... que você fez... coração mais sem cuidado...
O que você fez? o que foi fazer dessa vez? Levanta. Do chão não passa.
Aprender a andar de bicicleta foi tão difícil. Mais difícil do que qualquer outra coisa que eu tenha aprendido depois. Na verdade, parecia fácil. Parecia muito mais simples. Até papai tirar a rodinha de aprendiz de um lado e introduzir o primeiro grande desafio a minha vida. E o primeiro sofrimento por antecipação também: se uma rodinha saiu é porque a outra vai ser removida também. (Acho que devo ter pedido a Deus, por favor, manter esse dia bem longe de mim. Sei lá, tomara que papai esqueça e deixe a rodinha aí até eu estar velha, bem velha, com uns 16 anos.)
Adeus à segunda rodinha, alô para a realidade, sem corda de segurança, sem rede protetora, sem nada pra te segurar.
É inevitável: você vai cair.
E cair não é nem de longe o maior de seus problemas.
Wednesday, March 24, 2004
Tuesday, March 16, 2004
De noite na cama
At night in my bed... tossing and turning. I tried to go to sleep early enough so that I would be transported immediately into my dreams and maybe postpone my usual revolvings around the same subject, compositions about the same theme, the same questions, the same doubts. And finally, at 5am, as the day arrived, after my brain was blank of thoughts and the eyes popping open with the light of the early morning, the only question dawning in me was why the hell did I have the pasta with the hot tomato sauce?!
And I kept looking for answers I did not have and the sun kept on rising regardless of the last remains of the night he was stealing from me.
Escuta, dona escritora, dá pra parar de fazer nossos 'olhos leitores' de penico, hein? Ninguém quer ficar lendo essas ladainhas, manda texto de verdade aí por favor.
Oh please, you have to allow me my moments of mental masturbation here, after all, I am just an aspiring writer, trying new things, and well, after all that Sun Tzu left in the world, cut me some slack, let me fail better a little bit.
Bibliografia:
De noite na cama - Caetano ou Marisa Monte
Hot tomato sauce - Cabana Lounge Café
Sun Tzu - The Art of War
Fail Better - Samuel Beckett: "Ever tried, ever failed, no matter. Try again, Fail again, Fail better."
And I kept looking for answers I did not have and the sun kept on rising regardless of the last remains of the night he was stealing from me.
Escuta, dona escritora, dá pra parar de fazer nossos 'olhos leitores' de penico, hein? Ninguém quer ficar lendo essas ladainhas, manda texto de verdade aí por favor.
Oh please, you have to allow me my moments of mental masturbation here, after all, I am just an aspiring writer, trying new things, and well, after all that Sun Tzu left in the world, cut me some slack, let me fail better a little bit.
Bibliografia:
De noite na cama - Caetano ou Marisa Monte
Hot tomato sauce - Cabana Lounge Café
Sun Tzu - The Art of War
Fail Better - Samuel Beckett: "Ever tried, ever failed, no matter. Try again, Fail again, Fail better."
Friday, March 05, 2004
Nome-não
De todas as coisas às quais se pode dar nomes, as mais importantes são aquelas que palavras não descrevem nem alcançam. Aquilo tudo que está no vácuo dos nomes, onde o som não se dissipa, onde abrimos a boca inutilmente e ficamos sem fala no meio do liquidificador das nossas emoções, um barulho ensurdecedor dos sentimentos transbordando e a gente sem saber como explicar.
Tem amor, tem dor, tem saudades (que, aliás, só tem na nossa língua), tem inveja, raiva e ciúmes. Mas tem um buraco no alto do estômago, uma dorzinha meio gostosa, meio esquisita, como se fossem cócegas, e isso não tem nome. Tem também aquele vaziozão no meio do peito que, quando a gente respira, até chega a doer. E aquela sensação de refluxo na garganta, tipo um soluço ao contrário. Sei lá como chamar essas coisas, elas desabrocham sem nome tão dentro da gente. Mas, na maioria das vezes, a gente nem quer saber como aquilo se chama, porque ou estamos muito felizes e não importa, ou estamos tristes e só queremos esquecer.
E, baseando-me nisso tudo é que eu digo que não sei o que estou sentindo.
C.Q.D.
Tem amor, tem dor, tem saudades (que, aliás, só tem na nossa língua), tem inveja, raiva e ciúmes. Mas tem um buraco no alto do estômago, uma dorzinha meio gostosa, meio esquisita, como se fossem cócegas, e isso não tem nome. Tem também aquele vaziozão no meio do peito que, quando a gente respira, até chega a doer. E aquela sensação de refluxo na garganta, tipo um soluço ao contrário. Sei lá como chamar essas coisas, elas desabrocham sem nome tão dentro da gente. Mas, na maioria das vezes, a gente nem quer saber como aquilo se chama, porque ou estamos muito felizes e não importa, ou estamos tristes e só queremos esquecer.
E, baseando-me nisso tudo é que eu digo que não sei o que estou sentindo.
C.Q.D.
Monday, March 01, 2004
Apenas uma pausa de mil compassos
Verdade. Pura. Insípida, inodora e incolor. E só. Como disse Machado de Assis, nenhum vinho pode embriagar tanto como a verdade. Mas a que preço? Toda verdade é super faturada, abrimos um crediário, parcelas a perder de vista. Porque para tê-la, há que se pagar pra ver. E eu quero ver, não conheço alternativa pro crediário doloroso da verdade. Mentira, nem de graça. E eu tô vendo a Briga dobrando a esquina na nossa direção, tô vendo a Dor de soslaio esperando sua 'deixa', e a Solidão já está comemorando o gol. De novo, na minha trave, bola fora do destino. Mas eu tô pagando, quero ver jogo. E afinal, a bola respinga e continua rolando. E a gente correndo atrás.
Friday, February 13, 2004
Consolo na Praia
Um desses dias em que somente clichês podem me confortar. A vida é dura, a vida é curta, a vida tem dessas ironias. Deus é pai, Deus é brasileiro e escreve certo por linhas tortas. O Amor é cego, o amor é sofrimento, o amor é uma flor roxa que nasce no coração do trouxa. E o Amor é isso mesmo que você está vendo. Hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo, e segunda-feira ninguém sabe o que será. Mas o tempo cura tudo, tudo passa, tudo tem solução. Dê tempo ao tempo - apesar de a vida ser curta, pode parecer ilógico, mas o coração tem razões que a própria razão desconhece. E só assim, pra levar o dia hoje. E, enfim, um dia depois do outro, a gente vai levando pois o que não tem remédio, remediado está e como vovó dizia, Deus dá o cobertor conforme o frio. E entre cobertor, frio, Deus, remédio, vovó e o tempo, eu fico com beijo na boca. E, pra beijo na boca, ainda bem, não consegui encontrar nenhum clichê.
Trechos incidentais de Carlos Drummond de Andrade
Trechos incidentais de Carlos Drummond de Andrade
Thursday, January 22, 2004
These foolish things...
The few minutes of relaxation before the vigorous stretching of a Yoga class. The spontaneous dripping of my paintbrush staining the paper. The salty smell of the ocean blowing through my window. A good strectch with big wide movements in the middle of the day followed by a reckless yawn. Going home after a long and hard day knowing to find peace and music and the warm shower all to yourself. And singing in the shower at the top of my lungs. The day is over, finally, another day. I lay my head down and let the thought of you linger on into a dream. Because all those little pleasures remind me of you.
Saturday, January 03, 2004
Ai Se Sêsse
Zé da Luz
Se um dia nóis se gostasse
Se um dia nóis se queresse
Se nóis dois se empareiasse
Se juntim nóis dois vivesse
Se juntim nóis dois morasse
Se juntim nóis dois drumisse
Se juntim nóis dois morresse
Se pro céu nóis assubisse
Mas porém se acontecesse, de São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu com eu insintisse
Prá que eu me arresouvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Távez que nóis dois ficasse
Távez que nóis dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virgem toda fugisse
Começando o ano com Cordel.
Se um dia nóis se gostasse
Se um dia nóis se queresse
Se nóis dois se empareiasse
Se juntim nóis dois vivesse
Se juntim nóis dois morasse
Se juntim nóis dois drumisse
Se juntim nóis dois morresse
Se pro céu nóis assubisse
Mas porém se acontecesse, de São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu com eu insintisse
Prá que eu me arresouvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Távez que nóis dois ficasse
Távez que nóis dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virgem toda fugisse
Começando o ano com Cordel.
Wednesday, December 31, 2003
Hic et Nunc
Quero terminar esse ano sintonizada no barulho das ondas mar, no cheiro de terra molhada de chuva, numa manhã de inverno, no piloto anunciando pelo rádio que chegamos ao nosso destino (seja lá qual o destino que escolhemos - mas, sim, chegamos! - corre lá pra fora e vai buscar o que te espera).
Quero terminar o ano logo, chega, basta, quero o novo, e que o passado passe rápido saia do caminho pra que o novo venha e tomara que a gente erre uns cheques por aí pra rir e lembrar do que passou. Quero o novo agora, porque o agora é que é importante. Hoje é nosso. Amanhã pertence só a ele mesmo, aposto que Deus decide tudo na última hora, como todo bom brasileiro.
E chega de prometer bobagens de fim de ano, de jurar fazer dieta, entrar na academia e coisas do gênero. Faço um pacto com o prazer. Prazer simples com todos os verbos de ligação: serespaperconfi do agora. E, pelo caleidoscópio do desconhecido, contemplo o caos com sede e fome de instante, de hic et nunc. Quero que ele me envolva como o mar. Contagem regressiva pro agora e sempre:
10, Barulho das ondas do mar;
9, cheiro de chuva numa manhã de inverno;
8, "aqui é o comandante, sejam bem-vindos ao seu destino!"
7, quadrados de sol tatuados no chão da sala de manhã;
6, serespaperconfi;
5, hic et nunc;
4, pé direito, calcinha nova;
3, prazer;
2, caleidoscópio,
1, Deus.
Quero terminar o ano logo, chega, basta, quero o novo, e que o passado passe rápido saia do caminho pra que o novo venha e tomara que a gente erre uns cheques por aí pra rir e lembrar do que passou. Quero o novo agora, porque o agora é que é importante. Hoje é nosso. Amanhã pertence só a ele mesmo, aposto que Deus decide tudo na última hora, como todo bom brasileiro.
E chega de prometer bobagens de fim de ano, de jurar fazer dieta, entrar na academia e coisas do gênero. Faço um pacto com o prazer. Prazer simples com todos os verbos de ligação: serespaperconfi do agora. E, pelo caleidoscópio do desconhecido, contemplo o caos com sede e fome de instante, de hic et nunc. Quero que ele me envolva como o mar. Contagem regressiva pro agora e sempre:
10, Barulho das ondas do mar;
9, cheiro de chuva numa manhã de inverno;
8, "aqui é o comandante, sejam bem-vindos ao seu destino!"
7, quadrados de sol tatuados no chão da sala de manhã;
6, serespaperconfi;
5, hic et nunc;
4, pé direito, calcinha nova;
3, prazer;
2, caleidoscópio,
1, Deus.
Wednesday, December 17, 2003
Penelopéia
Penélope espera, há milhares de anos, lá às margens da Odisséia que Homero impôs a Ulisses. Passa os dias tricotando e as noites desfazendo o xale, tudo isto para evitar ter que se casar de novo (ela deve ter medo de que algum oráculo tire dela outro marido, um só já está mais do que bom). E assim, fazendo e desfazendo seus dias, ela engana o tempo, perde a noção das horas, da espera. Tanto que, "de repente", 20 anos depois, Ulisses resolve voltar - posso até ver Penélope de braços cruzados batendo o pezinho na areia da orla de Ítaca, torcendo o nariz e, desconfiada, pede pra ele provar que é ele mesmo. Sabia que era seu marido e que aquele era o momento pelo qual havia tricotado e destricotado 20 anos mas, peraí, acha que é fácil, que é só ir dizendo que é Ulisses e ir levando uma esposa fiel e uma ilha grega assim de bandeja?
Tá aqui teu arco, vamos, atire uma flecha. Prove que é você.
Ele sequer discute. Só ele conseguia dobrar seu arco. Só ela conseguia dobrar Ulisses. Pega o arco, atira uma flecha (aliás várias e mata todos os pretendentes com a ajuda do filho Telêmaco e da Deusa Atena).
Sou eu.
Não importava o cansaço, os anos que passaram, ele tinha que dar prova de estar a altura do passado e da espera e de Penélope.
Tanta coisa aconteceu na sua ausência.
Imagino agora Ulisses revolvendo os olhos enquanto images de cíclopes, deusas ciumentas, deuses furiosos, naufrágios e a guerra de Tróia inteira passam por sua cabeça. Irônico, mas, quem volta tem que se preparar pra aventura do reencontro. Há perigos demais na ausência também. E aventura do lado de fora, do desconhecido, pode ser equivalente a aventura de dentro, de quem espera. Porque o equilíbrio da história toda está em Penélope, que teve o destino selado pelo dever de Ulisses de ir à Guerra. Ele tinha que ir, portanto ela tinha que esperar.
Por fim, arrepende-se aquele que não empreende, não tenta, seja uma Odisséia, ou seja tricô. E haja novelo...
Tá aqui teu arco, vamos, atire uma flecha. Prove que é você.
Ele sequer discute. Só ele conseguia dobrar seu arco. Só ela conseguia dobrar Ulisses. Pega o arco, atira uma flecha (aliás várias e mata todos os pretendentes com a ajuda do filho Telêmaco e da Deusa Atena).
Sou eu.
Não importava o cansaço, os anos que passaram, ele tinha que dar prova de estar a altura do passado e da espera e de Penélope.
Tanta coisa aconteceu na sua ausência.
Imagino agora Ulisses revolvendo os olhos enquanto images de cíclopes, deusas ciumentas, deuses furiosos, naufrágios e a guerra de Tróia inteira passam por sua cabeça. Irônico, mas, quem volta tem que se preparar pra aventura do reencontro. Há perigos demais na ausência também. E aventura do lado de fora, do desconhecido, pode ser equivalente a aventura de dentro, de quem espera. Porque o equilíbrio da história toda está em Penélope, que teve o destino selado pelo dever de Ulisses de ir à Guerra. Ele tinha que ir, portanto ela tinha que esperar.
Por fim, arrepende-se aquele que não empreende, não tenta, seja uma Odisséia, ou seja tricô. E haja novelo...
Thursday, December 04, 2003
"... in the winter, when it drizzles..."
- Or "Things I learned in France" -
It was cold and rainy and if we had scientific information on the pluviometric conditions, I bet Paris would have been the rainiest city in all Europe during those 5 days. But I did not notice the rain and the cold until Sunday, the last day, the day we always fear and want to avoid. But there's no avoiding, you wake up and the first thing to cross your mind is "it's the last day". It's the day you take pictures like crazy, in desperation of keeping memories clearer and not forgetting any detail. The Métro station, the street of the hotel, the street signs - even the street signs are so much more charming....
Breathtaking. Gray days don't interfere with the colors and nuances of the City of Light. In fact, they bring out the true pale yellowish tone on the old buildings, the light green on the copper statues becomes shinier and the excessive white, cloudy white, offers more contrast against all the other colors.
There's something about the wind blowing hats and shaking the fringy end of the colorful scarves, people in long coats, gloves, hats... and after all the cold provides a constant excuse to drink wine - to warm up, to warm up!
It's so easy getting lost in that city, going around the block the wrong way, jumping out of the train on the wrong station, because nothing looks wrong, no métro station seems to be too far away, and right around the corner, au coin de la rue, there's a view to l'Opera, La Tour Eiffel, a crepérie, a café or an enticing soap shop.
At night, from a high floor in a high tower, the most beautiful view of the city - enhanced by early Christmas lights, on top of all the lights and cars and streets, looking like shiny blood vessels. There was I, sitting right in between the Eiffel Tower and Les Invalides, above Paris. It all happened so fast... I took another sip of my 'chocolate chaud', grateful for being there, for being able to enjoy every second, every color, every taste, every smell.
But in a blink, it was already Sunday and it looked much colder and rainier. Not even sweater # 4 together with coat # 2 and scarf # 1 could keep me warm. Beauty has the strange effect of bringing out sadness too. And that's when I found out the worst thing about Paris: saying good-bye. But french people know better and that's why in France they say...
'Au revoir' -- I thought. Yeah, 'til we see each other again.
N. da E.: queridos leitores, esse post vai em inglês devido a visitas internacionais que estamos aguardando. (No melhor estilo "build a field and they will come"!)
It was cold and rainy and if we had scientific information on the pluviometric conditions, I bet Paris would have been the rainiest city in all Europe during those 5 days. But I did not notice the rain and the cold until Sunday, the last day, the day we always fear and want to avoid. But there's no avoiding, you wake up and the first thing to cross your mind is "it's the last day". It's the day you take pictures like crazy, in desperation of keeping memories clearer and not forgetting any detail. The Métro station, the street of the hotel, the street signs - even the street signs are so much more charming....
Breathtaking. Gray days don't interfere with the colors and nuances of the City of Light. In fact, they bring out the true pale yellowish tone on the old buildings, the light green on the copper statues becomes shinier and the excessive white, cloudy white, offers more contrast against all the other colors.
There's something about the wind blowing hats and shaking the fringy end of the colorful scarves, people in long coats, gloves, hats... and after all the cold provides a constant excuse to drink wine - to warm up, to warm up!
It's so easy getting lost in that city, going around the block the wrong way, jumping out of the train on the wrong station, because nothing looks wrong, no métro station seems to be too far away, and right around the corner, au coin de la rue, there's a view to l'Opera, La Tour Eiffel, a crepérie, a café or an enticing soap shop.
At night, from a high floor in a high tower, the most beautiful view of the city - enhanced by early Christmas lights, on top of all the lights and cars and streets, looking like shiny blood vessels. There was I, sitting right in between the Eiffel Tower and Les Invalides, above Paris. It all happened so fast... I took another sip of my 'chocolate chaud', grateful for being there, for being able to enjoy every second, every color, every taste, every smell.
But in a blink, it was already Sunday and it looked much colder and rainier. Not even sweater # 4 together with coat # 2 and scarf # 1 could keep me warm. Beauty has the strange effect of bringing out sadness too. And that's when I found out the worst thing about Paris: saying good-bye. But french people know better and that's why in France they say...
'Au revoir' -- I thought. Yeah, 'til we see each other again.
N. da E.: queridos leitores, esse post vai em inglês devido a visitas internacionais que estamos aguardando. (No melhor estilo "build a field and they will come"!)
Wednesday, December 03, 2003
Infinito Despertar
No meu reino o Sol estaria sempre nascendo naquela janela enorme, sobre o mar, à direita da nossa cama. Quem sabe, fossem precisos mais sóis, não somente um, para manter a constante nascente vermelha, rosada, alaranjada e depois dourada e quente. Então, os meus sóis passeariam no céu, livres, pondo-se lá trás, do lado onde não há janelas, e nós não nos importaríamos, porque de frente pra nós era um dia infinito, brilhante, de águas calmas, cheiro de domingo, e a penugem loira do teu cangote emoldurando minha vista, reluzindo os meus sóis, fazendo cócegas no meu nariz. No meu reino só existiria um dia, apenas aquele amanhecer constante, doze sóis, a nossa cama, a nossa janela, o teu cangote, a água calma, o horizonte. E se o cansaço batesse e quiséssemos dormir, asas aveludadas de pássaros gigantes tomariam o céu e esconderiam os sóis com rasantes sobre o mar. E, à meia luz, sonharíamos juntos com cidades novas, outras línguas, horizontes mais distantes do que aquele à nossa janela. E no reino dos sóis nascentes, nós acordaríamos eternamente, nossas sombras projetadas, superpostas, escorrendo pelo chão, esticando-se pelas paredes, teu corpo e meu corpo tatuados naquele quarto, o único quarto do único dia. Lá no meu reino do despertar infinito.
Monday, November 17, 2003
-- Vira esse coração pra lá que eu não quero pegar essa doença, não! E nem vem que não tem. Próxima vez que você bater na minha porta eu digo não. Comigo não, violão!
Mas quem disse que a gente tem escolha? E o temido bacilo da vida, do amor, da entrega incondicional viaja no ar e pode ser transmitido por aperto de mão, abraço, copos compartilhados, saliva compartilhada, alface mal lavada, água não fervida, carne mal cozida e até em banheiros públicos. Too late. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Mas quem disse que a gente tem escolha? E o temido bacilo da vida, do amor, da entrega incondicional viaja no ar e pode ser transmitido por aperto de mão, abraço, copos compartilhados, saliva compartilhada, alface mal lavada, água não fervida, carne mal cozida e até em banheiros públicos. Too late. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Tuesday, November 11, 2003
Almanaque -
"...Tem horas que escrever é praticamente um movimento peristáltico."
Do recém reencontrado amigo Barizon.
"...Tem horas que escrever é praticamente um movimento peristáltico."
Do recém reencontrado amigo Barizon.
Saturday, November 08, 2003
Ponta da língua
Quero escrever. Quero tanto. Mas não sai. Mora dentro da gente, na ponta da nossa língua, um livro inteiro. E mais uns 30 sonetos numerados com romanos, e mais um monte de coisas que quisemos dizer, que perdemos a chance e que agora fogem da gente, sorrateiras, no silêncio da noite. Custava aparecer aqui e me dar a graça de um texto qualquer?
Thursday, November 06, 2003
Quizas, quizas, quizas...
Me perco em "Ses" e "Serás" infinitos e faço um pensamento em caracol que acaba por me acordar ao invés de me adormecer. E fico horas de frente pra parede escutando os minutos passarem no despertador ao meu lado e os barulhos do mundo esmoecerem lá fora. Por quê esta doença nostálgica de querer aquilo que a gente nunca teve, ainda no passado? É como querer corrigir, voltar lá, anos, dias, meses atrás e ver o que seria, tivesse sido diferente aqui e ali. Mas 'o que seria' já é uma frase errada. Nada que seria, efetivamente foi em tempo algum. É uma conjugação sem potencial, algo que já não aconteceu e o passado já se esgotou. Sofrer pelo passado que passou já me ocupa porcentagens astronômicas... Sofrer aquilo que nem aconteceu, me tira o sono. E sigo tecendo, durante o dia, argumentos, justificativas, razões e certezas. Com o cair da noite, desfaço tudo, sozinha, enrolando meu novelo de "Ses" e "Serás".
Sunday, October 26, 2003
"O maior risco da vida e mais perigoso é amar, que morrer é acabar e amor não tem saída, e pois penado, ainda que seja amado, vive qualquer amador; que fará o desamado, e sendo desesperado de favor?
(...)
Quanto for mais avisado quem de amor vive penando, terá menos siso amando, porque é mais namorado. Em conclusão: que amor não quer razão, nem contrato, nem cautela, nem preito, nem condição, mas penar de coração sem querela."
Gil Vicente in O velho da horta, (1508-1515).
(...)
Quanto for mais avisado quem de amor vive penando, terá menos siso amando, porque é mais namorado. Em conclusão: que amor não quer razão, nem contrato, nem cautela, nem preito, nem condição, mas penar de coração sem querela."
Gil Vicente in O velho da horta, (1508-1515).
Saturday, October 25, 2003
Considerando...
Ossos do ofício -
Disse Cora Coralina, anos e mais anos atrás, eu era menina, nem entendi direito, que escrever era um sofrimento, uma tortura, e que ela própria não gostava de escrever. Mas, era mais forte que ela. Era um "es muss sein" de sua vida. E sendo assim, não há escapatória. Portanto, ela obedecia o algoz da escrita, e derramava suas linhas. "Ela é uma poetiza", dizia minha mãe, "transforma o triste em bonito, não em alegre, mas faz surgir beleza onde só havia dor".
"Amor volat undique"
A única coisa que ainda me surpreende é essa capacidade masoquista que a gente tem de amar qualquer coisa. Qualquer poça d'água de chuva que molhe nosso sapato novo é objeto de amor, porque de alguma forma tocou nossa vida. Não tenho nada no peito, sequer um soprinho tímido de ar ecoando no oco do meu tórax, e ainda assim, brota ali, na secura, um amor frutífero, frondoso e verde, um oásis na aridez solitária da alma. Verde de insistência, eu diria, não de esperança. Amor não dá esperança nenhuma. O Amor atira a gente do precipício da existência e nos dá a consciência triste do chão duro, de dar com a cara no muro, na porta, de dar murro em ponta de faca. E quebrados em mil pedacinhos, nossa vida, um caos, no fundo do poço, o que nos dói é somente o coração na presença da grandiosidade e da perfeição incompreensíveis de qualquer amor.
Pra não dizer que não falei das pérolas...
Sempre penso na concha teimosa que, cuspida pela maré, agarra-se ao restinho da correnteza e volta lá pra dentro do oceano. Porque é só isso que ela conhece e ama incondicionalmente. Apesar de nunca poder conhecer por inteiro o mar, ela se joga novamente pra dentro da imensidão e continua buscando o seu destino. E o mar, comovido, toda entrega incondicional é fatal, envolve a concha, também amoroso e, em resposta, continua empurrando-a pra areia, tentando mostrar-lhe o outro lado, desafiando-a a permanecer consigo nas incertezas da maré, nas correntes inconstantes, no meio do desconhecido. A concha sabe que viver é assim, é assumir todo risco, não adianta ter mapa, nem guarda-chuva, nem remédio pra dor de cabeça. É uma sucessão de ondas místicas e calmarias efêmeras. Mas, só assim, ganha-se o direito às pérolas.
Certo ou duvidoso?
Essas certezas que a gente acha que tem na vida, tudo mentira. Tudo miragem na aridez do destino. Certeza nenhuma. Vá lá, certeza da morte. Um dia isso tudo acaba. Pois é, era tudo incerto mesmo. Ninguém sabia onde ia dar, mas eventualmente deu nisso, nessas ondas místicas, nessas mãos invisíveis, nessas bússolas, nessas velas alçadas, nessas linhas cruzadas. De repente deu nessas milhas marinhas, nesses fusos horários, nesses meses de solidão. Porque apesar de incerto, é tudo contável, palpável, tangível. A certeza é pura fantasia, já a incerteza vem com réguas, com mapas, com manual e assistência técnica. Quem prefere a miragem, morre sedento. Só encontra água aquele que aprende a navegar o deserto.
Disse Cora Coralina, anos e mais anos atrás, eu era menina, nem entendi direito, que escrever era um sofrimento, uma tortura, e que ela própria não gostava de escrever. Mas, era mais forte que ela. Era um "es muss sein" de sua vida. E sendo assim, não há escapatória. Portanto, ela obedecia o algoz da escrita, e derramava suas linhas. "Ela é uma poetiza", dizia minha mãe, "transforma o triste em bonito, não em alegre, mas faz surgir beleza onde só havia dor".
"Amor volat undique"
A única coisa que ainda me surpreende é essa capacidade masoquista que a gente tem de amar qualquer coisa. Qualquer poça d'água de chuva que molhe nosso sapato novo é objeto de amor, porque de alguma forma tocou nossa vida. Não tenho nada no peito, sequer um soprinho tímido de ar ecoando no oco do meu tórax, e ainda assim, brota ali, na secura, um amor frutífero, frondoso e verde, um oásis na aridez solitária da alma. Verde de insistência, eu diria, não de esperança. Amor não dá esperança nenhuma. O Amor atira a gente do precipício da existência e nos dá a consciência triste do chão duro, de dar com a cara no muro, na porta, de dar murro em ponta de faca. E quebrados em mil pedacinhos, nossa vida, um caos, no fundo do poço, o que nos dói é somente o coração na presença da grandiosidade e da perfeição incompreensíveis de qualquer amor.
Pra não dizer que não falei das pérolas...
Sempre penso na concha teimosa que, cuspida pela maré, agarra-se ao restinho da correnteza e volta lá pra dentro do oceano. Porque é só isso que ela conhece e ama incondicionalmente. Apesar de nunca poder conhecer por inteiro o mar, ela se joga novamente pra dentro da imensidão e continua buscando o seu destino. E o mar, comovido, toda entrega incondicional é fatal, envolve a concha, também amoroso e, em resposta, continua empurrando-a pra areia, tentando mostrar-lhe o outro lado, desafiando-a a permanecer consigo nas incertezas da maré, nas correntes inconstantes, no meio do desconhecido. A concha sabe que viver é assim, é assumir todo risco, não adianta ter mapa, nem guarda-chuva, nem remédio pra dor de cabeça. É uma sucessão de ondas místicas e calmarias efêmeras. Mas, só assim, ganha-se o direito às pérolas.
Certo ou duvidoso?
Essas certezas que a gente acha que tem na vida, tudo mentira. Tudo miragem na aridez do destino. Certeza nenhuma. Vá lá, certeza da morte. Um dia isso tudo acaba. Pois é, era tudo incerto mesmo. Ninguém sabia onde ia dar, mas eventualmente deu nisso, nessas ondas místicas, nessas mãos invisíveis, nessas bússolas, nessas velas alçadas, nessas linhas cruzadas. De repente deu nessas milhas marinhas, nesses fusos horários, nesses meses de solidão. Porque apesar de incerto, é tudo contável, palpável, tangível. A certeza é pura fantasia, já a incerteza vem com réguas, com mapas, com manual e assistência técnica. Quem prefere a miragem, morre sedento. Só encontra água aquele que aprende a navegar o deserto.
Friday, October 10, 2003
Mundos Secretos - parte 2
Ajeitou o cabelo e 5 segundos do mais absoluto silêncio passaram lentamente. Paulo, com o olhar perdido, saiu do transe quando um "quer um pão de queijo" veio lá do fundo, como o som de um despertador de manhãzinha pescando nossa consciência lá do meio do sonho. Ele não conseguiu disfarçar. Ela ajeitou a pashmina novamente, se fazendo de desentendida, jogando uma ponta sobre o ombro esquerdo.
A pashmina era uma estratégia semiótica, (eufemismo para golpe sujo feminino). Era um querer esconder e querer mostrar ao mesmo tempo. A mensagem subliminar era de que embaixo daquele tecido retorcido havia algo tão precioso, tão exclusivo, que precisava ser recoberto com perfeita maciez e calor. Clara fingia que estava escondendo, quando na verdade, estava quase mostrando.
Aquela aura pluri-sensorial confundia Clara, ela queria entender aonde estava a coisa que fazia surgir nela um monte de corações pulsantes, em partes esquisitas do corpo, no estômago, na garganta... E perdia-se na fumaça que riscava o ar e se desfazia lenta em pequenas nuvens, nos cafés que perfumavam a mesa, num dente um pouco torto na arcada inferior do lado esquerdo de Paulo, nas mãos brancas de traços básicos, de palmas magras e dedos longos, que acenavam com o cigarro, ou nos "d"s e "t"s que ele pronunciava de uma maneira suave, à moda antiga. Curiosa, Clara pegou-se observando fixamente a boca dele.
Ele apoiou o cigarro no cinzeiro e debruçou-se sobre a mesa. Os corações espalhados em Clara marcavam passos fora de sintonia. A saliva sumia da boca. Até que, os olhos, que encontraram-se brevemente entre a fumaça perpendicular do cigarro e o vapor do café, desviaram-se num segundo:
-- Acho que está na hora, disse Paulo.
Os corações estancaram de uma vez. "Hora de quê?", pensou Clara. Sentiu-se ruborizar quando o viu tirar do bolso os malditos ingressos do cinema.
A pashmina era uma estratégia semiótica, (eufemismo para golpe sujo feminino). Era um querer esconder e querer mostrar ao mesmo tempo. A mensagem subliminar era de que embaixo daquele tecido retorcido havia algo tão precioso, tão exclusivo, que precisava ser recoberto com perfeita maciez e calor. Clara fingia que estava escondendo, quando na verdade, estava quase mostrando.
Aquela aura pluri-sensorial confundia Clara, ela queria entender aonde estava a coisa que fazia surgir nela um monte de corações pulsantes, em partes esquisitas do corpo, no estômago, na garganta... E perdia-se na fumaça que riscava o ar e se desfazia lenta em pequenas nuvens, nos cafés que perfumavam a mesa, num dente um pouco torto na arcada inferior do lado esquerdo de Paulo, nas mãos brancas de traços básicos, de palmas magras e dedos longos, que acenavam com o cigarro, ou nos "d"s e "t"s que ele pronunciava de uma maneira suave, à moda antiga. Curiosa, Clara pegou-se observando fixamente a boca dele.
Ele apoiou o cigarro no cinzeiro e debruçou-se sobre a mesa. Os corações espalhados em Clara marcavam passos fora de sintonia. A saliva sumia da boca. Até que, os olhos, que encontraram-se brevemente entre a fumaça perpendicular do cigarro e o vapor do café, desviaram-se num segundo:
-- Acho que está na hora, disse Paulo.
Os corações estancaram de uma vez. "Hora de quê?", pensou Clara. Sentiu-se ruborizar quando o viu tirar do bolso os malditos ingressos do cinema.
Thursday, October 09, 2003
Mundos Secretos - parte 1
(cont. de Indivíduos Adjacentes, Paulo e Clara - vários posts abaixo)
Chegou, sentou e dominou todo o campo de visão do rapaz. Estava enrolada em uma echarpe, ou xale (lá sabia ele o nome certo daquele pedaço de pano com franjinhas), de uma textura interessante que provocava insights sinestésicos em Paulo. Era a soma do tecido macio e quente, da pele branca da nuca que escapava à cobertura da gola e dos cabelos, naquele comprimento "estou deixando crescer", que Clara portava.
Os brincos emitiam sinais de luz que deveriam coincidir com código Morse que seu cérebro parecia compreender intuitivamente. De repente, ela correu a mão pelos cabelos, pondo o rosto de lado e, sem querer, a echarpe caiu dos ombros.
Paulo tentou, sem sucesso, resistir ao impulso de espiar dentro do decote voluptuoso da blusa de Clara. Mas, no final, os olhos se prenderam em outro detalhe, que não o colo almofadado dela: a marquinha do biquíni. Uma alça suavemente tatuada na pele alva, e mais alva ainda, era a fronteira entre o que todos podem ver e o mundo secreto, privado e exclusivo, a que só poucos, muito poucos, têm acesso, que se esconde por debaixo de simples tirinhas de pano. E que, na fantasia de Paulo, só ele poderia ver. E queria ver agora mais do que nunca. (Mas teria que terminar o café, dois pra ela, um pra ele, e enfrentar um filme do tipo circuito cultural de algum país obscuro, cujo título observa a fórmula artigo+substantivo e sempre recebe 5 estrelas de todos os jurados com críticas monossilábicas.)
Chegou, sentou e dominou todo o campo de visão do rapaz. Estava enrolada em uma echarpe, ou xale (lá sabia ele o nome certo daquele pedaço de pano com franjinhas), de uma textura interessante que provocava insights sinestésicos em Paulo. Era a soma do tecido macio e quente, da pele branca da nuca que escapava à cobertura da gola e dos cabelos, naquele comprimento "estou deixando crescer", que Clara portava.
Os brincos emitiam sinais de luz que deveriam coincidir com código Morse que seu cérebro parecia compreender intuitivamente. De repente, ela correu a mão pelos cabelos, pondo o rosto de lado e, sem querer, a echarpe caiu dos ombros.
Paulo tentou, sem sucesso, resistir ao impulso de espiar dentro do decote voluptuoso da blusa de Clara. Mas, no final, os olhos se prenderam em outro detalhe, que não o colo almofadado dela: a marquinha do biquíni. Uma alça suavemente tatuada na pele alva, e mais alva ainda, era a fronteira entre o que todos podem ver e o mundo secreto, privado e exclusivo, a que só poucos, muito poucos, têm acesso, que se esconde por debaixo de simples tirinhas de pano. E que, na fantasia de Paulo, só ele poderia ver. E queria ver agora mais do que nunca. (Mas teria que terminar o café, dois pra ela, um pra ele, e enfrentar um filme do tipo circuito cultural de algum país obscuro, cujo título observa a fórmula artigo+substantivo e sempre recebe 5 estrelas de todos os jurados com críticas monossilábicas.)
Tuesday, September 30, 2003
O problema da "volta e volta" é que toda volta pressupõe uma ida. Logo "volta e volta" tem "ida e ida". E eu continuo indo, mas com vontade de voltar. Faz sentido? Não. Ainda bem. É bom sinal. Sentido não ajuda em nada, aliás atrapalha. Melhor amortecê-lo e retomar o caminho aberto na navalha dos sem-sentidos da vida. Não é sentido, é direção que se quer. É uma bússola-oráculo acoplada a um pára-quedas e um relógio despertador (todos auto-ajustáveis) pra gente navegar com toda precisão poética. Afinal de contas, o que mais é preciso na vida? Nada. No entanto, se me fosse permitida uma extravagância, uma única, queria um gato.
Subscribe to:
Posts (Atom)