Duodeno -- esse desconhecido - parte 2
Tenho que começar dizendo que isto foi uma contribuição de inestimável valor sentimental e educacional. Obrigada, Misterioso Colaborador.
O que é o Duodeno?
"...É uma das três regiões em que é dividido o intestino delgado. Considera-se como duodeno a região inicial do intestino delgado, a partir do esfíncter pilórico, que é o espessamento da musculatura lisa e controla a passagem do alimento do estômago para o resto do trato digestivo."
Tá explicada a relação com decisões: é o Duodeno quem decide quem passa para a próxima fase da digestão, do estômago para o intestino!
A digestão é como se fosse um pequeno Reality Show dentro da nossa barriga. Imagina, lá no estômago, as comidas chegando todas mastigadas que nem as estrelas em decadência do Casa dos Artistas! Daí vão passando por provas de dissociação de moléculas, quebra de fibras e proteínas e as que terminam primeiro se apresentam para o Duodeno que é o jurado que tem o voto de Minerva do sistema digestivo. Mas, no final desse Reality Show Digestivo, todos os participantes devem ser eliminados!
Mais Duodeno aqui -- ou quaisquer outras dúvidas e curiosidades -- é um link porreta de uma enciclopédia virtual que eu recebi de um leitor-amigo-trader-contador de piada e mais importante de todos ótima companhia de copo em bar.
Thursday, March 27, 2003
Monday, March 24, 2003
Duodeno -- esse desconhecido.
Outro dia, a famosa dançarina-blogger-comentarista de futebol-amiga-esposa e match maker nas horas vagas escreveu sobre a minha dica do duodeno aqui.
Há mais ou menos 1 ano, eu, com o pescoço duro, duro, comento com uma amiga do Aikido (eu sou faixa amarela, não é grandes coisas, mas já alguma coisa) que meu pescoço dói e sempre é assim, qualquer coisa é o pescoço que sente tudo. Ela, psiquiatra-acupunturista-aikidoista e esposa nas horas vagas, indaga:
-- É mais do lado esquerdo ou do direito?
-- Ah, tipo assim, é dos dois lados -- digo eu.
-- Você tem dificuldade pra tomar decisões?
-- Xii, tenho, tenho... levo uma vida pra escolher prato em restaurante, o que vestir de manhã e que perfume vou passar.
-- Ah, só pode ser o Duodeno!
Um ano depois, ou seja agora, Duodeno tinindo! Eita ferro, quanta decisão difícil andei tomando e assim, ó, rápida e decidida! Mas resta saber se foi o duodeno que melhorou sozinho ou se foram as decisões que fizeram ele funcionar melhor (Biscoito Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?).
E dor no pescoço nunca mais!
Ah, em tempo, que porra é o duodeno? o que ele faz? onde se localiza?
(Só não adianta perguntar porquê cargas d'água tem a ver com decisões. Essas coisas de medicina Chinesa não têm explicações compreensíveis aos ocidentais.)
Outro dia, a famosa dançarina-blogger-comentarista de futebol-amiga-esposa e match maker nas horas vagas escreveu sobre a minha dica do duodeno aqui.
Há mais ou menos 1 ano, eu, com o pescoço duro, duro, comento com uma amiga do Aikido (eu sou faixa amarela, não é grandes coisas, mas já alguma coisa) que meu pescoço dói e sempre é assim, qualquer coisa é o pescoço que sente tudo. Ela, psiquiatra-acupunturista-aikidoista e esposa nas horas vagas, indaga:
-- É mais do lado esquerdo ou do direito?
-- Ah, tipo assim, é dos dois lados -- digo eu.
-- Você tem dificuldade pra tomar decisões?
-- Xii, tenho, tenho... levo uma vida pra escolher prato em restaurante, o que vestir de manhã e que perfume vou passar.
-- Ah, só pode ser o Duodeno!
Um ano depois, ou seja agora, Duodeno tinindo! Eita ferro, quanta decisão difícil andei tomando e assim, ó, rápida e decidida! Mas resta saber se foi o duodeno que melhorou sozinho ou se foram as decisões que fizeram ele funcionar melhor (Biscoito Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?).
E dor no pescoço nunca mais!
Ah, em tempo, que porra é o duodeno? o que ele faz? onde se localiza?
(Só não adianta perguntar porquê cargas d'água tem a ver com decisões. Essas coisas de medicina Chinesa não têm explicações compreensíveis aos ocidentais.)
Um minuto. Respira fundo, Juliana, engole o choro. Vale à pena o estomago roncando do almoço que não virá hoje, não há tempo, a dor de dente, a cólica e o nervoso. Vale à pena. Você é jovem e tem stamina, tem mais é que agüentar. Conte até a dez em alemão -- truque antigo... se não funcionar, ainda sabe contar até 100 em alemão... E, se ainda não funcionar, tem que lembrar que tudo vale à pena -- como disse aquele poeta...
Saturday, March 22, 2003
A menina que bebeu o mar.
Tomando um iogurte light, assistindo o mar da janela, pintava.
Confundiu a colher e o iogurte com o pincel e a tinta. Espalhou o iogurte light por todo o papel e, quando se deu conta da burrada, não teve dúvida: bebeu toda tinta.
Era um quadro sobre o mar que silencioso passava por fora de sua janela. Agora, a tinta azul toda sendo digerida, era o mar passando dentro de si também. Queria tanto pintar o mar e entender o tom do seu azul, às vezes verde, que bebeu o mar todo de sua pintura no café da manhã.
Sentiu-se bem o resto do dia, fresca por dentro, com todo o azul agradável misturando-se dentro dela. De repente, deu dois passos à frente e recuou - eram as ondas em formação.
Diante disso tudo resolveu voltar ao quadro, pintou, pintou, pintou, tomando o cuidado de afastar comidas e bebidas da mesa onde pintava.
Fez xixi azul-esverdeado por vários dias mas, também, desvendou a cor perfeita do mar. E os quadros todos ficaram lindos.
Tomando um iogurte light, assistindo o mar da janela, pintava.
Confundiu a colher e o iogurte com o pincel e a tinta. Espalhou o iogurte light por todo o papel e, quando se deu conta da burrada, não teve dúvida: bebeu toda tinta.
Era um quadro sobre o mar que silencioso passava por fora de sua janela. Agora, a tinta azul toda sendo digerida, era o mar passando dentro de si também. Queria tanto pintar o mar e entender o tom do seu azul, às vezes verde, que bebeu o mar todo de sua pintura no café da manhã.
Sentiu-se bem o resto do dia, fresca por dentro, com todo o azul agradável misturando-se dentro dela. De repente, deu dois passos à frente e recuou - eram as ondas em formação.
Diante disso tudo resolveu voltar ao quadro, pintou, pintou, pintou, tomando o cuidado de afastar comidas e bebidas da mesa onde pintava.
Fez xixi azul-esverdeado por vários dias mas, também, desvendou a cor perfeita do mar. E os quadros todos ficaram lindos.
Sunday, March 16, 2003
Vento e Água
Sempre gostei dos dias chuvosos. Confesso que era por pena deles, de todo mundo abrir a janela, e ao menor sinal de chuva ou tempo nublado exclamar "Que dia horrível!". Adotei os dias chuvosos e nublados para mim.
Ontem, quando acordei, fazia sol. Pensei "Que dia lindo". E logo em protesto, aposto, em menos de 15 minutos, uma nuvem gigante instalou-se em frente de casa, bem na frente da minha janela e começou a desfazer o dia. Escureceu, esfriou e choveu. Mas o que o dia e o tempo não sabem é que é um espetáculo ver a chuva acontecendo sobre o mar. O céu e o mar parecem estar se misturando, o horizonte perde a linearidade e fica difuso, como uma linha insinuada, que a gente acredita que está ali.
Ao final da tarde, o sol conseguiu brilhar por uma brechinha de nuvem antes de se pôr. Então, misturaram-se o sol, o céu, a água e o vento. E apareceu um arco-íris. E eu pensei comigo mesma que dia mais lindo do que esse eu nunca, nunca tinha visto em minha vida.
*Feng Shui significa em chinês vento e água e é uma ciência que ensina a preencher sua casa com graça e harmonia. Vento e Água cabem em qualquer lugar, podem tomar qualquer forma ou cor. Nosso planeta é todo feito e preenchido deles: vento e água. Quando um dia revela todo esse segredo milenar, essa capacidade de mudança, de cor, de mistura, de vida, a gente tem que admitir que dia chuvoso é lindo também. É perfeito.
Sempre gostei dos dias chuvosos. Confesso que era por pena deles, de todo mundo abrir a janela, e ao menor sinal de chuva ou tempo nublado exclamar "Que dia horrível!". Adotei os dias chuvosos e nublados para mim.
Ontem, quando acordei, fazia sol. Pensei "Que dia lindo". E logo em protesto, aposto, em menos de 15 minutos, uma nuvem gigante instalou-se em frente de casa, bem na frente da minha janela e começou a desfazer o dia. Escureceu, esfriou e choveu. Mas o que o dia e o tempo não sabem é que é um espetáculo ver a chuva acontecendo sobre o mar. O céu e o mar parecem estar se misturando, o horizonte perde a linearidade e fica difuso, como uma linha insinuada, que a gente acredita que está ali.
Ao final da tarde, o sol conseguiu brilhar por uma brechinha de nuvem antes de se pôr. Então, misturaram-se o sol, o céu, a água e o vento. E apareceu um arco-íris. E eu pensei comigo mesma que dia mais lindo do que esse eu nunca, nunca tinha visto em minha vida.
*Feng Shui significa em chinês vento e água e é uma ciência que ensina a preencher sua casa com graça e harmonia. Vento e Água cabem em qualquer lugar, podem tomar qualquer forma ou cor. Nosso planeta é todo feito e preenchido deles: vento e água. Quando um dia revela todo esse segredo milenar, essa capacidade de mudança, de cor, de mistura, de vida, a gente tem que admitir que dia chuvoso é lindo também. É perfeito.
Wednesday, March 12, 2003
Me recuso a fazer café. Se não for na minha casa e na minha cafeteirinha italiana, não faço. E todo dia ouço, lá da copa do escritório, alguém reclamando que ninguém faz café... Mas a vida é assim: aponta sozinha de vez em quando a responsabilidade de cada um. Esta moça que reclama todo dia, é a pessoa-do-café. Não é incrível que ela é quem sempre resolve tomar café quando o café acabou? É o destino usando sua mão de ferro e fazendo-a ir lá na copa preparar mais daquele líquido translúcido e fraco como um sopro de um tuberculoso (aqui são os EUA, estou falando do café americano).
Eu, por exemplo, sou a pessoa-do-papel. É verdade. Desde que consegui meu primeiro estágio, as impressoras de todo mundo encanaram comigo e sempre, mas sempre mesmo, que eu preciso imprimir uma coisa qualquer o papel acabou. Ou seja, nos útlimos 6 anos tenho desenvolvido paralelamente a carreira de pessoa-do-papel. Lá pelo terceiro ano desse karma, parei de reclamar, diferentemente da moça-do-café. Aceitei minha responsabilidade e boto mais papel ali nas bandeijinhas com orgulho.
Em casa, porém, eu era a pessoa-do-papel-higiênico. Era sempre comigo que o rolo acabava... no entanto, essa pessoa tem que ser assistida e meu irmão era o assistente-de-papel-higiênico: Fê, traz papel!
E, além dessa árdua tarefa, ele também acumulava o título de pessoa-da-maionese. Sabe quando você prepara um sanduichão e só falta a maionese, daí você abre a geladeira, encontra o pote, abre o pote e o pote está vazio? Só com aqueles restos ressecados presos nos cantos.... Então, esse cara era o meu irmão.
Além dessas, existem outras funções importantíssimas esquecidas, overlooked eu diria, pela sociedade. Como por exemplo: pessoa-do-toner (passei raspando nessa!), pessoa-do-quadro-torto, pessoa-das-janelas-abertas-quando-começa-a-chover (que pode variar para roupas-no-varal-quando-começa-a chover), pessoa-da-garrafa-d'água-na-geladeira, pessoa-que-sempre-faz-cubos-de-gelo etc, etc, etc.
Me recuso a fazer café. Sou a pessoa-do-papel e pronto!
Eu, por exemplo, sou a pessoa-do-papel. É verdade. Desde que consegui meu primeiro estágio, as impressoras de todo mundo encanaram comigo e sempre, mas sempre mesmo, que eu preciso imprimir uma coisa qualquer o papel acabou. Ou seja, nos útlimos 6 anos tenho desenvolvido paralelamente a carreira de pessoa-do-papel. Lá pelo terceiro ano desse karma, parei de reclamar, diferentemente da moça-do-café. Aceitei minha responsabilidade e boto mais papel ali nas bandeijinhas com orgulho.
Em casa, porém, eu era a pessoa-do-papel-higiênico. Era sempre comigo que o rolo acabava... no entanto, essa pessoa tem que ser assistida e meu irmão era o assistente-de-papel-higiênico: Fê, traz papel!
E, além dessa árdua tarefa, ele também acumulava o título de pessoa-da-maionese. Sabe quando você prepara um sanduichão e só falta a maionese, daí você abre a geladeira, encontra o pote, abre o pote e o pote está vazio? Só com aqueles restos ressecados presos nos cantos.... Então, esse cara era o meu irmão.
Além dessas, existem outras funções importantíssimas esquecidas, overlooked eu diria, pela sociedade. Como por exemplo: pessoa-do-toner (passei raspando nessa!), pessoa-do-quadro-torto, pessoa-das-janelas-abertas-quando-começa-a-chover (que pode variar para roupas-no-varal-quando-começa-a chover), pessoa-da-garrafa-d'água-na-geladeira, pessoa-que-sempre-faz-cubos-de-gelo etc, etc, etc.
Me recuso a fazer café. Sou a pessoa-do-papel e pronto!
Friday, March 07, 2003
O inglês é uma língua onde as pessoas não mandam beijo. Não pode pôr "kisses" no final do email. Não importa pra quem é o email. Não pode. Tem que pôr Regards. E que merda são "Regards"?
Ou então, se for carta pessoal e pra alguém muito chegado, você coloca lá no final "Love". Só que não siginifica "love" mesmo. Aliás, love aqui não significa nada do que a gente entende como amor. Credo, não agüento chegar em festa e ver todo mundo se estendendo as mãos e afastando os corpos, parece até um monte de bonecos de olinda. E eu, toda latina, pronta pra dar umas ombradas nos americanos e dois beijos no rosto, bem no estilo "saravá-meu-pai". Queria ver essa gente em ônibus lotado. Andando no centro, na Santa Efigênia ou na José Paulino.
Com licença, mas eu não tenho "regards" por ninguém. é impossível brasileiro sentir regards. Da mesma forma que o americano tem uma dificuldade com o "love".
E porquê essa história de regular beijo e abraço? Não pode dar quando se cumprimenta, não pode dar quando se despede e se mandar por email pega mal.
Uma língua em que se beija menos, é uma língua triste, no mínimo, certo?
Ou então, se for carta pessoal e pra alguém muito chegado, você coloca lá no final "Love". Só que não siginifica "love" mesmo. Aliás, love aqui não significa nada do que a gente entende como amor. Credo, não agüento chegar em festa e ver todo mundo se estendendo as mãos e afastando os corpos, parece até um monte de bonecos de olinda. E eu, toda latina, pronta pra dar umas ombradas nos americanos e dois beijos no rosto, bem no estilo "saravá-meu-pai". Queria ver essa gente em ônibus lotado. Andando no centro, na Santa Efigênia ou na José Paulino.
Com licença, mas eu não tenho "regards" por ninguém. é impossível brasileiro sentir regards. Da mesma forma que o americano tem uma dificuldade com o "love".
E porquê essa história de regular beijo e abraço? Não pode dar quando se cumprimenta, não pode dar quando se despede e se mandar por email pega mal.
Uma língua em que se beija menos, é uma língua triste, no mínimo, certo?
Wednesday, March 05, 2003
Enema for the Soul
My newest friend and room mate gets set up with this brazilian doctor she has never seen before (the very american way...). His sister though looks gorgeous and believing in that family's good genes she accepts the challenge and is having a blast up to the moment she learns what kind of a doctor he is, then I began to have a blast myself! He is a colon and rectal surgeon. "What are you going to talk about during dinner? His amazing techniques and professional expertise? I wonder if he also carries his professional interests into his personal life..." and so on. We actually laughed big time over all this stupid comments and behaviour none of us believed he could possibly have. She even suggested he would be able to perform an Enema for the Soul on her - to get all the shit out of her, spiritually speaking of course.
The morning after - as a mediunic premonition our worst fears had become reality. This doctor went on and on about his work, while performing a surgery on his pizza at Piola. Even used gestures and medical denominations.
Some words should never be used at the table, let alone on a first date:
Small Bowel
Large Bowel
Esfincter
Just to finalize, he did not had the good looking genes from the family and, although being very involved in his work, could not perform the Enema for Soul.
Well, at least it's one less frog in our restless journey to find the Prince...
My newest friend and room mate gets set up with this brazilian doctor she has never seen before (the very american way...). His sister though looks gorgeous and believing in that family's good genes she accepts the challenge and is having a blast up to the moment she learns what kind of a doctor he is, then I began to have a blast myself! He is a colon and rectal surgeon. "What are you going to talk about during dinner? His amazing techniques and professional expertise? I wonder if he also carries his professional interests into his personal life..." and so on. We actually laughed big time over all this stupid comments and behaviour none of us believed he could possibly have. She even suggested he would be able to perform an Enema for the Soul on her - to get all the shit out of her, spiritually speaking of course.
The morning after - as a mediunic premonition our worst fears had become reality. This doctor went on and on about his work, while performing a surgery on his pizza at Piola. Even used gestures and medical denominations.
Some words should never be used at the table, let alone on a first date:
Small Bowel
Large Bowel
Esfincter
Just to finalize, he did not had the good looking genes from the family and, although being very involved in his work, could not perform the Enema for Soul.
Well, at least it's one less frog in our restless journey to find the Prince...
Tuesday, March 04, 2003
"...não me leve a mal, hoje é Carnaval..."
Ah, o carnaval, aquela época do ano em que as pessoas se juntam em clubes e salões sempre super lotados para pular e se sacudir ao ritmo de uma banda barulhenta com vocalistas gritões.
Daí, lá pras tantas, tem sempre um suadão perdigotando cerveja em cima das mocinhas soltando as maiores atrocidades em termos de cantadas mal dadas. A moça, irritada, dá na cara dele com o leque de papelão que ganhou na entrada do baile e, logo em seguida, se mete no meio do trenzinho e vai pro outro lado do salão.
Tem sempre algum chato, cheirado de lança perfume, soprando naquelas cornetas coloridas de estádio de futebol e deixando os mais próximos ensurdecidos por alguns minutos. Tem sempre muito shortinhos e saias havaianas feitas de ráfias coloridas. Tem sempre muito beijo e muita pouca-vergonha! E um montão de confete e serpentina cobrindo o chão e dentro da roupa da gente!
Tem sempre quatro dias emendados e um pedacinho da quarta-feira de cinzas pra curtir...
Ah, o Carnaval...
(Declaração de inveja de uma brasileira voluntariamente exilada no Tio Sam)
Ah, o carnaval, aquela época do ano em que as pessoas se juntam em clubes e salões sempre super lotados para pular e se sacudir ao ritmo de uma banda barulhenta com vocalistas gritões.
Daí, lá pras tantas, tem sempre um suadão perdigotando cerveja em cima das mocinhas soltando as maiores atrocidades em termos de cantadas mal dadas. A moça, irritada, dá na cara dele com o leque de papelão que ganhou na entrada do baile e, logo em seguida, se mete no meio do trenzinho e vai pro outro lado do salão.
Tem sempre algum chato, cheirado de lança perfume, soprando naquelas cornetas coloridas de estádio de futebol e deixando os mais próximos ensurdecidos por alguns minutos. Tem sempre muito shortinhos e saias havaianas feitas de ráfias coloridas. Tem sempre muito beijo e muita pouca-vergonha! E um montão de confete e serpentina cobrindo o chão e dentro da roupa da gente!
Tem sempre quatro dias emendados e um pedacinho da quarta-feira de cinzas pra curtir...
Ah, o Carnaval...
(Declaração de inveja de uma brasileira voluntariamente exilada no Tio Sam)
Monday, March 03, 2003
Tuesday, February 25, 2003
A coisa mais sacana que ouvi na festa sexta-feira:
"Yeah, teach her the hussle, teach her the hussle!"
(E um louco apareceu me tomando pelas mãos e me rodopiando como se eu fosse um iô-iô.)
A coisa mais bacana que ouvi na mesma festa sexta-feira:
"Una más, siempre! Una más - Porque no?"
(E um outro maluco me rodopiava ao som de algum rítmo latino que eu já não conseguia àquela altura diferenciar!)
"Yeah, teach her the hussle, teach her the hussle!"
(E um louco apareceu me tomando pelas mãos e me rodopiando como se eu fosse um iô-iô.)
A coisa mais bacana que ouvi na mesma festa sexta-feira:
"Una más, siempre! Una más - Porque no?"
(E um outro maluco me rodopiava ao som de algum rítmo latino que eu já não conseguia àquela altura diferenciar!)
Monday, February 24, 2003
Salsa é assim: 1-2-3-pára, 1-2-3-pára.
Agora guarde isto para todo o sempre, como se disso dependesse sua vida.
Parece que eu estou falando código e, de certa forma, é um código da região.
Lembre-se: um dia vc também pode estar numa boate lotada de gente balançando nesse ritmo claudicante e ali, meu amigo, quem não entra no rítmo é lentamente cuspido pra fora da boate e logo logo pra fora dos círculos sociais de Miami.
E, como já dizia o Pica-Pau "se não pode vencê-los, junte-se a eles!"
Agora guarde isto para todo o sempre, como se disso dependesse sua vida.
Parece que eu estou falando código e, de certa forma, é um código da região.
Lembre-se: um dia vc também pode estar numa boate lotada de gente balançando nesse ritmo claudicante e ali, meu amigo, quem não entra no rítmo é lentamente cuspido pra fora da boate e logo logo pra fora dos círculos sociais de Miami.
E, como já dizia o Pica-Pau "se não pode vencê-los, junte-se a eles!"
Thursday, February 20, 2003
Mentally Challenged -
Brincando de desenhar, esperando uns calzones no Viena na semana passada, eu descobri que tenho um distúrbio neurológico seríssimo. É verdade. Se fosse filme do Woody Allen, ele já teria ido em 7 médicos e feito 15 exames (assistam Hannah e suas Irmãs - eu acho...)
Dá que eu resolvo de inventar uma brincadeira pra amenizar a fome, entrego gizes de cera para os participantes e começamos a desenhar no papel que recobre a mesa. Alguém diz uma palavra, um objeto, e temos que desenhá-lo. O objetivo é ver as diferenças do desenho de cada um e tal - eu sei, é fraquinho, mas vá esperar calzone no Viena à 1 da tarde que você também vai começar a delirar!
Ok, a primeira palavra: cadeira. Muito bem, minha cadeira é um 4 de ponta-cabeça - só isso já é indício de que sou meio fraquinha das idéias...
A segunda palavra: alguém grita rápido "Maçã!" e começamos a desenhar.
Cada um mostra o seu desenho ao que eu, surpresa, digo "Não, não é uma maçã..." e quando os olhares da mesa se voltam para o meu desenho choque, horror e gargalhada misturados nos rostos do pessoal:
Eu tinha desenhado um olho. UM OLHO!
Alguém pode me explicar? Se uma criança de uns 5 anos faz isso a mãe corre com ela pro Pronto Socorro; a professora já começa a sugerir escolinhas especiais para crianças especiais; o pai levanta as mão para os céus e grita "Deus, onde foi que eu errei!"...
Chega.
Maçã pra mim é um olho azul cheio de cílios.
Brincando de desenhar, esperando uns calzones no Viena na semana passada, eu descobri que tenho um distúrbio neurológico seríssimo. É verdade. Se fosse filme do Woody Allen, ele já teria ido em 7 médicos e feito 15 exames (assistam Hannah e suas Irmãs - eu acho...)
Dá que eu resolvo de inventar uma brincadeira pra amenizar a fome, entrego gizes de cera para os participantes e começamos a desenhar no papel que recobre a mesa. Alguém diz uma palavra, um objeto, e temos que desenhá-lo. O objetivo é ver as diferenças do desenho de cada um e tal - eu sei, é fraquinho, mas vá esperar calzone no Viena à 1 da tarde que você também vai começar a delirar!
Ok, a primeira palavra: cadeira. Muito bem, minha cadeira é um 4 de ponta-cabeça - só isso já é indício de que sou meio fraquinha das idéias...
A segunda palavra: alguém grita rápido "Maçã!" e começamos a desenhar.
Cada um mostra o seu desenho ao que eu, surpresa, digo "Não, não é uma maçã..." e quando os olhares da mesa se voltam para o meu desenho choque, horror e gargalhada misturados nos rostos do pessoal:
Eu tinha desenhado um olho. UM OLHO!
Alguém pode me explicar? Se uma criança de uns 5 anos faz isso a mãe corre com ela pro Pronto Socorro; a professora já começa a sugerir escolinhas especiais para crianças especiais; o pai levanta as mão para os céus e grita "Deus, onde foi que eu errei!"...
Chega.
Maçã pra mim é um olho azul cheio de cílios.
Wednesday, February 19, 2003
Na porta do motel.
Uma amiga minha começou a namorar o Tony. Quer dizer, tudo ia muito bem até o dia em que foram ao motel pela primeira vez. Ela deu uma olhadinha no RG dele:
- Deixa eu ver a foto vai...
Pegou o documento das mãos dele, que hesitante, parecia antecipar a reação da nova namorada...
- DEMERVAL????
O problema é que Tony, na verdade, chamava-se Demerval Antonio, assim como seu pai, esse homem sem coração que quis prolongar o sofrimento que ele próprio deve ter vivido por causa do nome sacana que alguém inventou 100 anos trás.
Acho que, infelizmente, a noite no Motel não foi tão boa como imaginavam, no entanto, para o bem daquela relação e de todos os familiares que já estavam envolvidos nela - (imagina ter que contar pros pais da garota que seu nome verdadeiro é Demerval?) - eles decidiram nunca mais tocar no assunto e esconder bem escondido todos os documentos do rapaz.
Tanto eles seguiram à risca essa resolução que, só depois que terminaram o namoro, ela veio nos contar sobre o Tony, ou Demerval para os íntimos. Aliás, pra curar a dor-de-cotovelo, agora ele é o Demerval. Demê, aquele ex-namorado que enche o saco de vez em quando. E a vingança sonhada contra ele é o dia em que ela o encontrar com outra namorada jantando e puder dizer bem alto:
- Demerval!!! Quanto tempo!!!
Uma amiga minha começou a namorar o Tony. Quer dizer, tudo ia muito bem até o dia em que foram ao motel pela primeira vez. Ela deu uma olhadinha no RG dele:
- Deixa eu ver a foto vai...
Pegou o documento das mãos dele, que hesitante, parecia antecipar a reação da nova namorada...
- DEMERVAL????
O problema é que Tony, na verdade, chamava-se Demerval Antonio, assim como seu pai, esse homem sem coração que quis prolongar o sofrimento que ele próprio deve ter vivido por causa do nome sacana que alguém inventou 100 anos trás.
Acho que, infelizmente, a noite no Motel não foi tão boa como imaginavam, no entanto, para o bem daquela relação e de todos os familiares que já estavam envolvidos nela - (imagina ter que contar pros pais da garota que seu nome verdadeiro é Demerval?) - eles decidiram nunca mais tocar no assunto e esconder bem escondido todos os documentos do rapaz.
Tanto eles seguiram à risca essa resolução que, só depois que terminaram o namoro, ela veio nos contar sobre o Tony, ou Demerval para os íntimos. Aliás, pra curar a dor-de-cotovelo, agora ele é o Demerval. Demê, aquele ex-namorado que enche o saco de vez em quando. E a vingança sonhada contra ele é o dia em que ela o encontrar com outra namorada jantando e puder dizer bem alto:
- Demerval!!! Quanto tempo!!!
Sunday, February 09, 2003
Esta noite beijava alguém em meu sonho - quem era?
Sonhei que beijava alguém. Era um beijo longo, gostoso, macio. Daqueles que quando a gente vê igual na rua, sente inveja, tem vontade de beijar também, urgentemente.
O beijo no meu sonho é um presente do meu subconsciente para minha alma. Quando temos em sonho uma experiência tão simples de puro prazer é um presente nosso pra nós mesmos mais do que simplesmente o natural desejo de beijar.
Ah, se ao menos eu soubesse quem eu estava beijando....
O biscoito chinês
Outro dia discutia como o povo chinês é básico, simplificado. Disse pra um amigo, na casa de quem estava hospedada, "Tem um ditado chinês que diz assim 'É melhor ser hóspede do que anfitrião'. Ele parou e indagou "E aí? e o resto?". Não tem resto. É assim. é uma idéia muito simples e óbvia que algum chinês algum dia achou por bem de propagar. (É claro que é uma metáfora também e que as palavras hóspede e anfitrião contém mil desdobramentos possíveis.)
Ontem, cheguei em casa e encontrei um biscoitinho chinês no armário. Abri e, com a fome que estava, quase comi a mensagem junto. Mas, puxei a tempo a tirinha de papel e, lá estava "Terminada a decadência inicia-se o progresso".
Em algum momento, alguém escreveu no livro da minha vida que eu ia pegar esse biscoitinho restante de um jantar chinês delivery só pra encontrar dentro dele esta frase pra entender melhor e botar sentido nos acontecimentos que me aborrecem mas que parecem etapas necessárias das quais não consigo escapar. Só pra entender que fevereiro, que começou meio esquisito, ainda tem conserto.
E de um pequeno biscoito chinês fez-se uma refeição completa.
Outro dia discutia como o povo chinês é básico, simplificado. Disse pra um amigo, na casa de quem estava hospedada, "Tem um ditado chinês que diz assim 'É melhor ser hóspede do que anfitrião'. Ele parou e indagou "E aí? e o resto?". Não tem resto. É assim. é uma idéia muito simples e óbvia que algum chinês algum dia achou por bem de propagar. (É claro que é uma metáfora também e que as palavras hóspede e anfitrião contém mil desdobramentos possíveis.)
Ontem, cheguei em casa e encontrei um biscoitinho chinês no armário. Abri e, com a fome que estava, quase comi a mensagem junto. Mas, puxei a tempo a tirinha de papel e, lá estava "Terminada a decadência inicia-se o progresso".
Em algum momento, alguém escreveu no livro da minha vida que eu ia pegar esse biscoitinho restante de um jantar chinês delivery só pra encontrar dentro dele esta frase pra entender melhor e botar sentido nos acontecimentos que me aborrecem mas que parecem etapas necessárias das quais não consigo escapar. Só pra entender que fevereiro, que começou meio esquisito, ainda tem conserto.
E de um pequeno biscoito chinês fez-se uma refeição completa.
"O que é o flerte? Pode se dizer que é um comportamento que deve dar a entender que uma aproximação sexual é possível, sem que essa eventualidade possa ser entendida como uma certeza. Em outras palavras, o flerte é uma promessa de coito, mas uma promessa sem garantia.
(...) O equilíbrio entre a promessa e a ausência de garantia é onde reside precisamente o autêntico virtuosismo do flerte!"
Trecho extraído de A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera.
Friday, February 07, 2003
Nostalgia de mundaça.
Meu tom irônico estava indo tão bem que até eu acreditava mesmo que a minha nostalgia inata tinha ficado no Brasil... que nada.
Ela veio também. Mas chegou mais tarde pois ela arrumou suas malas com mais tempo e cuidado do que eu. Assim, ela não me deixou esquecer nada. Apesar de eu já achar que não estivesse sentindo falta de nada (apenas aquilo que havia voluntariamente deixado pra trás). Fez questão de trazer tudo de novo. Ficou ofendida com meu comportamento e aprontou 7, 8, 15 malas gigantes e 1 baú. Então, a Nostalgia veio de trem - que é seu meio de transporte preferido. E, já durante a vigem, vinha remoendo coisinhas, remexendo suas volumosas malas, pensando no que tirar primeiro pra fora e jogar violentamente na minha cara, assim que chegasse para buscá-la. (Sim, eu mesma fui, relutante, buscá-la na estação.) E, para minha surpresa, vi com alegria doída a primeira coisa que ela deixou intencionalmente cair da mala: gatinhos. Gatinhos lambendo-se e limpando-se charmosos como os que tive que deixar pra trás. E daí, mais surpresa ainda, vi que a Nostalgia tinha ganho o combate de cara naquele momento. Estava pronta para quase tudo de mais triste, de mais horrível, de mais doloroso que ela pudesse ter trazido de volta consigo, mas fiquei indefesa e totalmente vulnerável à lembrança boa dos gatinhos.
Depois de tudo, de toda mudança, de toda virada na vida, pensei que, por esperarmos o difícil, nos preparamos arduamente para a tristeza só que é a lembrança boa que causa mais dor - a saudade. O que nos põe enfermos e perdidos, sem raízes, é perceber que, ao se tentar esquecer uma parte, ou algumas partes ruins da vida, a gente deixa pra trás, sem querer, o que era bom também.
E isso, essa tristeza contraditória, foi bom a Nostalgia ter trazido de volta pra mim.
Meu tom irônico estava indo tão bem que até eu acreditava mesmo que a minha nostalgia inata tinha ficado no Brasil... que nada.
Ela veio também. Mas chegou mais tarde pois ela arrumou suas malas com mais tempo e cuidado do que eu. Assim, ela não me deixou esquecer nada. Apesar de eu já achar que não estivesse sentindo falta de nada (apenas aquilo que havia voluntariamente deixado pra trás). Fez questão de trazer tudo de novo. Ficou ofendida com meu comportamento e aprontou 7, 8, 15 malas gigantes e 1 baú. Então, a Nostalgia veio de trem - que é seu meio de transporte preferido. E, já durante a vigem, vinha remoendo coisinhas, remexendo suas volumosas malas, pensando no que tirar primeiro pra fora e jogar violentamente na minha cara, assim que chegasse para buscá-la. (Sim, eu mesma fui, relutante, buscá-la na estação.) E, para minha surpresa, vi com alegria doída a primeira coisa que ela deixou intencionalmente cair da mala: gatinhos. Gatinhos lambendo-se e limpando-se charmosos como os que tive que deixar pra trás. E daí, mais surpresa ainda, vi que a Nostalgia tinha ganho o combate de cara naquele momento. Estava pronta para quase tudo de mais triste, de mais horrível, de mais doloroso que ela pudesse ter trazido de volta consigo, mas fiquei indefesa e totalmente vulnerável à lembrança boa dos gatinhos.
Depois de tudo, de toda mudança, de toda virada na vida, pensei que, por esperarmos o difícil, nos preparamos arduamente para a tristeza só que é a lembrança boa que causa mais dor - a saudade. O que nos põe enfermos e perdidos, sem raízes, é perceber que, ao se tentar esquecer uma parte, ou algumas partes ruins da vida, a gente deixa pra trás, sem querer, o que era bom também.
E isso, essa tristeza contraditória, foi bom a Nostalgia ter trazido de volta pra mim.
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