Wednesday, February 28, 2007

Salute e figli maschi.

Me encontrei no supermercado com uma criança pequena no colo e uma outra um pouco mais velha dentro carrinho. Procurando produtos saudáveis, lendo etiquetas, a cena perfeita de um comercial de margarina. Ou leite, ou cotonetes. E foi aí que eu perguntei pra ela, ou seja, eu mesma, se estava feliz.

Nada faz sentido nesse inferno que é ter filhos, essa pança flácida, coberta de estrias. As tetas caídas. O carrinho do supermercado transbordando de merda saudável, verdurinhas, papinhas, fralda e tudo aquilo que mete raiva na gente. Na gente que é solteira e sem filhos, quero dizer.

É isso que você quer mesmo? Esse não estar nunca mais sozinho no mundo, ter alguém sempre carregando seu sobrenome e seu DNA pra te fazer passar vergonha em lugares públicos quando resolve ter um temper tantrum. Essa existência sobre a qual você não tem nenhum controle, ainda que todos as cagadas que esse ser humano fizer antes de 18 ou 21 can be and will be traced back to you. Esse outro ser humano que você, num momento de gloriosa fantasia, acreditando numa vocação divina dos homens, pensando na Bíblia e toda e qualquer papagaiada, resolveu botar no mundo. Esse filho para o qual você perdeu horas e horas escolhendo o nome, fazendo provas pra ver se rimava com palavrões, pra tentar prever como os filhos dos outros testa di cazzo gozariam da cara dele.

Ela (eu) me pergunta se é isso que eu quero mesmo. Não tem volta, sabia? As feministas se enganam, não tem pílula, nem aborto, nem pro-choice. Mulher quer mesmo é ter filho. Mesmo quando não pensa nisso, se prepara pra isso. É o norte magnético da mulher moderna, clássica, engajada, solteira, casada, feia, bonita. Não importa. Até aparecer naquele comercial de margarina e entender do que se trata, não sossega.

E eu fiquei sem resposta.

Monday, May 29, 2006

It's only a paper moon.

My thoughts linger nostalgically to my old days of silicone boobs, 14-dollar drinks in preppy-trendy places, the "by the pool" business and I'm telling you, all year round by the pool is unbeatable business, I once did my birthday party by the pool, it didn't work out quite right but anyways, you gotta be with the "in-crowd". The fantastic "2-for-1 night" all week long, if you know where to go, you know what I'm saying. The board walks, the dog walks, the power yoga, the eat-as-much-as-you-can king crab all seafood fresh from the pier buffets. The light mayo, light butter, egg beaters, the "90% natural cheese" cheese, all protein, no transfatty acids and no white flour, no sugar added, organic guaranteed, delicious one-meal shakes. The harassment-free, no questions asked, satisfaction or your money back, this call might be recorded for your own safety and please come back again we appreciate your business. The thousands of passwords and safety questions, mother's maiden name, dog's breed and credit cards with your photo. I miss it. And the whipped butter. And my light yogurt with real fruit. And the parking lot and the meters outside the movie theatre, the boardwalk and any road and the parking meter card "25 $ of tranquillity parking". Paper or plastic supermakets, over the counter 2-story drugstores with anything you could ever need in the case of diarrhea, unsafe sex and bad breath. The one million diet sodas and the large variety of peanut butter, mascara and aspirins. Ooh, don't let me forget about the always useful wax filled electric hair rollers. Really rocking. Do you get it? I miss my shower radio.

Wednesday, May 17, 2006

Trópicos.

O trópico de capricórnio existe? Ele é imaginário mas existe, tá lá em alguma posição exatinha, basta olhar no atlas. E é assim também com os 30. É uma linha imaginária, mas que existe, ó, exatinha, 30 anos depois que você nasceu. Que na prática são 3 décadas em que tudo somado, tudo calculado, tudo subtraído, faltou um monte de coisas. É isso, na prática, é isso. Tem sempre aquele negócio de pensar em como a gente pensava aos 15 que a gente seria aos 30. Eu pensava tudo diferente. Eu pensava que ia demorar mais, pensava também que me sentiria mais velha, e isso, é verdade verdadeira, me sinto muito menos velha - tudo mérito da Neutrogena com o fantástico sistema de microdermabrasion, quer rejuvenecer?, pergunte-me como. Comunque, pensava tudo diverso, 30 anos é a idade eterna dos meus pais, eles tiveram sempre 30 anos até que um dia fizeram 50. Mas eu não tenho filhos e agora tenho 30. Conflito. Trinta anos é tempo pra caramba. Imagina levar a roupa pra lavanderia e te pedirem pra voltar "daqui umas 3 décadas mais ou menos, mas nós ligamos pra avisar se ficar pronto antes. Olha que se a senhora quiser dá pra fazer em menos tempo, mas tem a taxa de urgência."

Sei lá. 30 já parece tanto.

E o resto, como será? Daqui por diante, como é? Quando é que vou me sentir velha, quando é que serei considerada velha mesmo, quando é que se começa a falsificar documentos, mentir em entrevistas, não dizer a idade simplesmente...?

Os sinos anunciam a meia noite do meu aniversário. E eu começo um dia que poderia ser como todos os outros sentindo-me estranha porque 30 anos atrás eu nasci. Que bobagem. Porém, ainda que imaginário, é um trópico e eu posso jurar que ele está bem aqui.

Saturday, May 13, 2006

Reality check: La dolce vita.

Europeu quando quer ser schifoso mesmo goes all the way to the rocky bottom. Desodorante que dura 7 dias, já viram isso? A idéia que exista toda uma industria para as pessoas que ficam dias sem tomar banho me preocupa: o carinha que inventou a formula depois de anos de pesquisa e testes em milhares de axilas voluntárias, a empresa que resolveu produzir, os supermercados que vendem o produto... e toda a gente que compra e usa o maldito desodorante de 7 dias. Bom, eu, que pego ônibus todo dia, sei que não funciona 100%.

Todos votam pela sinistra, nonostante queiram se ver livres de todos os imigrantes e dos turistas tambem. Essa gente dá muito trabalho. Os mais odiados sao os asiáticos. Sa com'é, eles abrem a lojinha, nao fazem pausa pranzo, Dio mio, e ainda por cima querem abrir no domingo. É o fim do mundo. Os italianos odeiam sopratutto gente que quer trabalhar... Basta ir no banco. Fila de mil pessoas, as mocinhas no caixa lixando a unha, falando no telefone, contando dinheiro na frente de todo mundo... daí aparece o chefe. Pensa que todo mundo finge que está trabalhando? Que nada, lá do fundo alguém grita o resultado da ultima partida de futebol da empresa, as mocinhas todas dão uma piscadinha pra ele e ele, nas suas mocinhas preferidas, dá aquela palmadinha carinhosa na popa. Cenário maravilhoso. E você ali há 20 minutos, esperando pra trocar um cheque. Mas pra quê ter pressa. Parece até aquela gente de Milão. Ah, tem também aquela "gente de Milão", que gosta de trabalhar, que tem pressa porque tem coisa melhor pra fazer do que ficar esperando em fila, insomma, gente que é uma vergonha pro próprio país.

País civilizado, de primeiro mundo, é isso aí.

Comunque, não quero voltar pro Brasil.

Friday, March 17, 2006

Contrário.

Estou feliz.
Não estou feliz.
Estou bem.
Não estou bem.
Estou mal.
Estou melhor.
Queria ser magra.
Queria ser mais alta.
Queria ser mais rica.
Queria ser famosa.
Queria ser ruiva de verdade.

Mas nunca quis ser mais inteligente. O que me leva crer que essa é a chave do negócio todo. A beleza é que é realmente importante. A inteligência você pode adquirir ao longo da vida, vivem dizendo isso pra gente, que a idade traz sabedoria, nada mais fácil, mas a beleza não. Either you have it or you don't. E chega de papo-furado.

Ou será que é o contrário?

(Que medo, meu deus, de ter pensado tudo errado, e que se eu fosse inteligente mesmo não ia ter escrito nem pensado essa merda, não ia nem ter blog pra escrever essas besteiras! E se fosse inteligente não ia desejar, por exemplo, ser ruiva de verdade, que é uma coisa muito ridícula, eu assumo. E agora, meu deus, pra ficar inteligente o que é que a gente faz? Dispenso mensagens sobre Scientology.)

Monday, August 01, 2005

Bob pai, bob filho

Certa vez levaram um cachorro ao veterinário com o carro oficial. Isso junto com um monte de coisas resultou num dia em que, na minha escola, os professores disseram que quem quisesse virar massa de manobra podia faltar na aula sem levar falta. E eu, alienada e orgulhosa que sempre fui, fiz o manifesto dos cara-amassadas no meu travisseiro - hoje sei que sou agorafóbica e aquela muvuca na Avenida Paulista, fosse pelo que fosse, non sarebbe andata bene per me.

Enfim, moral da história: nenhuma. Mas eu queria ter o prazer de comparar o filho do Lula com a cadelinha do Magri.

Friday, June 17, 2005

Prosciuto sugli occhi

Finalmente, Tom Cruise está apaixonado por uma de nós. Sim, uma de nós, que naquela época do Top Gun, era adolescente e gravou o filme quando a Globo passou na Tela Quente e o assistiu centenas de vezes a tarde durante as férias de Julho. Minha parte preferida era quando estavam todos os pilotos no banho e Iceman provocava Maverick (Val Kilmer e Tom Cruise respectivamente). Confesso logo: eu também quis casar com Tom Cruise. E me sinto representada pela Katie Holmes (pretenciosa?nah...). Veja bem, a Nicole Kidman não é uma de nós - quem dera... a Penelope Cruz-credo. Agora, a Joey do Dawson's Creek, (e isso é bom e muito ruim ao mesmo tempo), is definitely one of us. Good for us, Tom Cruise é nosso!

Monday, June 06, 2005

Incrível

O shampoo e o condicionador acabaram juntos.

Wednesday, May 25, 2005

Eu já contei pra vocês....

...do incrível inseto vermelho?

Vermelho mesmo, vermelho Ferrari, aparece no verão no teto da minha casa. Na verdade é um prédio. Mas eu moro no último andar, sem elevador, é claro, pois a casa foi construida em 1800 sei lá o quê e depois foi reformada em 1900 sei lá o quê - uma data quando os elevadores ainda nao tinham sido inventados. Mas tudo bem, porque estando no teto, eu tenho janelinhas de barco em casa, a mobília toda baixinha e uns 3 galos no cucuruto de tanto meter o cabeção nas vigas do teto... Comunque, eu contava do tal bichinho vermelho que parece um ácaro, (naquela célebre imagem ampliada milhões de vezes do microscópico vilão). A primeira vez que o vi estava dentro da minha máquina fotografica, caminhava pelo visor digital. Eu ainda não expliquei que ele aparece bem pequenininho, o que facilita sua entrada em aparelhos eletrônicos e depois vai crescendo, no começo de maio eram pontinhos barely visible. Agora estão com dimensões de formiguinhas de cozinha. E são vermelhíssimos. E mancham a roupa da gente. Portanto, tomar sol no telhado só de roupas escuras.

Wednesday, March 16, 2005

Conselho editorial

Nunca, sob hipótese alguma, peça luvas emprestadas. Em temperaturas propícias ao uso de luvas, o nariz da gente escorre quase que ininterruptamente. E friozinho faz com que tenhamos preguiça de tirar as luvas pra assoar o nariz. E assoar o nariz de luvas é deveras complicado. Poupo o leitor dos detalhes.

3 meses depois...

Tenho blog, logo existo.
Primavera em 3 marcas.

Armani. Bastava parar aí, o resto é tudo cópia.
Entre linhos e couro e algodão amassado, puro, com cara de ser muito macio e confortável, Armani constrói sua Primavera com muito branco e off whites como aveia, manteiga e tons de bege. Jaquetas de couro estilo aviador, calças estilo gaúcho, e proteções de canela que me parecem muito pouco funcionais, mas são lindas e convencem. Quase sem estampas, algumas calças listradas, tudo muito casual e limpo, muito simples porém muito bonito e de bom gosto. Na parte haute couture, entram algumas estampas florais, com muito rosa, laranja e verde, seda, alguns tecidos luminosos, até brilhantes, mas a cor de fundo continua sendo o branco e o tecido básico, o algodão. Faz a gente ficar com muita raiva dos casacos, echarpes e botas pesadões do final de inverno atípico na Europa, por culpa de últimas frentes frias que chegaram de surpresa, sobretudo na Itália, que ficou cobertinha de neve de Norte a Sul. Milão, que tem sempre aquele friozinho chique, estava geladésima... e a Primavera acontece por enquanto só nas vitrines.

MaxMara, mulheres muito bem vestidas e femininas ? Echarpes finas, em tons fortes como vermelho escuro, vestidinhos de alças com jaquetinhas curtas ou ?coprispalle?, que é tipo uma malha que só tem as mangas, muito coloridos, sobretudo de azuis claros e verdes puxando para o pistache. Muito bege aqui também e branco. Muitos tecidos orgânicos e confortáveis, muita, muita, muita sobreposição. Um cachê-coeur aqui e ali. Algum laranja, sinto que será um grande hit do verão (previsão minha). Jaquetas tipo aviador e muitos trench coats, todos lindos.

Zara, a cópia bem feita ? Um pouco de tudo que foi dito acima. Aqui acha-se ainda alguma coisa em um verde escuro, entre o militar e o oliva. Não prestei muita atenção, porque o verde é a cor proibida pra mim. Coprispalle, casaquinhos curtos, trench coats, e ainda aquelas insistentes saias assimétricas, (eu que sou um pouco obsessiva-compulsiva não suporto). Muito Jeans.

Disse que seriam 3 mas dou uma colher de chá e falo da H&M, que é uma marca Sueca, inaugurada no final da década de 40. E só chegou aos EUA e sul da Europa a partir do ano 2000. A primeira loja na Itália foi aberta em 2003, e hoje é um sucesso tremendo. O line up e público alvo são praticamente os mesmos da Zara, pois a marca segue todas as principais tendências da moda, com todas as peças mais básicas e mais fashion de cada estação com preços bem mais em conta. E bem mais em conta que os preços da Zara, devo sublinhar. Em Genova e em Milão, alguns pontos que eram lojas enormes da Benetton foram vendidos para a H&M que parece crescer vertiginosamente. A loja está sempre lotada, eu quase não consigui ver as paredes de acessórios, e estamos falando de uma quarta-feira de manhã...

Balanço do dia: 10 euros na H&M e 30 na Zara. E um par de óculos escuros glamourosos, preço sob consulta. E almoço no McDonald?s... Agora sento e choro com dor de estômago.

Friday, December 31, 2004

Un Giorno Migliore

Depois que formulei a teoria de que falar italiano emagrece (depois eu explico melhor) e como pretendo colocá-la a prova esse ano de 2005 pra depois escrever meu best-seller de auto-ajuda do tipo " Emagreça parlando", aí vai uma musiquinha muito bacana em italiano. Infelizmente não consigo incluir uma música aqui, mas é tipo um twist, bem animadinha, vai imaginando aí. De Paolo Belli, Un Giorno Migliore.

Oggi puo' essere un gran giorno
che ti sorriderà
credi nei tuoi sogni
il mondo splenderà

Gli occhi, chiudi gli occhi
e sogna quello che ti va
quando apri gli occhi
e un gran sole ci sarà

Ti senti libero
Perfetto
il cuore elettrico
l'animo fantastico

Guarda le tue mani
hanno grandi desideri
credici nei sogni
Al ritmo del tuo cuore

Oggi puo' essere un gran giorno
Datti un'oppurtunità

Sessão

Acho que começou quando era pequenininha. Esses traumas de primeira infância. Quando eu pedia pra minha mãe me pegar no colo, e ela, com meu irmão que era bebê nos braços, dizia que eu já era grandinha e tinha que ficar no chão como uma boa menina. De lá pra cá, fiquei tentando ser boazinha pra esconder o ciúme.

Freud explica. Mas quem resolve?

Eu quero minha parte em éter.

Thursday, December 30, 2004

Loucura mesmo é a lucidez. É olhar pra dentro de si e tomar consciência de tudo de uma vez só, tudo aquilo na ignorância poderia ser bliss. Eu achava que enlouquecer era diferente. Eu esperava perder a noção, ( e isso parecia bom). Mas não se perde os sentidos, encontra-se outros.

Wednesday, December 29, 2004

Amore ovunque

Volto no tempo querendo precisão. Quando tudo começou exatamente. E não encontro. Continuo a procura lúdica, um daqueles momentos que a gente imagina vir com uma legenda dizendo: é agora, é isso, é tudo. Mas, uma vez acontecido, espalha-se por toda a memória o verniz do amor e volto atrás um milhão de vezes, (principalmente antes de dormir), e encontro tudo embebido na sensação de agora que é clara, forte e magnífica. E me desafia de novo a força de algo que começou assim do nada (ou do tudo), e mistura todos os tempos no meu coração. Volto no tempo, quando? Mas a resposta é sempre.

Wednesday, December 15, 2004

Isso suga!

Foi o que apareceu na legenda de um filme que passava outro dia na TVA quando um garoto disse "It sucks!".

Eu juro.

Monday, December 13, 2004

A cada ano que passa fico mais surpresa com as decorações de natal no Brasil. (Mentira, meu pessimismo de auto-defesa me faz imaginar, aliás ter certeza, de que pode ser pior, muito pior sempre*.) Mantas de amianto enroladas em fitas metálicas (ou algum similar), sim, fitas metálicas de péssima qualidade dappertutto, em laços mal-feitos, renas iluminadas piscando junto com parcas árvores enroladas em jogos de luzes provenientes da 25 de Março e o abominável spray de neve... Oh Deus, o problema não é o Natal ter se transformado num feriado comercial e ter perdido seu real significado. O problema é ter se convertido num feriado de mau gosto.

*Filosofia de vida, aplicações metafísicas.

Sunday, December 05, 2004

... e vou vivendo...

É inútil tentar negar. Só quando bebo minha letra (oh yeah, my handwrite) fica linda. E geralmente tenho boas idéias (ok, arguable...).

Besides that, nothing says louder "you look wonderful, darling!" than a twinkling glass of something on the rocks.

(Acabo de assistir a Bridget Jones e constatar minha frágil natureza...)

Tuesday, November 23, 2004

Se me permitem, um pequeno aforismo Alexandrino, desde que fui demitida, tenho vivido avidamente meu lado caçula - que è aquele nosso lado totalmente desprovido de anal retentiveness - ainda bem que aqui è barato beber vinho bom!

Bibliografia sugerida: A coisa nao-deus, Alexandre Soares Silva.