Era como se ela me lembrasse de que cada minuto ali contava - no sentido financeiro também. Eu estava pagando pra ficar em silêncio. E pra fazer digressões que na maioria das vezes não faziam sentido algum. É, fazer análise é assim. Sempre me perguntam como é que é, o que ela fala pra você, ela fica perguntando etc. Pois então, ela pergunta sim, com um certo descaso, "parou por quê?". O que ela queria dizer, mais do que 'seu tempo está acabando' (que não deixa de ser uma verdade metafísica), era que a história superficial perdia o sentido, perdia o interesse, em virtude de alguma outra coisa. Essa outra coisa vinha guardada em silêncio e doce contemplação. Era muito valiosa, mais até que os custosos minutos freudianos. E essa coisa que vinha interromper a análise, era de fato a matéria da análise, era o quê se queria encontrar lá fundo de cada historinha corriqueira. Mas então, parei porque o que apareceu é tão importante pra mim, tão precioso, que danem-se os minutos pagos...

Parou por quê?

Porque tá mais legal a vida real do que escrever blog.

Thursday, July 29, 2004

49. Revolution

Lake over Fire.
You must destroy all your bad ideas.
Seek change, as the traditional way is no longer suitable.
You must undergo a radical transformation in order to find your road to success.

E, se o I-Ching está dizendo, quem sou eu pra ir contra?!

Monday, July 19, 2004

- Look, if I die, Al, tell Ellie I'm sorry I said all those things to her. I said terrible things to her. I called her all kinds of names. Probably because I never stopped loving her.

- You're not dying.

- Well, if I don't die, tell her she's a tramp, and she's living with a guy the best you could say about him is sometimes he returns phone calls.


Romance, hypochondria and redemption from "Hollywood ending", by Woody Allen.

Thursday, July 15, 2004

Once in a lifetime - Talking Heads

And you may find yourself living in a shotgun shack
And you may find yourself in another part of the world
And you may find yourself behind the wheel of a large automobile
And you may find yourself in a beautiful house, with a beautiful wife
And you may ask yourself - Well...How did I get here?

Letting the days go by/let the water hold me down
Letting the days go by/water flowing underground
Into the blue again/after the money's gone
Once in a lifetime/water flowing underground.

(...)

And you may ask yourself
What is that beautiful house?
And you may ask yourself
Where does that highway go to?
And you may ask yourself
Am I right?...Am I wrong?
And you may say to yourself
MY GOD!...WHAT HAVE I DONE?


(...)

Same as it ever was...Same as it ever was...Same as it ever was...
Same as it ever was...Same as it ever was...Same as it ever was...
Same as it ever was...Same as it ever was...

Monday, July 05, 2004

"... depois foi encostar-se a uma das duas janelas que davam para o mar. Cinco minutos depois, a vista das águas próximas e das montanhas ao longe restituía-lhe o sentimento confuso, vago, inquieto que lhe doía e fazia bem, alguma coisa que deve sentir a planta, quando abotoa a primeira flor."

Machado de Assis, no conto Uns braços.

Ah, eu adoro as sutilezas machadianas...

Thursday, June 24, 2004

- So, what's the problem? Tell me.
- Ok. I'm in love.
- Ufff... I'm so relieved!
- Why?
- I thought it was something worse.
- Worse? Worse than the total agony of love?!

Dialogue excerpt from 'Love Actually'.

Thursday, June 17, 2004

Flatliner

Ontem, durante uma reunião, eu juro que entrei num estado de coma leve. Quase tive morte cerebral. Mas, graças ao movimento do meu maxilar mastigando um chiclete, um mínimo de células cerebrais se mantinham ativas e não houve sequelas. Quer dizer, eu acho que não.

Friday, June 11, 2004

Murmullo

Hay un suave murmullo
En el silencio de una noche azúl
Son dos enamorados
Que, encantados, gozan del amor.

Y ríe la vida y qué dice así: Ahh, ahh...
Y ríe la luna y qué dice así: Uhmm, uhmm...

Afinal, mesmo despeitada, ainda faço questão de manter o romantismo... Aahhh, uhmmm...

Wednesday, June 09, 2004

Tacones Lejanos

Eu não sei lidar com a frustração, sabe, eu tenho vontade de rasgar todo o forro do sofá, de quebrar toda a louça, de atirar copos e vasos contra as paredes da casa... tipo novela das oito, sabe, acho que no fundo é tudo culpa das novelas das oito, que fazem a gente criar esse repertório maligno de ataques de cólera, e se não fizermos isso, parece que ficou faltando o gran finale, parece que nem estamos tão bravos, pensa bem, que coisa melhor pra demonstrar angústia e frustração do varrer com braços raivosos uma penteadeira inteira cheia de perfumes, coisinhas, vidrinhos, e ver tudo cair no chão? Nada pode aliviar tanto. Eu quebrava todas as minhas bonecas, arrancava os braços, as pernas, rabiscava a cara delas, eu acho que no fundo não é culpa das novelas, no fundo eu já era assim, eu já tinha esses ataques, essa vontade de destruir alguma coisa pra passar a raiva, mas tem que ser alguma coisa repentina, não adianta eu chegar lá em casa e ficar esmurrando uns travesseiros, dizendo os nomes da minha lista negra, sabe, isso não adianta, ajuda um pouco, mas sempre me sinto ridícula, entende, o legal é chegar com a cabeça fervendo e ver pela frente alguma coisa que a gente possa chutar assim, logo de cara, quebrar, atirar... tem um vaso lá em casa, um vaso horroroso, que a menina que mora comigo, adora, não consigo entender como, o negócio é um elefante branco que ela mandou trazer do México, deve pesar mais de 50 quilos, juro por Deus, fica num canto da sala, e me é muito pertubadora a presença daquele vaso, que ela chama de urna, ainda mais urna, coisa fúnebre... agora me imaginei com o martelo, que eu comprei pra pregar uns quadros, martelando aquele trambolho até virar 50 quilos de pó no chão, ia ser bem relaxante, é, mais até que shiatsu. Mas não dá, e como não tem Yoga hoje, vou fazer compras.

Final no. 2

Angela O'Keefe termina o show - ou seja eu, no meu sonho. Entro em meu camarim e olho para as flores com um sorriso misterioso nos lábios, (sempre misteriosa, sempre misteriosa). Abro o cartão. Alguns segundos de silêncio seguem. Sirvo-me de gin, straight up. Ando de um lado ao outro do quarto. E então, tomada de cólera, rasgo o bilhete e atiro o vaso de flores contra o espelho. Assustados com o barulho, entram correndo em cena Butch Rigby e Stu Francis, este último, o pianista. Butch exclama com reprovação "Not again, Angie, not again!". E eu, colérica, já um pouco bêbada e entre soluços diria "You just don't understand, Butch, you just don't get it!" - aqui, encostada na parede, com o copo na mão, escorregando vagarosamente até chegar ao chão (sim, como aquelas cenas de novela das oito). Stu tentaria me levantar, mas irritada eu gritaria "Get out, get out, leave me alone, let me be!". A câmera seguiria Stu e Butch até o bar onde em silêncio trocariam olhares preocupados. Corte. A câmera voltaria para meu camarim, onde eu estaria tirando a maquiagem, vestida agora com um pegnoir amarelo com plumas na gola e mangas, chorando profusamente. A seqüência termina com um plano geral do bar, onde Stu e Butch bebem algo e Jules McMannus, o barman, diria "Life goes on. She'll sing tomorrow, I know she will".

Tuesday, June 08, 2004

More than you know...

Imagine um piano de cauda, um saguão de um hotel, à meia luz, algumas mesas têm velas acesas, outras não, fumaça cria texturas pelo ar. O pianista entra, mas as pessoas continuam a sacudir as pedrinhas de gelo dentro de seus uísques, produzindo um tilintar contínuo. Ele estala os dedos, timidamente, e começa a dedilhar o piano. De repente: silêncio. Imagine uma mulher ruiva, irretocável, vestido preto, baton vermelho, entrar flutuando pelo palco. Sou eu. (Tá, tá, tá, eu confesso, eu sou a Rita Hayworth em meus sonhos.)
Então, com ar triste e misterioso, em parte por culpa do cabelo que esconde um olho e meia maçã do rosto, eu (ou a Rita Hayworth, caso o leitor não me conheça pessoalmente)começo a cantar:

More than you know
More than you know
Man of my heart, I love you so
...Aqui eu desencaixo o microfone do tripé e começo a caminhar...
Lately I find
You're on my mind
More than you know
...tomo um gole de um copo de uísque de alguém na platéia...
Whether you're right,
whether you're wrong,
Man of my heart, I'll string along
I need you so
More than you'll ever know...
Agora eu acendo uma cigarrilha em uma longa piteira e sento-me em cima do piano e o resto do show fica ao gosto do leitor. Lembrem-se que o strip-tease seria apenas tirar as luvas e depois sacudir a cabeleira.

E quando eu me retirasse para meu camarim - "Changing Room of Ms. Angela O'Keefe" (esse é o meu alter-ego onírico) - eu encontraria um buquê de rosas - vermelhas, é logico - leria o cartão e daria sonoras gargalhadas. Sem nem me trocar, retocando apenas o baton e o perfume, sairia com pressa, sem esquecer um casaco de pele. Um Bentley já estaria me esperando e Butch Rigby, o dono do bar do hotel, viria correndo atrás do carro, mas não nos alcançaria. Arrancaria o chapéu e o bateria contra a própria perna de tanta raiva e... curiosidade. Ninguém poderia saber de quem eram as rosas.

Thursday, June 03, 2004

The book is in the fireplace.

N. da E.: Pode ser um spoiler para o filme "The day after tomorrow", mas eu acho que não.

Nove personagens, mais ou menos, presos numa biblioteca em Nova Iorque, sem eletricidade e a temperatura caindo bruscamente, resolvem queimar livros numa lareira secular para se manterem aquecidos. A bibliotecária engole seco, soltando um pequeno gemido mas, as far as she is concerned, é capaz de não sobrer ninguém no fim do filme pra ler livros... Um segundo bibliotecário e uma adolescente saem para buscar livros pelos corredores da biblioteca.

Faço pausa pra reparar como esta profissão teve destaque nesse filme: 2 bibliotecários entre 9 pessoas. É de se pensar se não foi coisa de sindicato contra Hollywood, dizendo que tal classe nunca havia sido representada na big screen etc... But I digress.

Bom, voltando ao filme, rola uma discussão entre os dois, porque a mocinha quer queimar alguns volumes de Nietszche e o bibliotecário resolve fazer um discursinho sobre qualquer coisa como Nietszche ser o maior pensador do século XX - afinal o filme é de ficção mesmo - até que outro personagem chega e diz 'deixem disso, rapaziada, vamos começar pela sessão de direito'!
Todo mundo respira aliviado: claro! vamos queimar as leis, o mundo está acabando mesmo...

Alguns minutos mais tarde, a garota e o bibliotecário se enfrentam novamente. Ele abraçado a um livro grosso, pesado, antigo. Ela vem curiosa e ávida por uma boa briga, que me parece bem verossímil no caso dos adolescentes, e pergunta 'Que livro é esse?'

Era a Bíblia. Ela diz, irônica, ' Você acha que Deus vai te ajudar, huh?'

Ele diz com desdém 'Claro que não! Eu só estou salvando essa bíblia porque foi um dos primeiros livros a ser impressos ever in the history of humanity. If human civilization is going down as we know it, I want to save a little piece of our culture, of our times..., ou qualquer coisa do gênero. Bullshit. Double bullshit.

Agora, sejamos francos, se uma tsunami tivesse invadido NY, uma nova era do gelo estivesse se abatendo sobre todo o hemisfério Norte e você estivesse preso numa biblioteca com uma adolescente irritante, você não ia pedir a Deus pra te salvar?!

Sei, sei. Conta outra.

Moral da história: os livros salvam.

Monday, May 31, 2004

Só danço samba

"Só danço samba
Só danço samba, vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba
Só danço samba, vai
Já dancei o twist até demais
Mas não sei
Me cansei
Do calipso ao chá chá chá
Só danço samba
Só danço samba, vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba
Só danço samba, vai..."

Celebrando a camiseta "Proud to be Brazilian" que ganhei defendendo "o jeito nas cadeiras que ela sabe dar" - só elas, as brasileiras.

Friday, May 28, 2004

Cri cri, cri cri. (meu celular tocando)

- Fala, criatura...
- Ai, precisa falar assim comigo?
- Como é que vc consegue me encontrar sempre, hein, Clara?
- Sei lá, sempre que eu pego o telefone e disco qualquer coisa eu encontro você. Deve ser algum recurso cênico ficcional, sei lá.
- E aí? Como anda a Sumatra? Ninguém entendeu seu email... Você tá feliz ou triste?
- Então, tipo assim, eu tava ligando pra você por isso... eu, eu, eu não sei direito...
- E?
- E aí eu queria que você me dissesse o que é isso, porque eu não sei. Pronto, falei. Não sei. Sei lá, tá tudo sem sentido, sabe, não sei, não entendo, não consigo ver o sentido dessa história toda, você me entende?
- Mas, Clara, a vida e as histórias são assim. A Odisséia: Ulisses tinha que ir pra Tróia e Penélope tinha que esperar 20 anos. Pronto. Em Otelo, Iago tinha muita inveja, next thing you know, Desdêmona è morta! Sei lá, na novela Vale Tudo, a Maria de Fátima...
- Tá, tá, tá... Mas quando é que eu vou get the big picture, quando é que esse momento vai chegar pra mim, e as coisas todas parecerão se encaixar?
- Minha filha, nessas horas é melhor relaxar e seguir o roteiro...

Thursday, May 27, 2004

Sumatra - 27 de Maio de 2004

As cores, os sabores, os perfumes e os rostos. A Sumatra é linda. E distante. Distante do ontem, do antes... Talvez tenham sido as mais de 20 horas no avião, mas quando cheguei aqui, senti uma elipse temporal inigualável, era como se tudo fosse diferente, tudo novo, completamente novo, nem me lembro mais do passado, nem me lembro de nada. E agora? E agora, e agora, de fato só existe agora mesmo, o já, o instante. E eu não quero perder nem um segundo. Mando mais notícias outra hora.

beijos, Clara.

Wednesday, May 26, 2004

Declarações contundentes

"...O amor é brega mesmo. Brega, kitsch e cego, principalmente cego. Senão, não seria tão divertido (e necessário) ficar se apalpando."

Extraído de "Diálogos improváveis pelo MSN" com a Luana, que não me deixa mentir.

Wednesday, May 19, 2004

Bom mesmo era a Grécia Antiga. Onde se podia contar sempre com algum oráculo. E se você não fosse ao Oráculo, Cassandra vinha até você, e sa com'è, não tinha mas nem meio mas. Agora, a dúvida.

Tuesday, May 18, 2004

No aeroporto...

- Ei, ei, ei! agora finge que não me conhece, é?
- Ai meu Santo Deus....Que que cê tá fazendo aqui, hein, Clara?
- Tô indo pra Sumatra, atrás do Paulo, lembra dele? Das palavras cruzadas e tal. E você, tá indo pra onde?
- Não te interessa, eu não dou satisfação pra personagem! E deixa de ser boba... Sumatra...você só está aqui no aeroporto, porque eu tô no aeroporto, entendeu? Sua vida nada mais é do que um "spin off" da minha, sacou?
- Ah é, é?
- É.
- Mas, escuta, você está voando de primeira classe?
- Claro que não.
- Pois é, eu estou.
- Com que dinheiro?!
- Que dinheiro? Boa pergunta. Não importa. Minha vida é só história mesmo... Champanhe a bordo, cadeiras que reclinam 180 graus, guardanapos de pano... Afinal de contas são 22 horas de vôo... e eu me permiti essa pequena extravagância ficcional...
- Ai, sua cachorra! Depois, vem me pedir "Deus ex Machina", vem, que você vai ver... Não se esqueça que a escritora, que sou eu, está de férias.

Saturday, May 15, 2004

Yin Yang

Viajar é maravilhoso para se expandir o repertório dos sonhos. Já no avião, na volta, me divertia com vários de meus amigos, comigo, numa ruela de Genova, todos agasalhados inclusive, de acordo com o frio que fazia. Até o frio estava no sonho! E era gostoso!

Viajar é horrível, porque torna o cotidiano mais chocante, mais feio, mais desprazeroso. Já no avião alemãs liam paperbacks de best-sellers de Danielle Steele, a aeromoça se recusava a me fornecer um outro tijolinho de manteiga e, no aeroporto, até os cachorros - pobres diabos - eram obrigados a trabalhar, conduzindo homens com problema de faro entre bolsas e malas.

E cães trabalhando - ouso dizer - deve estar nas escrituras de Nostradamus como sinal do fim dos tempos. Será que ainda dá tempo de eu tirar férias de novo, antes do mundo acabar?

Thursday, May 13, 2004

Shame, shame...

Aqui nos Euá é muito engraçado. Tipo assim, toda noite, toda noite mesmo, sem descanso, o Letterman apresenta quadros ridicularizando o presidente. Tem o "George W's joke that's not really a joke", o "George W pretends to pay attention" e o ótimo "George W tries to say..." alguma palavra qualquer que ele pronuncia de um jeito caipirão e o pessoal tira o maior sarro.

Isso só na CBS. Na NBC, toda noite também tem o Leno que passa os primeiros 15 minutos do seu programa fazendo piadinhas que invariavelmente envolvem o presidente. Fora isso, todo dia tem repórter escrevendo artigos malhando o presidente, o secretário de estado, o vice e tutti quanti. Esses não são engraçados, não, são bem dramáticos, até. E em todos os cantos do mundo mais outros tantos metem a boca nas políticas internacionais deste país no qual me encontro e fazem piada também e tudo a que se tem direito depois de se adquirir e mandar enquadrar o diploma de jornalismo.Mais engraçado ainda é que tem um pessoal que fala bem do cara também. Tem até gente que é a favor ou tem opiniões diversas. E é óbvio que tem gente pra meter o pau nesse pessoal também.

Esse mercadão de peixe é chamado carinhosamente de liberdade de expressão. Que é o orgulho nacional, a tal da Primeira Emenda. E tendo dito isso, meu texto acabava com um monte de palavrões dirigidos ao "efelentíffimo"(copyrights do puragoiaba) mandando ele pra lugares onde o sol não bate porque eu já estou exilada mesmo, dane-se. Mas daí pensei bem, achei que não valia a pena perder a compostura aqui, sendo que eu nem sou do sindicato, nem tenho carteirinha, nem leio o Times... Mas, no fundo, só me resta uma dúvida (porque ficou bem claro pro mundo todo que o presidente tupiniquim manguaça mesmo pois vestiu a carapuça da reportagem do NYT):

Lula, vem cá, conta de novo como foi que vossa "effelênfia" perdeu o mindinho, hein?

E em algum lugar do passado alguém tomou uma caipirinha com dedos do Lula, literalmente.

Monday, May 10, 2004

Caminhos Cruzados

Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar
Que o amor pode, de repente, chegar
Quando existe alguém, que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar
Mesmo que depois
Seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu
Que, em vão, tentei raciocinar
Nas coisas do amor
Que ninguém pode explicar
Vem, nós dois vamos tentar
Só um novo amor pode a saudade apagar

Friday, May 07, 2004

Vou me embora para a Liguria, pois là sou amiga do rei...

N. da E.: acentos ao contràrio, devido ao teclado italiano...

A vida é cruel?

Eh nada.

A realidade é dura?

Coisa nenhuma.

A realidade é linda, cheirosa, cheia de flores e cores e plantas. Embebida em molho pesto e vinhos e entrecortada por vielas e estradinhas e muros de pedra de milhares de anos. E gatos e cachorros debruçados nos muros e pàssaros cantando.

A realidade é bem melhor que qualquer sonho que eu jà tive. E eu achava que conhecia a realidade. Mas eu nao conhecia nada. Agora que eu vi a realidade bem de perto, quero ser uma menina boa, muito boa, pra na pròxima encarnaçao voltar em forma de gata aqui na Liguria.

Tuesday, April 27, 2004

- Sofia, e agora?
- Agora o quê?
- Agora que eu comprei passagem, to indo pra Sumatra, essa loucura toda...
- Ué, mas não era tudo o que vc queria?
- Era, mas eu esqueci até porquê eu queria tudo isso em primeiro lugar.
- Pra mostrar que a sua história pode dar certo.
- É, mas e se der errado?
- Se der errado? ué, mas história é história, a gente não pode ter medo de viver... ou de escrever... ou de contar... sei lá, já estou confusa, primeira pessoa, terceira pessoa, narrador, personagem etc.
- Ai, tô até com saudades da narradora. De ter alguém por trás pra botar a culpa. De esperar alguém escrever o meu destino. Esse negócio de virar narrador-personagem é complicado...

Friday, April 23, 2004

Tem que dar certo

- Cheguei em casa, chequei a secretária eletrônica e nada. Email: nada. Celular: nada. Desconfiei logo que o fato dele nunca mais ter me ligado só podia ser culpa da narradora da história. Liguei no escritório dele e disse que era a advogada da ex-mulher.
- E ele tem ex-mulher? perguntou Sofia, prestando atenção.
- Sei lá, mas ninguém discute com advogado muito menos se for de ex-cônjuge de colega de trabalho, entendeu?
- E aí?
- Descobri que ele está na Sumatra.
- Sumatra? disse Sofia, com dúvida legítima.
- Sumatra...? disse Dora, com dúvida geográfica.
- É. Comprei uma passagem e tô indo pra lá.
- Hã, como é que é?
- É isso aí, acabou essa brincadeira de amor que não dá certo, tô pegando o avião semana que vem. Vou mesmo, pagar pra ver. E chega de narrador-onisciente! Basta, entendeu, dona escritora?! Da minha história sei eu.
- ...Sumatra...
- Mas Clarinha, o que ele faz hein?
- Não sei, Sofia, ela (apontando pra fora da história) nunca explicou. E a Sumatra fica ao sul da Tailândia, Dora.

Wednesday, April 21, 2004

Motim

Clara: Liguei, liguei mesmo.
Dora: Você não falou que fui eu que te dei o telefone dela, né?
Clara: Claro que não, não disse nada.
Sofia: Mas como é que você tinha o telefone dela em primeiro lugar, Dora?
Dora: O Agenor, meu marido na história, tinha. Sabe como é que é né, ele é advogado, ela quis saber alguns detalhes sobre direitos autorais, claro que o Agenor deu uma ajuda e tal, e não cobrou nada, mas achei super sem compostura, muquirana, da parte dela, né?
Sofia: Ah, mas você sabe como esses escritores são né...
Clara: Ah é, mas eu falei tudo, tudinho. E o pior é que fiquei sabendo que ela ia dar um sumiço no Paulo. Logo agora que o bonitão me convidou pra ir ao cinema, tudo ia bem...
Sofia: Ela me parece uma daquelas pessoas que usam o pessimismo como mecanismo de defesa, sabe? Tipo, preferem imaginar tudo de ruim, tudo mesmo, porque assim acham que não terão surpresas ruins... sei lá.
Dora: Ah é, tudo tem sempre um porém com ela... preferia estar numa novela do Benedito, da Glória, vocês sabem, sempre acaba em casamento, gravidez, herança... isso daqui não está indo a lugar nenhum.
Sofia: Mas com ela tem sempre esse "quid pro quo". Ela dá com uma mão e toma com a outra...
Clara: E se a gente fizer a história dar certo, hein? Tipo assim, na marra?!

Monday, April 19, 2004

*Ler primeiro o post anterior "Mundos distantes....". E nos arquivos, ler "Mundos paralelos: indivíduos adjascentes".

- Alô.
- É do Poucas e Boas?
- Com quem você gostaria de falar?
- Você que é a escritora? então é com você mesma...
- Quem é?
- Ah, agora vai fingir que não me reconhece? É a Clara.
- Clara... minha personagem? Impossível.
- Impossível nada. Ó, tá me ouvindo? Tô bem aqui, do outro lado da linha.
- Mas eu nunca dou meu celular pra personagens...
- É o seguinte, eu não agüento mais. Primeiro você começou a história toda cheia de estilo, de palavras bacanas, de tramas confusas... quase matou a Dora, botou a Sofia numa deprê profunda e me deixou a ver navios com os meus namoradinhos. Aí apareceu aquele cara das palavras-cruzadas. Muito bacana, o pessoal até elogiou e eu achei que podia ficar tranqüila, que as coisas estavam dando certo e minha história estava chegando ao final feliz. Só que aí, misteriosamente você parou de escrever. E eu nunca beijei o Paulo, nunca!!! Tá me ouvindo?
- Você beijou sim, ficou subentendido.
- Nem vem que não tem, não há beijo subentendido, ou fode ou desocupa a moita. Aliás, por falar nisso...
- Ai, meu São Benedito...
- E tem mais, eu tenho o direito de ser feliz, poxa vida, acho sou uma personagem com potencial pra felicidade, mas esse último texto, pelamordedeus, tá muito ruim... Que história é essa de mar, de sábado de manhã, de se largar no sofá... Pô, tem que dar uma continuidade, eu achava que eu morava em São Paulo. Qual não foi minha surpresa ao me ver nesse tal apartamento com vista pro mar...onde estou, hein?
- Ai, Clara, menina, sabe que eu mesma me pergunto isso diariamente?
- É, mas a história é sobre quem? Eu ou você?

Friday, April 16, 2004

Mundos distantes: um sábado qualquer.

Clara entrou em casa e largou-se no sofá. A cara enfiada numa almofada, não queria luz do dia, não queria ver nada, queria entregar-se ao filme de sua memória, lembrar-se dos detalhes mais simples de tudo, do gosto de um beijo, das cócegas que sentiu quando aquela mão pousou em sua cintura, e por fim de tudo que acontecera em sua vida até ali, porque Clara, naquele momento, acreditava que tudo, todo erro, todo acerto, toda mudança, toda dor achava sua razão e sua explicação ali, naquela doce manhã de sábado, aquela calma manhã, aquele dia azul, e aquele pássaro pescando no mar em frente a sua casa. Quis controlar-se, mas o peito embargado de sentimentos sem nome, de sensações esquisitas, o frio na barriga, indicavam uma situação que ela conhecia muito bem. Era algo como "o que a planta deve sentir quando abotoa a primeira flor" (Machado de Assis). Colocou uma música. Marisa Monte. Não, Marisa Monte, não. Yo Yo Ma, aquele CD dos tangos. Tango faz muito sentido nessas ocasiões. E o dia passou por ela enquanto uma raíz de esperança, apesar de todo tango, tentava se fincar no solo ressecado de seu coração.

Thursday, April 15, 2004

(...)
Sì, straniero, quando sei giunto,
con angoscia ho sentito
il brivido fatale
di questo mal supremo.
(...)
C'era negli occhi tuoi
la luce degli eroi.
C'era negli occhi tuoi
la superba certezza...
E t'ho odiato per quella...
E per quella t'ho amato,
tormentata e divisa
fra due terrori uguali:
vincerti o esser vinta...
E vinta son... Ah! Vinta,
più che dall'alta prova,
da questa febbre che mi vien da te...

G. Puccini, Turandot

*Leia a tradução nos comments.

Monday, April 12, 2004

E no meio de tanta gente...

De repente um barco no meio da história, no meio do mar. Num domingo gostoso, ensolarado, sem rumo certo, sem pressa. Esse domingo transformou-se numa sexta-feira, noite estrelada, refletida em piscinas iluminadas, em líquidos coloridos em copos de falso cristal. Agora pressa, agora rumo definido, um beijo, ressonando por todos os lados, espalhando-se na areia, atirando-se ao mar. Um beijo azul enluarado que, como as ondas do mar fingem que terminam mas continuam, e continuam infinitamente, pela noite adentro, pela vida afora. Mas agora era manhã e uma gaivota caçava, inaugurando o sábado. O mar fingia não ter ondas, pra que as risadas e as conversas, que fingiam não ter pressa, pudessem se sobressair. E de repente, de frente aos azuis que se encontravam delimitando uma linha imaginária onde não termina o mar nem começa o céu, eu percebo que isso tudo é só o meio da história.

Tuesday, April 06, 2004

Just the average love story.

Pense comigo: você é um cara normal, nem bonito, nem feio, nem magro, nem gordo, nem alto, nem baixo, nem engraçado, nem muito inteligente... Mas você é muito rico. E fora isso tudo, você resolveu participar de um reality show chamado Average Joe (uma boazuda escolhe um namorado dentre um grupo de caras normais) assumindo suas próprias limitações no campo romântico perante milhões e milhões de telespectadores americanos ávidos por "realidade".

Daí, você está na liderança e, só pra sacanear - porque ninguém vai ganhando reality show assim numa boa, sem comer lesmas vivas, sem pular de veículos em movimento, sem passar por maus bocados - a produção introduz na brincadeira um grupo de, como dizer, modelo-manequim-ator Joes, pra concorrerem com os average-men. E você é o finalista do grupo dos normais, disputando o coração da solteirona com um projeto de Brad Pitt. Ok, quem vocês acham que a moçoila escolheu, hein?
É claro que foi o bonitão. Ué, o que vocês esperavam de uma cocota que se sujeita a isso em televisão nacional?

Mas o país inteiro (formado por average joes assumidos) tomou as dores do rapaz rejeitado e quiseram lhe fazer justiça. Average Joe 2 - Adam returns!!! E o tal Adam passou os últimos meses com umas vinte gatinhas, se divertindo de montão. Sob o pretexto de escolher uma namorada, beijou todas, tirou casquinha em tv nacional, fez tudo o que tinha direito. Afinal, leitor, se fosse você, você também não faria a festa?

No final, sobraram duas: Rachel e Sam. Uma bonitinha, meiguinha, ajeitadinha, inteligentinha, apaixonadinha. A outra charmosona, super fashion, super produzida, super maquiada, super dissimulada, super sabichona.

Vocês podem ouvir o rufar de tambores? Não? Nem eu. Não teve suspense nenhum. É claro que ele escolheu a segunda, a peruona da Sam. Se você é um average Joe que já assumiu publicamente que tem problemas para arranjar namoradas, você, em sã consciência, vai escolher a average jane pra namorar, quando te dão a chance de pegar aquela que é, sempre foi, muita areia pro seu caminhãozinho? Não, né. E eles partiram num jatinho juntos, tudo bem produzidão, bem "fachada", bem á là reality show.

Moral da história? Tá tudo ao contrário. Tudo.

Thursday, April 01, 2004

Thanks, Mr. Porter.

As Dorothy Parker once said
To her boyfriend, "fare thee well"
As Columbus announced
When he knew he was bounced,
"It was swell, Isabel, swell"

As Abelard said to Eloise,
"Don't forget to drop a line to me, please"
As Juliet cried, in her Romeo's ear,
"Romeo, why not face the fact, my dear"

It was just one of those things
Just one of those crazy flings
One of those bells that now and then rings
Just one of those things

It was just one of those nights
Just one of those fabulous flights
A trip to the moon on gossamer wings
Just one of those things

If we'd thought a bit, of the end of it
When we started painting the town
We'd have been aware that our love affair
Was too hot, not to cool down

So good-bye, dear, and amen
Here's hoping we meet now and then
It was great fun
But it was just one of those things

Tava faltando uma letrinha de música, porque blog que é blog, tem que ter. Sempre me pego pensando como sou muito comum mesmo... o que eu sinto, todo mundo já sentiu antes. E, mais que isso, já escreveram sobre isso, já foi musical da Broadway, já tá manjadíssimo e eu aqui, querendo inventar moda. Ah, just one of those things...

Wednesday, March 24, 2004

Ah, insensatez...

... que você fez... coração mais sem cuidado...

O que você fez? o que foi fazer dessa vez? Levanta. Do chão não passa.

Aprender a andar de bicicleta foi tão difícil. Mais difícil do que qualquer outra coisa que eu tenha aprendido depois. Na verdade, parecia fácil. Parecia muito mais simples. Até papai tirar a rodinha de aprendiz de um lado e introduzir o primeiro grande desafio a minha vida. E o primeiro sofrimento por antecipação também: se uma rodinha saiu é porque a outra vai ser removida também. (Acho que devo ter pedido a Deus, por favor, manter esse dia bem longe de mim. Sei lá, tomara que papai esqueça e deixe a rodinha aí até eu estar velha, bem velha, com uns 16 anos.)
Adeus à segunda rodinha, alô para a realidade, sem corda de segurança, sem rede protetora, sem nada pra te segurar.

É inevitável: você vai cair.

E cair não é nem de longe o maior de seus problemas.

Tuesday, March 16, 2004

De noite na cama

At night in my bed... tossing and turning. I tried to go to sleep early enough so that I would be transported immediately into my dreams and maybe postpone my usual revolvings around the same subject, compositions about the same theme, the same questions, the same doubts. And finally, at 5am, as the day arrived, after my brain was blank of thoughts and the eyes popping open with the light of the early morning, the only question dawning in me was why the hell did I have the pasta with the hot tomato sauce?!
And I kept looking for answers I did not have and the sun kept on rising regardless of the last remains of the night he was stealing from me.

Escuta, dona escritora, dá pra parar de fazer nossos 'olhos leitores' de penico, hein? Ninguém quer ficar lendo essas ladainhas, manda texto de verdade aí por favor.

Oh please, you have to allow me my moments of mental masturbation here, after all, I am just an aspiring writer, trying new things, and well, after all that Sun Tzu left in the world, cut me some slack, let me fail better a little bit.

Bibliografia:
De noite na cama - Caetano ou Marisa Monte
Hot tomato sauce - Cabana Lounge Café
Sun Tzu - The Art of War
Fail Better - Samuel Beckett: "Ever tried, ever failed, no matter. Try again, Fail again, Fail better."

Friday, March 05, 2004

Nome-não

De todas as coisas às quais se pode dar nomes, as mais importantes são aquelas que palavras não descrevem nem alcançam. Aquilo tudo que está no vácuo dos nomes, onde o som não se dissipa, onde abrimos a boca inutilmente e ficamos sem fala no meio do liquidificador das nossas emoções, um barulho ensurdecedor dos sentimentos transbordando e a gente sem saber como explicar.

Tem amor, tem dor, tem saudades (que, aliás, só tem na nossa língua), tem inveja, raiva e ciúmes. Mas tem um buraco no alto do estômago, uma dorzinha meio gostosa, meio esquisita, como se fossem cócegas, e isso não tem nome. Tem também aquele vaziozão no meio do peito que, quando a gente respira, até chega a doer. E aquela sensação de refluxo na garganta, tipo um soluço ao contrário. Sei lá como chamar essas coisas, elas desabrocham sem nome tão dentro da gente. Mas, na maioria das vezes, a gente nem quer saber como aquilo se chama, porque ou estamos muito felizes e não importa, ou estamos tristes e só queremos esquecer.

E, baseando-me nisso tudo é que eu digo que não sei o que estou sentindo.

C.Q.D.

Monday, March 01, 2004

Apenas uma pausa de mil compassos

Verdade. Pura. Insípida, inodora e incolor. E só. Como disse Machado de Assis, nenhum vinho pode embriagar tanto como a verdade. Mas a que preço? Toda verdade é super faturada, abrimos um crediário, parcelas a perder de vista. Porque para tê-la, há que se pagar pra ver. E eu quero ver, não conheço alternativa pro crediário doloroso da verdade. Mentira, nem de graça. E eu tô vendo a Briga dobrando a esquina na nossa direção, tô vendo a Dor de soslaio esperando sua 'deixa', e a Solidão já está comemorando o gol. De novo, na minha trave, bola fora do destino. Mas eu tô pagando, quero ver jogo. E afinal, a bola respinga e continua rolando. E a gente correndo atrás.

Friday, February 13, 2004

Consolo na Praia

Um desses dias em que somente clichês podem me confortar. A vida é dura, a vida é curta, a vida tem dessas ironias. Deus é pai, Deus é brasileiro e escreve certo por linhas tortas. O Amor é cego, o amor é sofrimento, o amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa. E o Amor é isso mesmo que você está vendo. Hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo, e segunda-feira ninguém sabe o que será. Mas o tempo cura tudo, tudo passa, tudo tem solução. Dê tempo ao tempo - apesar de a vida ser curta, pode parecer ilógico, mas o coração tem razões que a própria razão desconhece. E só assim, pra levar o dia hoje. E, enfim, um dia depois do outro, a gente vai levando pois o que não tem remédio, remediado está e como vovó dizia, Deus dá o cobertor conforme o frio. E entre cobertor, frio, Deus, remédio, vovó e o tempo, eu fico com beijo na boca. E, pra beijo na boca, ainda bem, não consegui encontrar nenhum clichê.

Trechos incidentais de Carlos Drummond de Andrade

Thursday, January 22, 2004

These foolish things...

The few minutes of relaxation before the vigorous stretching of a Yoga class. The spontaneous dripping of my paintbrush staining the paper. The salty smell of the ocean blowing through my window. A good strectch with big wide movements in the middle of the day followed by a reckless yawn. Going home after a long and hard day knowing to find peace and music and the warm shower all to yourself. And singing in the shower at the top of my lungs. The day is over, finally, another day. I lay my head down and let the thought of you linger on into a dream. Because all those little pleasures remind me of you.

Saturday, January 03, 2004

Ai Se Sêsse

Zé da Luz

Se um dia nóis se gostasse
Se um dia nóis se queresse
Se nóis dois se empareiasse
Se juntim nóis dois vivesse
Se juntim nóis dois morasse
Se juntim nóis dois drumisse
Se juntim nóis dois morresse
Se pro céu nóis assubisse
Mas porém se acontecesse, de São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu com eu insintisse
Prá que eu me arresouvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Távez que nóis dois ficasse
Távez que nóis dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virgem toda fugisse

Começando o ano com Cordel.

Wednesday, December 31, 2003

Hic et Nunc

Quero terminar esse ano sintonizada no barulho das ondas mar, no cheiro de terra molhada de chuva, numa manhã de inverno, no piloto anunciando pelo rádio que chegamos ao nosso destino (seja lá qual o destino que escolhemos - mas, sim, chegamos! - corre lá pra fora e vai buscar o que te espera).
Quero terminar o ano logo, chega, basta, quero o novo, e que o passado passe rápido saia do caminho pra que o novo venha e tomara que a gente erre uns cheques por aí pra rir e lembrar do que passou. Quero o novo agora, porque o agora é que é importante. Hoje é nosso. Amanhã pertence só a ele mesmo, aposto que Deus decide tudo na última hora, como todo bom brasileiro.
E chega de prometer bobagens de fim de ano, de jurar fazer dieta, entrar na academia e coisas do gênero. Faço um pacto com o prazer. Prazer simples com todos os verbos de ligação: serespaperconfi do agora. E, pelo caleidoscópio do desconhecido, contemplo o caos com sede e fome de instante, de hic et nunc. Quero que ele me envolva como o mar. Contagem regressiva pro agora e sempre:
10, Barulho das ondas do mar;
9, cheiro de chuva numa manhã de inverno;
8, "aqui é o comandante, sejam bem-vindos ao seu destino!"
7, quadrados de sol tatuados no chão da sala de manhã;
6, serespaperconfi;
5, hic et nunc;
4, pé direito, calcinha nova;
3, prazer;
2, caleidoscópio,
1, Deus.

Wednesday, December 17, 2003

Penelopéia

Penélope espera, há milhares de anos, lá às margens da Odisséia que Homero impôs a Ulisses. Passa os dias tricotando e as noites desfazendo o xale, tudo isto para evitar ter que se casar de novo (ela deve ter medo de que algum oráculo tire dela outro marido, um só já está mais do que bom). E assim, fazendo e desfazendo seus dias, ela engana o tempo, perde a noção das horas, da espera. Tanto que, "de repente", 20 anos depois, Ulisses resolve voltar - posso até ver Penélope de braços cruzados batendo o pezinho na areia da orla de Ítaca, torcendo o nariz e, desconfiada, pede pra ele provar que é ele mesmo. Sabia que era seu marido e que aquele era o momento pelo qual havia tricotado e destricotado 20 anos mas, peraí, acha que é fácil, que é só ir dizendo que é Ulisses e ir levando uma esposa fiel e uma ilha grega assim de bandeja?

Tá aqui teu arco, vamos, atire uma flecha. Prove que é você.

Ele sequer discute. Só ele conseguia dobrar seu arco. Só ela conseguia dobrar Ulisses. Pega o arco, atira uma flecha (aliás várias e mata todos os pretendentes com a ajuda do filho Telêmaco e da Deusa Atena).

Sou eu.

Não importava o cansaço, os anos que passaram, ele tinha que dar prova de estar a altura do passado e da espera e de Penélope.

Tanta coisa aconteceu na sua ausência.

Imagino agora Ulisses revolvendo os olhos enquanto images de cíclopes, deusas ciumentas, deuses furiosos, naufrágios e a guerra de Tróia inteira passam por sua cabeça. Irônico, mas, quem volta tem que se preparar pra aventura do reencontro. Há perigos demais na ausência também. E aventura do lado de fora, do desconhecido, pode ser equivalente a aventura de dentro, de quem espera. Porque o equilíbrio da história toda está em Penélope, que teve o destino selado pelo dever de Ulisses de ir à Guerra. Ele tinha que ir, portanto ela tinha que esperar.

Por fim, arrepende-se aquele que não empreende, não tenta, seja uma Odisséia, ou seja tricô. E haja novelo...

Thursday, December 04, 2003

"... in the winter, when it drizzles..."

- Or "Things I learned in France" -

It was cold and rainy and if we had scientific information on the pluviometric conditions, I bet Paris would have been the rainiest city in all Europe during those 5 days. But I did not notice the rain and the cold until Sunday, the last day, the day we always fear and want to avoid. But there's no avoiding, you wake up and the first thing to cross your mind is "it's the last day". It's the day you take pictures like crazy, in desperation of keeping memories clearer and not forgetting any detail. The Métro station, the street of the hotel, the street signs - even the street signs are so much more charming....

Breathtaking. Gray days don't interfere with the colors and nuances of the City of Light. In fact, they bring out the true pale yellowish tone on the old buildings, the light green on the copper statues becomes shinier and the excessive white, cloudy white, offers more contrast against all the other colors.

There's something about the wind blowing hats and shaking the fringy end of the colorful scarves, people in long coats, gloves, hats... and after all the cold provides a constant excuse to drink wine - to warm up, to warm up!

It's so easy getting lost in that city, going around the block the wrong way, jumping out of the train on the wrong station, because nothing looks wrong, no métro station seems to be too far away, and right around the corner, au coin de la rue, there's a view to l'Opera, La Tour Eiffel, a crepérie, a café or an enticing soap shop.

At night, from a high floor in a high tower, the most beautiful view of the city - enhanced by early Christmas lights, on top of all the lights and cars and streets, looking like shiny blood vessels. There was I, sitting right in between the Eiffel Tower and Les Invalides, above Paris. It all happened so fast... I took another sip of my 'chocolate chaud', grateful for being there, for being able to enjoy every second, every color, every taste, every smell.

But in a blink, it was already Sunday and it looked much colder and rainier. Not even sweater # 4 together with coat # 2 and scarf # 1 could keep me warm. Beauty has the strange effect of bringing out sadness too. And that's when I found out the worst thing about Paris: saying good-bye. But french people know better and that's why in France they say...

'Au revoir' -- I thought. Yeah, 'til we see each other again.

N. da E.: queridos leitores, esse post vai em inglês devido a visitas internacionais que estamos aguardando. (No melhor estilo "build a field and they will come"!)

Wednesday, December 03, 2003

Infinito Despertar

No meu reino o Sol estaria sempre nascendo naquela janela enorme, sobre o mar, à direita da nossa cama. Quem sabe, fossem precisos mais sóis, não somente um, para manter a constante nascente vermelha, rosada, alaranjada e depois dourada e quente. Então, os meus sóis passeariam no céu, livres, pondo-se lá trás, do lado onde não há janelas, e nós não nos importaríamos, porque de frente pra nós era um dia infinito, brilhante, de águas calmas, cheiro de domingo, e a penugem loira do teu cangote emoldurando minha vista, reluzindo os meus sóis, fazendo cócegas no meu nariz. No meu reino só existiria um dia, apenas aquele amanhecer constante, doze sóis, a nossa cama, a nossa janela, o teu cangote, a água calma, o horizonte. E se o cansaço batesse e quiséssemos dormir, asas aveludadas de pássaros gigantes tomariam o céu e esconderiam os sóis com rasantes sobre o mar. E, à meia luz, sonharíamos juntos com cidades novas, outras línguas, horizontes mais distantes do que aquele à nossa janela. E no reino dos sóis nascentes, nós acordaríamos eternamente, nossas sombras projetadas, superpostas, escorrendo pelo chão, esticando-se pelas paredes, teu corpo e meu corpo tatuados naquele quarto, o único quarto do único dia. Lá no meu reino do despertar infinito.

Monday, November 17, 2003

-- Vira esse coração pra lá que eu não quero pegar essa doença, não! E nem vem que não tem. Próxima vez que você bater na minha porta eu digo não. Comigo não, violão!

Mas quem disse que a gente tem escolha? E o temido bacilo da vida, do amor, da entrega incondicional viaja no ar e pode ser transmitido por aperto de mão, abraço, copos compartilhados, saliva compartilhada, alface mal lavada, água não fervida, carne mal cozida e até em banheiros públicos. Too late. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Tuesday, November 11, 2003

Almanaque -

"...Tem horas que escrever é praticamente um movimento peristáltico."

Do recém reencontrado amigo Barizon.

Saturday, November 08, 2003

Ponta da língua

Quero escrever. Quero tanto. Mas não sai. Mora dentro da gente, na ponta da nossa língua, um livro inteiro. E mais uns 30 sonetos numerados com romanos, e mais um monte de coisas que quisemos dizer, que perdemos a chance e que agora fogem da gente, sorrateiras, no silêncio da noite. Custava aparecer aqui e me dar a graça de um texto qualquer?

Thursday, November 06, 2003

Quizas, quizas, quizas...

Me perco em "Ses" e "Serás" infinitos e faço um pensamento em caracol que acaba por me acordar ao invés de me adormecer. E fico horas de frente pra parede escutando os minutos passarem no despertador ao meu lado e os barulhos do mundo esmoecerem lá fora. Por quê esta doença nostálgica de querer aquilo que a gente nunca teve, ainda no passado? É como querer corrigir, voltar lá, anos, dias, meses atrás e ver o que seria, tivesse sido diferente aqui e ali. Mas 'o que seria' já é uma frase errada. Nada que seria, efetivamente foi em tempo algum. É uma conjugação sem potencial, algo que já não aconteceu e o passado já se esgotou. Sofrer pelo passado que passou já me ocupa porcentagens astronômicas... Sofrer aquilo que nem aconteceu, me tira o sono. E sigo tecendo, durante o dia, argumentos, justificativas, razões e certezas. Com o cair da noite, desfaço tudo, sozinha, enrolando meu novelo de "Ses" e "Serás".

Sunday, October 26, 2003

"O maior risco da vida e mais perigoso é amar, que morrer é acabar e amor não tem saída, e pois penado, ainda que seja amado, vive qualquer amador; que fará o desamado, e sendo desesperado de favor?
(...)
Quanto for mais avisado quem de amor vive penando, terá menos siso amando, porque é mais namorado. Em conclusão: que amor não quer razão, nem contrato, nem cautela, nem preito, nem condição, mas penar de coração sem querela."

Gil Vicente in O velho da horta, (1508-1515).

Saturday, October 25, 2003

Considerando...

Ossos do ofício -

Disse Cora Coralina, anos e mais anos atrás, eu era menina, nem entendi direito, que escrever era um sofrimento, uma tortura, e que ela própria não gostava de escrever. Mas, era mais forte que ela. Era um "es muss sein" de sua vida. E sendo assim, não há escapatória. Portanto, ela obedecia o algoz da escrita, e derramava suas linhas. "Ela é uma poetiza", dizia minha mãe, "transforma o triste em bonito, não em alegre, mas faz surgir beleza onde só havia dor".

"Amor volat undique"

A única coisa que ainda me surpreende é essa capacidade masoquista que a gente tem de amar qualquer coisa. Qualquer poça d'água de chuva que molhe nosso sapato novo é objeto de amor, porque de alguma forma tocou nossa vida. Não tenho nada no peito, sequer um soprinho tímido de ar ecoando no oco do meu tórax, e ainda assim, brota ali, na secura, um amor frutífero, frondoso e verde, um oásis na aridez solitária da alma. Verde de insistência, eu diria, não de esperança. Amor não dá esperança nenhuma. O Amor atira a gente do precipício da existência e nos dá a consciência triste do chão duro, de dar com a cara no muro, na porta, de dar murro em ponta de faca. E quebrados em mil pedacinhos, nossa vida, um caos, no fundo do poço, o que nos dói é somente o coração na presença da grandiosidade e da perfeição incompreensíveis de qualquer amor.

Pra não dizer que não falei das pérolas...

Sempre penso na concha teimosa que, cuspida pela maré, agarra-se ao restinho da correnteza e volta lá pra dentro do oceano. Porque é só isso que ela conhece e ama incondicionalmente. Apesar de nunca poder conhecer por inteiro o mar, ela se joga novamente pra dentro da imensidão e continua buscando o seu destino. E o mar, comovido, toda entrega incondicional é fatal, envolve a concha, também amoroso e, em resposta, continua empurrando-a pra areia, tentando mostrar-lhe o outro lado, desafiando-a a permanecer consigo nas incertezas da maré, nas correntes inconstantes, no meio do desconhecido. A concha sabe que viver é assim, é assumir todo risco, não adianta ter mapa, nem guarda-chuva, nem remédio pra dor de cabeça. É uma sucessão de ondas místicas e calmarias efêmeras. Mas, só assim, ganha-se o direito às pérolas.

Certo ou duvidoso?

Essas certezas que a gente acha que tem na vida, tudo mentira. Tudo miragem na aridez do destino. Certeza nenhuma. Vá lá, certeza da morte. Um dia isso tudo acaba. Pois é, era tudo incerto mesmo. Ninguém sabia onde ia dar, mas eventualmente deu nisso, nessas ondas místicas, nessas mãos invisíveis, nessas bússolas, nessas velas alçadas, nessas linhas cruzadas. De repente deu nessas milhas marinhas, nesses fusos horários, nesses meses de solidão. Porque apesar de incerto, é tudo contável, palpável, tangível. A certeza é pura fantasia, já a incerteza vem com réguas, com mapas, com manual e assistência técnica. Quem prefere a miragem, morre sedento. Só encontra água aquele que aprende a navegar o deserto.

Friday, October 10, 2003

Mundos Secretos - parte 2

Ajeitou o cabelo e 5 segundos do mais absoluto silêncio passaram lentamente. Paulo, com o olhar perdido, saiu do transe quando um "quer um pão de queijo" veio lá do fundo, como o som de um despertador de manhãzinha pescando nossa consciência lá do meio do sonho. Ele não conseguiu disfarçar. Ela ajeitou a pashmina novamente, se fazendo de desentendida, jogando uma ponta sobre o ombro esquerdo.

A pashmina era uma estratégia semiótica, (eufemismo para golpe sujo feminino). Era um querer esconder e querer mostrar ao mesmo tempo. A mensagem subliminar era de que embaixo daquele tecido retorcido havia algo tão precioso, tão exclusivo, que precisava ser recoberto com perfeita maciez e calor. Clara fingia que estava escondendo, quando na verdade, estava quase mostrando.

Aquela aura pluri-sensorial confundia Clara, ela queria entender aonde estava a coisa que fazia surgir nela um monte de corações pulsantes, em partes esquisitas do corpo, no estômago, na garganta... E perdia-se na fumaça que riscava o ar e se desfazia lenta em pequenas nuvens, nos cafés que perfumavam a mesa, num dente um pouco torto na arcada inferior do lado esquerdo de Paulo, nas mãos brancas de traços básicos, de palmas magras e dedos longos, que acenavam com o cigarro, ou nos "d"s e "t"s que ele pronunciava de uma maneira suave, à moda antiga. Curiosa, Clara pegou-se observando fixamente a boca dele.

Ele apoiou o cigarro no cinzeiro e debruçou-se sobre a mesa. Os corações espalhados em Clara marcavam passos fora de sintonia. A saliva sumia da boca. Até que, os olhos, que encontraram-se brevemente entre a fumaça perpendicular do cigarro e o vapor do café, desviaram-se num segundo:

-- Acho que está na hora, disse Paulo.

Os corações estancaram de uma vez. "Hora de quê?", pensou Clara. Sentiu-se ruborizar quando o viu tirar do bolso os malditos ingressos do cinema.

Thursday, October 09, 2003

Mundos Secretos - parte 1

(cont. de Indivíduos Adjacentes, Paulo e Clara - vários posts abaixo)

Chegou, sentou e dominou todo o campo de visão do rapaz. Estava enrolada em uma echarpe, ou xale (lá sabia ele o nome certo daquele pedaço de pano com franjinhas), de uma textura interessante que provocava insights sinestésicos em Paulo. Era a soma do tecido macio e quente, da pele branca da nuca que escapava à cobertura da gola e dos cabelos, naquele comprimento "estou deixando crescer", que Clara portava.

Os brincos emitiam sinais de luz que deveriam coincidir com código Morse que seu cérebro parecia compreender intuitivamente. De repente, ela correu a mão pelos cabelos, pondo o rosto de lado e, sem querer, a echarpe caiu dos ombros.

Paulo tentou, sem sucesso, resistir ao impulso de espiar dentro do decote voluptuoso da blusa de Clara. Mas, no final, os olhos se prenderam em outro detalhe, que não o colo almofadado dela: a marquinha do biquíni. Uma alça suavemente tatuada na pele alva, e mais alva ainda, era a fronteira entre o que todos podem ver e o mundo secreto, privado e exclusivo, a que só poucos, muito poucos, têm acesso, que se esconde por debaixo de simples tirinhas de pano. E que, na fantasia de Paulo, só ele poderia ver. E queria ver agora mais do que nunca. (Mas teria que terminar o café, dois pra ela, um pra ele, e enfrentar um filme do tipo circuito cultural de algum país obscuro, cujo título observa a fórmula artigo+substantivo e sempre recebe 5 estrelas de todos os jurados com críticas monossilábicas.)

Tuesday, September 30, 2003

O problema da "volta e volta" é que toda volta pressupõe uma ida. Logo "volta e volta" tem "ida e ida". E eu continuo indo, mas com vontade de voltar. Faz sentido? Não. Ainda bem. É bom sinal. Sentido não ajuda em nada, aliás atrapalha. Melhor amortecê-lo e retomar o caminho aberto na navalha dos sem-sentidos da vida. Não é sentido, é direção que se quer. É uma bússola-oráculo acoplada a um pára-quedas e um relógio despertador (todos auto-ajustáveis) pra gente navegar com toda precisão poética. Afinal de contas, o que mais é preciso na vida? Nada. No entanto, se me fosse permitida uma extravagância, uma única, queria um gato.