Thursday, October 21, 2004

Meu alter-ego fuma.

Eu mesma nao fumo mas, sempre que me imagino, me vejo fumando. Meu alter-ego è muito mais charmoso do que eu.

Tuesday, October 19, 2004

Cada vez que me perguntam porque estou na Itàlia, a reposta è diversa. Funny enough, sò tem uma resposta certa. Sim, aquela mais òbvia. Mas enfim, isso là è pergunta que se faça? Porque estou na Itàlia?, problema meu, oras bolas, nao pedi dinheiro emprestado pra ninguèm pra vir pra cà. Nao devo satisfaçoes a ninguèm, mas o povo italiano è estilo "dona-matilde-do-biscoitinho-de-nata" e quer saber tudo. Eu me divirto inventando respostas. E conjugando verbos de maneiras impensàveis aos ìtalo-parlantes. Italiano è foda - refiro-me a lìngua, por favor. (E o duplo sentido continua firme...)

PS: 23 minutos no Cyber Cafè sò saiu isso, me perdoem (nao sei como escrever essa palavra, confesso e aqui nao tem til).

Thursday, October 14, 2004

Tanta coisa pra postar e tao poucos minutos no cyber cafè. Tao poucos acentos...

Tinha atè uma foto do candidato napoletano a deputado que se chama Labocetta - eleiçao na Italia è outra coisa. Napoli inteira vota em boceta, opa, Labocetta. E quem nao votaria?

Alias, vencer eleiçao em pais onde o horàrio politico nao è de graça è outra història, nè? Olha là o Kerry gastando a fortuna da familia ketchup, suando seu rego pra bater no Bush nas pesquisas e estatisticas. Enquanto isso, na maravilhosa cidade de Sao Paulo... bem feito.

A dopo, carissimi.



Tuesday, September 28, 2004

Bla

Dias repletos da minha propria cheap philosophy. Sò assim me consolo. Leio sobre a tal da Cabala. E, de certa forma, isto me desconcerta. Ler o best-seller que mudou a vida de Madonna e tantas outras estrelas, nunca me foi atraente. Mas enfim, confesso, leio, estou na metade e ainda nao entendi nada. Por isso digo e digo de novo que nao sei nada, menos que nada, o além-nada dos meus neuronios. E esta reclamaçao toda me faz lembrar da adolescencia. Eh, a fase mais chata da vida em todos os sentidos. E ao mesmo tempo, como um polvo num labirinto (juro que ja vi uma reportagem sobre polvos em labirintos), me sinto sendo testada por alguma entidade superior pra ver se eu consigo sair dessa. Vai ver que é a Cabala. (Repare no 'C' maiùsculo, respeito com a Cabala, rapaziada.)

Agora deveria falar sobre o turismo acidental. Nao faz sentido, absolutamente. Preferiria ser um daqueles americanos-de-viseira-em-dia-nublado, batendo no vidro do aquario, bem embaixo de uma placa que pede o favor de nao se bater no vidro, do que ser essa versao descabida de gente em outro paìs. Eu sou gente de outro paìs. Pronto. Turista nao. Mas enfim, o que somos, pra onde vamos, de onde viemos e, sobretudo, o que fazemos aqui?

Em outra nota, deveria dizer que o turismo aqui em Genova tem a caracteristica de ser acidental ou, assim me parece. Nao consigo imaginar o roteiro turistico contendo: dia tal, hora tal - Tarde em Genova, degustando o verdadeiro pesto. Noite - empanturrados de pesto e focaccia, partida para qualquer localidade. Mas vale a pena. O pesto, a focaccia, o Porto Antico, que eu adoro, de onde teclo nesse exato minuto e todo o charme milenar da cidade. Eu adoro velharia. Deveria abrir um antiquàrio. Isso é, se conseguisse desfocar do meu lindo umbiguinho e começasse a olhar em volta. Mas é dificil, é imensamente dificil. Esperemos que a Cabala tenha o efeito esperado e possa me ajudar a resolver todos os meus problemas. Ou entao, procuro o Walter Mercado.
"There's an old joke. Two elderly women are at a Catskills mountain resort, and one of 'em says: 'Boy, the food at this place is really terrible.' The other one says, 'Yeah, I know, and such small portions.' Well, that's essentially how I feel about life. Full of loneliness and misery and suffering and unhappiness, and it's all over much too quickly."

A point of view from Annie Hall.

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Friday, September 24, 2004

Mais que nada

N. da E.: infelizmente sem acentos... cyber café italiano...

Antes me consolava pensando que nada sabia. Oras bolas, nao saber qualquer coisa era apenas uma pequena parte momentanea do meu nao-saber, doença jà conhecida, tipo aquela enxaqueca que vem de vez em quando, a gente nem liga muito, toma-se uma Neosaldina e pronto. Agora, infelizmente, quanto mais eu reparo menos eu sei. Estou falando de menos que nada. Ou mais que nada. Sei là. Como aqueles cientistas que a cada ano descobrem que o universo é maior do que eles imaginavam. O nada também. Cada ano que passa, como um big bang ao contrario, coisas que outrora faziam sentido simplesmente se desvirtuam, e meu nada cresce exponencialmente.

Quando releio livros, posts, cartas, certas vezes, é como se eu nunca os tivesse lido antes, e me assusto: a memòria é o buraco negro do meu universo nulo. E eu nem sempre me reconheço ou reencontro as impressoes de antes.

E, apesar de tudo isso, é a primeira vez na minha vida que estou feliz com o tamanho da minha bunda.

Deveras, it doesn't make any sense after all.

Monday, September 06, 2004

Senza Senso

Impressionante como, de perto, a realidade parece mentira.

Me belisca?

Sunday, August 08, 2004

"Parou por quê?" dizia a analista quando eu fazia longas pausas no meio do que estava dizendo. Era como se ela me lembrasse de que cada minuto ali contava - no sentido financeiro também. Eu estava pagando pra ficar em silêncio. E pra fazer digressões que na maioria das vezes não faziam sentido algum. É, fazer análise é assim. Sempre me perguntam como é que é, o que ela fala pra você, ela fica perguntando etc. Pois então, ela pergunta sim, com um certo descaso, "parou por quê?". O que ela queria dizer, mais do que 'seu tempo está acabando' (que não deixa de ser uma verdade metafísica), era que a história superficial perdia o sentido, perdia o interesse, em virtude de alguma outra coisa. Essa outra coisa vinha guardada em silêncio e doce contemplação. Era muito valiosa, mais até que os custosos minutos freudianos. E essa coisa que vinha interromper a análise, era de fato a matéria da análise, era o quê se queria encontrar lá fundo de cada historinha corriqueira. Mas então, parei porque o que apareceu é tão importante pra mim, tão precioso, que danem-se os minutos pagos...

Parou por quê?

Porque tá mais legal a vida real do que escrever blog.

Thursday, July 29, 2004

49. Revolution

Lake over Fire.
You must destroy all your bad ideas.
Seek change, as the traditional way is no longer suitable.
You must undergo a radical transformation in order to find your road to success.

E, se o I-Ching está dizendo, quem sou eu pra ir contra?!

Monday, July 19, 2004

- Look, if I die, Al, tell Ellie I'm sorry I said all those things to her. I said terrible things to her. I called her all kinds of names. Probably because I never stopped loving her.

- You're not dying.

- Well, if I don't die, tell her she's a tramp, and she's living with a guy the best you could say about him is sometimes he returns phone calls.


Romance, hypochondria and redemption from "Hollywood ending", by Woody Allen.

Thursday, July 15, 2004

Once in a lifetime - Talking Heads

And you may find yourself living in a shotgun shack
And you may find yourself in another part of the world
And you may find yourself behind the wheel of a large automobile
And you may find yourself in a beautiful house, with a beautiful wife
And you may ask yourself - Well...How did I get here?

Letting the days go by/let the water hold me down
Letting the days go by/water flowing underground
Into the blue again/after the money's gone
Once in a lifetime/water flowing underground.

(...)

And you may ask yourself
What is that beautiful house?
And you may ask yourself
Where does that highway go to?
And you may ask yourself
Am I right?...Am I wrong?
And you may say to yourself
MY GOD!...WHAT HAVE I DONE?


(...)

Same as it ever was...Same as it ever was...Same as it ever was...
Same as it ever was...Same as it ever was...Same as it ever was...
Same as it ever was...Same as it ever was...

Monday, July 05, 2004

"... depois foi encostar-se a uma das duas janelas que davam para o mar. Cinco minutos depois, a vista das águas próximas e das montanhas ao longe restituía-lhe o sentimento confuso, vago, inquieto que lhe doía e fazia bem, alguma coisa que deve sentir a planta, quando abotoa a primeira flor."

Machado de Assis, no conto Uns braços.

Ah, eu adoro as sutilezas machadianas...

Thursday, June 24, 2004

- So, what's the problem? Tell me.
- Ok. I'm in love.
- Ufff... I'm so relieved!
- Why?
- I thought it was something worse.
- Worse? Worse than the total agony of love?!

Dialogue excerpt from 'Love Actually'.

Thursday, June 17, 2004

Flatliner

Ontem, durante uma reunião, eu juro que entrei num estado de coma leve. Quase tive morte cerebral. Mas, graças ao movimento do meu maxilar mastigando um chiclete, um mínimo de células cerebrais se mantinham ativas e não houve sequelas. Quer dizer, eu acho que não.

Friday, June 11, 2004

Murmullo

Hay un suave murmullo
En el silencio de una noche azúl
Son dos enamorados
Que, encantados, gozan del amor.

Y ríe la vida y qué dice así: Ahh, ahh...
Y ríe la luna y qué dice así: Uhmm, uhmm...

Afinal, mesmo despeitada, ainda faço questão de manter o romantismo... Aahhh, uhmmm...

Wednesday, June 09, 2004

Tacones Lejanos

Eu não sei lidar com a frustração, sabe, eu tenho vontade de rasgar todo o forro do sofá, de quebrar toda a louça, de atirar copos e vasos contra as paredes da casa... tipo novela das oito, sabe, acho que no fundo é tudo culpa das novelas das oito, que fazem a gente criar esse repertório maligno de ataques de cólera, e se não fizermos isso, parece que ficou faltando o gran finale, parece que nem estamos tão bravos, pensa bem, que coisa melhor pra demonstrar angústia e frustração do varrer com braços raivosos uma penteadeira inteira cheia de perfumes, coisinhas, vidrinhos, e ver tudo cair no chão? Nada pode aliviar tanto. Eu quebrava todas as minhas bonecas, arrancava os braços, as pernas, rabiscava a cara delas, eu acho que no fundo não é culpa das novelas, no fundo eu já era assim, eu já tinha esses ataques, essa vontade de destruir alguma coisa pra passar a raiva, mas tem que ser alguma coisa repentina, não adianta eu chegar lá em casa e ficar esmurrando uns travesseiros, dizendo os nomes da minha lista negra, sabe, isso não adianta, ajuda um pouco, mas sempre me sinto ridícula, entende, o legal é chegar com a cabeça fervendo e ver pela frente alguma coisa que a gente possa chutar assim, logo de cara, quebrar, atirar... tem um vaso lá em casa, um vaso horroroso, que a menina que mora comigo, adora, não consigo entender como, o negócio é um elefante branco que ela mandou trazer do México, deve pesar mais de 50 quilos, juro por Deus, fica num canto da sala, e me é muito pertubadora a presença daquele vaso, que ela chama de urna, ainda mais urna, coisa fúnebre... agora me imaginei com o martelo, que eu comprei pra pregar uns quadros, martelando aquele trambolho até virar 50 quilos de pó no chão, ia ser bem relaxante, é, mais até que shiatsu. Mas não dá, e como não tem Yoga hoje, vou fazer compras.

Final no. 2

Angela O'Keefe termina o show - ou seja eu, no meu sonho. Entro em meu camarim e olho para as flores com um sorriso misterioso nos lábios, (sempre misteriosa, sempre misteriosa). Abro o cartão. Alguns segundos de silêncio seguem. Sirvo-me de gin, straight up. Ando de um lado ao outro do quarto. E então, tomada de cólera, rasgo o bilhete e atiro o vaso de flores contra o espelho. Assustados com o barulho, entram correndo em cena Butch Rigby e Stu Francis, este último, o pianista. Butch exclama com reprovação "Not again, Angie, not again!". E eu, colérica, já um pouco bêbada e entre soluços diria "You just don't understand, Butch, you just don't get it!" - aqui, encostada na parede, com o copo na mão, escorregando vagarosamente até chegar ao chão (sim, como aquelas cenas de novela das oito). Stu tentaria me levantar, mas irritada eu gritaria "Get out, get out, leave me alone, let me be!". A câmera seguiria Stu e Butch até o bar onde em silêncio trocariam olhares preocupados. Corte. A câmera voltaria para meu camarim, onde eu estaria tirando a maquiagem, vestida agora com um pegnoir amarelo com plumas na gola e mangas, chorando profusamente. A seqüência termina com um plano geral do bar, onde Stu e Butch bebem algo e Jules McMannus, o barman, diria "Life goes on. She'll sing tomorrow, I know she will".

Tuesday, June 08, 2004

More than you know...

Imagine um piano de cauda, um saguão de um hotel, à meia luz, algumas mesas têm velas acesas, outras não, fumaça cria texturas pelo ar. O pianista entra, mas as pessoas continuam a sacudir as pedrinhas de gelo dentro de seus uísques, produzindo um tilintar contínuo. Ele estala os dedos, timidamente, e começa a dedilhar o piano. De repente: silêncio. Imagine uma mulher ruiva, irretocável, vestido preto, baton vermelho, entrar flutuando pelo palco. Sou eu. (Tá, tá, tá, eu confesso, eu sou a Rita Hayworth em meus sonhos.)
Então, com ar triste e misterioso, em parte por culpa do cabelo que esconde um olho e meia maçã do rosto, eu (ou a Rita Hayworth, caso o leitor não me conheça pessoalmente)começo a cantar:

More than you know
More than you know
Man of my heart, I love you so
...Aqui eu desencaixo o microfone do tripé e começo a caminhar...
Lately I find
You're on my mind
More than you know
...tomo um gole de um copo de uísque de alguém na platéia...
Whether you're right,
whether you're wrong,
Man of my heart, I'll string along
I need you so
More than you'll ever know...
Agora eu acendo uma cigarrilha em uma longa piteira e sento-me em cima do piano e o resto do show fica ao gosto do leitor. Lembrem-se que o strip-tease seria apenas tirar as luvas e depois sacudir a cabeleira.

E quando eu me retirasse para meu camarim - "Changing Room of Ms. Angela O'Keefe" (esse é o meu alter-ego onírico) - eu encontraria um buquê de rosas - vermelhas, é logico - leria o cartão e daria sonoras gargalhadas. Sem nem me trocar, retocando apenas o baton e o perfume, sairia com pressa, sem esquecer um casaco de pele. Um Bentley já estaria me esperando e Butch Rigby, o dono do bar do hotel, viria correndo atrás do carro, mas não nos alcançaria. Arrancaria o chapéu e o bateria contra a própria perna de tanta raiva e... curiosidade. Ninguém poderia saber de quem eram as rosas.

Thursday, June 03, 2004

The book is in the fireplace.

N. da E.: Pode ser um spoiler para o filme "The day after tomorrow", mas eu acho que não.

Nove personagens, mais ou menos, presos numa biblioteca em Nova Iorque, sem eletricidade e a temperatura caindo bruscamente, resolvem queimar livros numa lareira secular para se manterem aquecidos. A bibliotecária engole seco, soltando um pequeno gemido mas, as far as she is concerned, é capaz de não sobrer ninguém no fim do filme pra ler livros... Um segundo bibliotecário e uma adolescente saem para buscar livros pelos corredores da biblioteca.

Faço pausa pra reparar como esta profissão teve destaque nesse filme: 2 bibliotecários entre 9 pessoas. É de se pensar se não foi coisa de sindicato contra Hollywood, dizendo que tal classe nunca havia sido representada na big screen etc... But I digress.

Bom, voltando ao filme, rola uma discussão entre os dois, porque a mocinha quer queimar alguns volumes de Nietszche e o bibliotecário resolve fazer um discursinho sobre qualquer coisa como Nietszche ser o maior pensador do século XX - afinal o filme é de ficção mesmo - até que outro personagem chega e diz 'deixem disso, rapaziada, vamos começar pela sessão de direito'!
Todo mundo respira aliviado: claro! vamos queimar as leis, o mundo está acabando mesmo...

Alguns minutos mais tarde, a garota e o bibliotecário se enfrentam novamente. Ele abraçado a um livro grosso, pesado, antigo. Ela vem curiosa e ávida por uma boa briga, que me parece bem verossímil no caso dos adolescentes, e pergunta 'Que livro é esse?'

Era a Bíblia. Ela diz, irônica, ' Você acha que Deus vai te ajudar, huh?'

Ele diz com desdém 'Claro que não! Eu só estou salvando essa bíblia porque foi um dos primeiros livros a ser impressos ever in the history of humanity. If human civilization is going down as we know it, I want to save a little piece of our culture, of our times..., ou qualquer coisa do gênero. Bullshit. Double bullshit.

Agora, sejamos francos, se uma tsunami tivesse invadido NY, uma nova era do gelo estivesse se abatendo sobre todo o hemisfério Norte e você estivesse preso numa biblioteca com uma adolescente irritante, você não ia pedir a Deus pra te salvar?!

Sei, sei. Conta outra.

Moral da história: os livros salvam.

Monday, May 31, 2004

Só danço samba

"Só danço samba
Só danço samba, vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba
Só danço samba, vai
Já dancei o twist até demais
Mas não sei
Me cansei
Do calipso ao chá chá chá
Só danço samba
Só danço samba, vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba
Só danço samba, vai..."

Celebrando a camiseta "Proud to be Brazilian" que ganhei defendendo "o jeito nas cadeiras que ela sabe dar" - só elas, as brasileiras.