Thursday, June 23, 2011

Supercordas, um argentino e 2 sacolas de supermercado.

Se tem uma coisa na qual eu acredito é a teoria das supercordas. Eu tô lá, anos atrás me vendo sozinha na Barnes&Noble comprando livros que eu nem tinha muita vontade de ler e que ainda custaram caro pra depois mandar de volta pro Brasil em caixas com o resto dos meus badulaques que ficou perdido em algum canto entre a casa do meu pai e do meu irmão. Eu tô lá nesse exato momento, experimentando um rímel novo no Walgreens, passando no drive-thru do KFC, dirigindo meu Neon vermelho e podrão comprado de um argentino que mentiu nos documentos o ano de fabricação do carro. Tô lá, saindo do supermercado com nada de realmente saudável nas sacolas, tipo pasta de amendoim, ginger ale diet, uns cereais matinais com pedacinhos de marshmellow, uma coisa deliciosa que chamava Triscuit e muito cream cheese. Tô ali minding my own business, quando me vejo aqui, anos depois, mas no mesmo instante, saindo do supermercado, com 2 sacolas cheias de leite e fraldas e biscoitinhos e nutella e umas coisas saudáveis e sprite diet. Eu olho pra mim do outro lado da corda do meu tempo passando: o que é a realidade? Eu sou um fantasma agora, vindo lá do passado mas ao mesmo tempo já tinha assombrado a mim mesma, vindo do futuro, com sacolas num braço e filhos no outro e cabelo desgrenhado e os quilos a mais (inevitáveis?).
Às vezes juro que tenho medo de acordar do lado de lá como num filme em que o personagem central tem a chance de ver como seria a vida dele se tivesse mudado alguns detalhes aqui e ali. Mas de repente percebo que eu estou aqui e ali, simultaneamente do lado de cá e de lá. O problema é que tem vezes que não me reconheço e me deixo passar despercebida nesse choque de realidades paralelas. Eu não me vejo, eu vejo outra que não sei mais quem era ou então nunca mais saberei. Quem será que sou eu?

Tea for two

E finalmente acabou o dia. E eu não escovei o dente, nem o cabelo. Eu esqueci. E não fiz nada de produtivo... o que provavelmente não é verdade mas eu me sinto assim. Passei o dia inteiro tirando alternadamente as tetas pra fora, massageando-as pra sentir se tinha leite, preocupando-me porque eu achava que não tinha leite, e o bichinho mamando mesmo assim e dando uns apertões no meu seio, habilidade que ele acabou de assimilar, com as mãozinhas em punho. E eu nem jantei. Eu fiz o jantar, eu dei o jantar, eu dei 2 banhinhos, eu pus dois pijamas eu troquei umas mil e quinhentas fraldas... e aproveito pra dizer que o que eu produzi hoje foi uma lata de lixo enorme e cheia e fedida, no banheiro. Aliás, foram meus filhos que produziram o recheio das fraldas. E, se no fim do dia, a gente sente que só tem essa latona de lixo pra mostrar, vem aquele suspirinho curto meio entalado na garganta que nos faz pensar com tristeza que o dia finalmente acabou. Um dia cheio e vazio ao mesmo tempo, igual a outros quase mil dias que já passaram e quem sabe quantos mais iguaizinhos virão pela frente. E eu nem me vejo mais. Eu vejo a rotina engolindo tudo. 

Friday, April 16, 2010

If you'll be my body guard I can be your long lost pal...

Ei, eu lembro de você mas é provável que você não se lembre de mim... eu acho que eu te conhecia porque você estava na classe da irmã mais velha da Camila... ou será que era do irmão da Vivian? (mentira eu sei muito bem que eu não o conhecia, quer dizer, que nunca tínhamos sido apresentados... eu era a adolescente gordinha e ele era um dos gatinhos mais velhos do colegial...) Putz, peraí, você era da classe do Angelo?? hahah é provável, minha memória hoje em dia dá tilt e é muito challenged quando quero ficar recordando os idos de 15 anos atrás...Nossa o Angelo naquela época era o amor da minha vida... ele tinha uma outra namorada com a qual brigava e voltava... ele sempre aparecia de surpresa em casa dizendo umas coisas muito ridiculas... quer dizer não, que injustiça! por que fazemos isso com nós mesmos, né? Naquela época aquelas coisas que ele dizia eram perfeitas, eram tudo o que eu queria ouvir... hoje talvez lembrando ( e lembrando meio mal de tudo aquilo) pareçam meio sacadas...

Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeebeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

-Scusaaaaaaaa, quando superi, cara (ironico) fai attenzione...mi sono sentita lo specchietto adosso!
-Scusa, non ho visto... eu não vi, cara (irônico)...

Poxa, eu estava conversando com uma pessoa que nunca foi meu amigo, que eu nao vejo à mil anos, no meu carro, na minha cabeça, (e porque cargas d'água a minha cabeça quis conversar com aquele carinha que não significou muito pra mim, eu não sei...), contando coisas que eu preciso fazer uma força tremenda pra lembrar... me deixa em paz, pô... mudo de rádio. O nome daquela estação era Nostalgia.

Tuesday, March 09, 2010

Danke.

Lembra daquela vez em que eu vi o filho da minha psicóloga e flertei com ele na frente dela? Eu tenho certeza que Freud teria uma explicaçao ótima pra isso - e mesmo sem conhecê-la, eu a aceito. E hoje, masturbando-me mentalmente e visualmente através do facebook (onde obviamente eu encontrei ele e não ela - a analista - através de um amigo comum, eu juro de pés juntos) eu sei que tudo isso é simplesmente saudades dela. Ai que saudades do silêncio freudiano dela. De todas as coisas que eu queria que ela dissesse e ela não dizia de propósito. Saudades da limpadinha de garganta que ela dava e... não dizia nada. Saudades mesmo de tudo que eu sabia (supunha?) que ela estava pensando, analisando e não revelando... Saudades dela dizendo "estamos fazendo progresso" com um sorriso que era debochado e desafiador ao mesmo tempo. Saudades de quando eu entrava chorando e soluçando e graças a deus ninguém passava a mão na minha cabeça. Ela me deixava chorar e depois dizia "eu estou escutando". Era óbvio que estava escutando. A gente escuta sempre, é um ato involuntário. Mas ela fazia questão de dizer que estava me escutando. Porque assim, eu também me escutava. E estranhamente, escutar-se não é involuntário.

Friday, February 19, 2010

Quilos a mais.

Eram todos meios rechonchudos naquele escritório. Todo mundo comia mal, rápido demais, porcaria demais, lanchinhos demais, simplesmente demais. Ninguém fazia exercício. Afinal quem tem tempo ou saco? Mas pra ela foi a última vez que o jeans não fechou depois do almoço.

Fez um regime férreo, perdeu 17 quilos. Não do dia pra noite, mas quase. Claro, sem exercícios e com um comprimidinho basico. Todos os jeans estavam largos. Todas as roupas, as saias e até as calcinhas.

Comprou tudo novo. Sapatos de salto alto que faziam barulho no assoalho de casa. Duas vezes por semana se concedia encher a cara com as amigas, mas no dia seguinte jejum. Um dia, depois da bebedeira entrou em casa, tic toc tic toc tic toc, caiu na cama, procurou a bunda quentinha do namorado e constatou infeliz que nem ela (aquela bunda) lhe dava a satisfação que procurava. Trocou o armário e o namorado. Não assim tão de repente, mas ao longo desse seu processo de mudanças radicais.

Ah, e trocou de emprego também. Magra, se sentia mais confiante, mandou o ex-chefe se fuder, saiu batendo a porta e conseguiu um emprego melhor, quer dizer, com o salário melhor e com um pouco menos de colegas obesos.

A noite em casa ouvia somente o barulho dos seus próprios sapatos, inclusive fazia questão daqueles tamanquinhos com salto. Pra se sentir menos só, ligava a televisão e se recusava terminantemente a comer. Subia na esteira e mandava brasa.

De Natal, naquele ano, se deu de presente uma tatuagem. Como era? Muito, muito, muito clichê. Tão clichê que não quero desperdiçar uma frase pra descrevê-la. Aliás, tudo muito clichê, falta apenas uma cirurgia plástica pra corrigir o nariz ou orelhas de abano. Mas, no final, resta observar que as pessoas em geral subestimam muito o conforto do clichê.

Ela gostou da tatuagem, do guarda-roupa e do emprego novos, vivia praquela sua imagem magra, frágil, cinturinha, quase sem bunda, e estava feliz assim mesmo.

E a história acaba aqui porque clichê é como o Golf, só é divertido pra quem está jogando, não pra ficar assistindo.

Saturday, February 13, 2010

Reality check: uma década de blogs.

Ver gente que bloga a essa altura me dá um tédio.

(Eu sei que estou blogando, but indulge me a little digression, please.)

Sei lá, o blog é uma das coisas mais anacrônicas do mundo... como pessoas que ficaram presas no Woodstock pra sempre, hippões decadentes, que acham que o sonho ainda não morreu, que acham que rolar na lama deveria ser aceito socialmente... O sonho morreu, minha gente. Porque os blogs viraram a coisa mais democrática possível. E ficaram cada vez mais fáceis de criar, de postar, de postar imagem, vídeo, música... e aí a quantidade de lixo cybercósmico foi crescendo em progressão geométrica (que, inclusive, outro dia em um blog estava escrito PG e fiquei revoltada... tipo assim, na boa, digita todas as letras, vai....você já tá aí na frente do teclado, faz esse esforço a mais por esse seu cazzo de blog).

E por isso eu parei, eu me retirei do circuito. Eu até me inscrevi no twitter. E odiei. Quer dizer, por 2 segundos foi legal. Depois cansei de ler sobre a vida alheia, sabe. Tem coisas que a gente não quer saber de você, neguinho. Não quero saber se você brigou com a namorada, se você está feliz ou triste, se vai passar o carnaval sei lá onde com sei lá quem. (E acreditem em mim, eu adoro fofoca, mas isso simplesmente é lixo por escrito, na boa, bota num diário e guarda só pra você).

No ínicio, 7, 8 anos atrás, os blogs tinham que ser relevantes. O blogueiro queria oferecer um serviço público, uma alternativa a outros sites, uma pausa, uma dica, uma opinião... e tinham muito menos pessoas lendo, menos visitantes, menos googleisms pra drive audience, definitivamente menos dólares por google ads.... a gente encontrava um blog saltando de um pro outro, e quando encontrava alguém ou alguma coisa relevante, boom!, era ouro. A gente escrevia um comentário verdadeiro, sincero, não só pra poder enfiar o link do nosso blog ali e conseguir mais visitantes... O blog não era um diário no sentido de um super fluxo de vômitos do dia-a-dia, o blog era um ensaio importante sobre coisas de interesse de nichos de mercado. Tinha gente que escrevia de música ou de tecnologia ou de literatura... tinha gente que escrevia sobre a vida e coisas mais subjetivas, mas era gente que escrevia com vontade de analisar e encontrar uma relevância naquilo tudo pra si mesmo e pra conquistar um leitor, unzinho que fosse já tava bom. Ninguém escrevia por escrever (ou melhor, tinham muito menos pessoas que o faziam). A escritura em si era importante, o estilo, a narrativa, a realidade, uma certa preocupação com essa relevância do universal que a web proporciona. Cada um num país e numa situação diferente podendo entrar em contato e discutir diferenças ou comentar semelhanças ou simplesmente contar um pro outro coisas que o outro gostaria de saber. (Eu acho que tinha um código de ética silencioso entre todos os blogueiros de não abusar da paciência do leitor.)

Engraçado que alguns blogs depois viraram livros. E na época achei ridículo. Mas agora, looking back, no fundo fazia sentido porque alguém teve vontade de separar o joio do trigo, por assim dizer. E aqueles blogs, a maioria deles, acabaram. Porque no mundo onde todo mundo tem um blog, aqueles blogs perdiam seu valor, sua importância e sua raison d'etre.

O meu blog nunca virou livro. Mas eu juro que sempre tentei ser relevante, porque se me sentava aqui na frente do blogger é porque queria fazer um esforço mínimo e quando clicasse finalmente no "publish post" aqui embaixo sentisse uma satisfação de ter escrito um texto bacana, com cuidados, com sutilezas, com talvez um estilo que era só meu. Alguns gostavam, eu gostava. A verdade é que nós sempre escrevemos pra nós mesmos em alguma porcentagem, mas tem gente que faz um esforço a mais pra balancear a equaçao com o leitor (aquele unzinho mesmo que ainda lê a gente, e em tempo, obrigada).

Mas hoje eu li um post em um blog de uma amiga que nem sabia que ela blogava ainda e me deu uma sensação tão boa de que foda-se tudo e todos os blogs ruins. O blog dela é legal, me deu saudades dela pra caramba e me deu vontade de contar histórias pra ela e de ouvir as histórias dela. E tem blogs bem legais por aí ainda. E tem gente que se importa ainda em escrever com esforço e merece ser lida.

E falo principalmente pelos outros, porque eu quase não escrevo mais, mas entre uma mamadeira e uma fralda suja, quando sento na frente do computador, posso ainda ler alguma coisa muito engraçada, interessante e relevante que outros blogueiros estão postando por aí.

É difícil voltar a blogar.

Tuesday, February 09, 2010

Mundos paralelos, indivíduos adjacentes.

Imaginemos por um segundo que hoje é cinco anos atrás. Sim. (Respiração profunda de olhos fechados e puft, estamos de volta ao ano de 2005).

é muito mais fácil blogar assim.

Cinco anos atrás esse hoje (hoje mesmo) era impensável, distante, a gente pensava naqueles com mais de trinta, aqueles velhos. E ninguém pensava no que seria daquelas amizades, daquelas vidas, daqueles indivíduos. Ninguém pensa é claro, amizades duram pra sempre, amigo é a coisa mais fiel do mundo, depois é claro de pastor alemão da polícia militar. Ninguém saberia que o divisor de águas entre Clara, Sofia e Dora seria o casamento da última. Foi um golpe terrível, muito mais que uma amizade possa suportar. Talvez o pastor alemão tivesse resistido, são afinal de contas cães muito muito pacientes.

E foi um ano inteiro só praquele fatídico evento, era como se a amizade, na opinião de Sofia, tivesse sentido só na hora de estar ali no altar em pé como madrinha, com o cabelo e a maquiagem feitas e um vestido não necessariamente do seu gosto mas que enfim era o que combinava com a decoração geral. Sofia suspirou aliviada quando o padre proclamou marido e mulher a amiga e Heitor, proeminente homem de negocios, com uma ex-mulher e um filho do primeiro casamento além é claro da conta conjunta no banco e cartões de crédito e todos os fringe benefits que faziam dele a vitima perfeita pra Dora. Um ano que passou lento entre escolha de toalhas de mesa, lista de presentes, lua-de-mel, buffet e todos os pequenos detalhes que fazem dos casamentos o inferno de quem está irremediavelmente ao redor dos que casam.

Clara ao contrário achava tudo simplesmente ridiculo. Teatrinho cheio de detalhes cafonas. O sorvete estava derretido, ainda por cima, e a sobremesa, que na opinião de Gordon Ramsay pode salvar um evento, não foi bem sucedida. Clara chamou um taxi, quando entrou e disse o destino, ponderou que já tinha feito o seu dever honoravelmente. Chega, pensou. Nem o sorvete salvou.

Dora parecia feliz. Entre e Clara e Sofia, existia ao menos esse consenso. Ela está feliz, nós fizemos o nosso dever, mas nem vai rolar... eu não vou conseguir ir jantar fora com eles e viver aquela rotininha de casais amigos que se frequentam. Eu não quero frequentar ninguém.

Como é estranho o modo que as amizades se desenvolvem. Como pessoas entram e saem da história. Como a história mesmo pára em um dado momento e tudo parece flutuar numa inércia indefinida. Mas daí, snap. Allez, allez. Dora se casou e tem até um enteado. As águas se dividiram e a história recomeçou.

Monday, February 01, 2010

 
 You can twist and turn...although they look different, your problems are just the same.




















Um a mais, um a menos... desdenhava de si mesma e sabia que tudo o que havia conquistado era somente porque sentira sempre a necessidade de provar ao outros do que era capaz.




















This was the exact moment she realized what she thought was new, actually was old. But she kept on going hoping no one would notice...
 
 Tudo tinha se transformado: as jóias eram todas verdadeiras e as flores também. Mas os sorrisos, não.

subtitles

as she typed each letter of her new post for her blog, she felt so so so new jersey 90's. It's so past, so out. But yet, she clicked and published.

And the ipod shuffled out some Morrissey as soundtrack to this weird outburst.

Friday, July 03, 2009

Ceci n'est pas un blog.

I am so tired of blogging. But I am more tired of the rest of my life now. And maybe that's why I do not post anymore. But on the other hand maybe that's why I should be posting and writing more and more.

But I don't. I'm tired, worn out. My hair is a mess. I don't remember when I washed it last time. I don't know if I have to shave (just checked: I have to), I don't wear make up anymore and have no time for changing my earrings or purse to match my shoes, (it's really hard finding anything that matches my everlasting crocs).

I crossed over to the other side of my life, the one in which I am not as important as baby. Baby reigns. Baby has her own bag that is 3 times mine and weighs a ton. Baby takes up all the space in the trunk of the car and baby is only a few months old. Baby needs a lot of time to get ready and so mommy ends up getting out of the house wearing anything, looking like anything. I mean, looking like nothing but someone's mom.

It's work it's hard work. I try and explain it to my husband. Why am I so tired, why, she's adorable, she smiles all the time (except when she's crying), she eats and play and sleeps (except when she has colic, she needs attention, she does not want to eat, she spits apple on my face, she vomits in my sleeves....).

Don't get me wrong. I love all that. Except when I am so tired and have still some bottles to wash, mini clothes to laundry... and when I am desperate for some time for myself. I love it. But I am tired.

Saturday, March 21, 2009

bloggy-boring

Why would I come back here? After all this time, all the silence, which in essence means nothing new or worth saying... no actually, here for me is the parallel universe where I contribute my share of nothingness, of unreality, of crazyness... there was a time when I had both time and much more of nothing to write about here. Now, in the last few years real things have been happening making my contributions fewer and less bloggy-funny or bloggy-rebel or bloggy-diary.

Let's face it, this is not about real life at all. It's about what we want others to capture from us.

But this is my black board, my empty white page... and what I got today is plain real life, pretty real stuff, that's actually not pretty at all. You know, sometimes you can't be all bloggy-witty with facts of life. You can't open it all out for discussion and hope to get consolation from the comments.

No you can't. And neither can the second life overtake your first one. And so you are forced to land from your virtual trip into this earth here where there's plenty of bad things and past to be faced up with. Past that cannot be changed. Past that echoes into the rest of your life forever. Unlike the page or black board, cannot be erased either.

Live with it. You gotta do what you gotta do. But sometimes living is not that easy. Living, moving on, getting over, getting a grip... but where to begin from? Hard to make sense in such a mess. Hard to pick yourself up and dust off and move on.

And to all of you who could be in this moment actually reading this (oh god I doubt it very much...) I am perfectly aware that this post sucks. Stinks bad. I know. It's intentional. Because life sucks even worse right now.

I am not a teenager in anger because my old folks took away my playstation, I am fucking 32. Besides being old and boring I am also very sad right now.

Hey but if you got this far on this post, keep reading. My blogging past was so much fun. And maybe even come back in few months. If I manage to get a good pill, I'll let you all know.

Wednesday, December 17, 2008

anestesia e você, tudo a ver.

Os defeitos e efeitos e da epidural são super interessantes. Eu adoro aula. Adoro alguém lá frente falando pra mim, explicando alguma coisa, assim, apaixonadamente, tipo a anestesia, gente, a existência da anestesia me faz amar mais o mundo em que vivo. Ô coisa civilizada. Tipo assim, eles - os anestesistas xamânicos, os novos pajés, os escolhidos pra lidar e dosar a dor alheia e a droga institucionalizada. Não, eu não estou sendo irônica não. Eu acho que o direito a anestesia deveria ser incluído no manifesto dos direitos humanos. Anestesia pra todos os povos, pra pobres e ricos, pra qualquer raça e religião - quer dizer, devem ter religiões que não permitem, mas se Deus não quisesse que homem usasse a anestesia não ia ter nos dado a capacidade de inventá-la.

Ok. Efeitos colaterais, nada que é isso. A epidural, essa amiga silenciosa da mulher parturiente, é perfeita, ela vai lá nas fibras longas, ou seja músculos, ela parte da 3a vértebra e portanto e nao pega uma tal de massa branca e vai só pra baixo, pra baixo da cintura, ou seja a parte interessada. E não tudo abaixo da cintura, não, eles, os anestesistas conseguem dosá-la de um modo que as pernas não perdem o movimento!

Fiquei maravilhada com o produto. Os anestesistas não são só bons na droga, não, eles são bons pra cacete na venda também, eles todos poderiam trabalhar no shoptour.

Mas, porém, não obstante todo o mundo maravilhoso do parto sem dor, ei-la que surge, a palavra maldita: catéter. Catéter. Não precisa saber o que é. Você já desconfia que é aflitivo. Mas eu sei o que é e isso me deixa mais ainda preocupada e enojada e aflita. Catéter. Na coluna. Passando por cima do ombro. Com um filtrinho pra dar mais ou menos anestesia. Catéter pendurado, ligando a minha coluna vertebral ao mundo através de um canudinho.

Peraí, meu povo, para tudo. Quanto tempo? Ah, tranquilo, uma ou duas horas depois do parto a gente tira. Hãããããã?! Duas horas DEPOIS do parto? Se for normal. No caso da cesariana fica lá umas 12 horas. (Aqui, nesse momento, eu posso dizer que tive um pequeno desmaio de 5 segundos, mas imediatamente meu cérebro aflito mandou um monte de hormônios pra me acordarem porque julgava que não estávamos seguros e que eu precisava estar acordada pra me defender daquela gente "super-civilizada".)
Quando recobrei a consciência a mulher-pajé-líder-pusher estava dizendo quote"e "daí a enfermeira vem remove o esparadrapo e puxa o tubinho do catéter pra fora, rapidinho".

Sei lá, comecei a visualizar outras possibilidades pra mim. Tipo a possibilidade de agüentar a dor do parto, porque eu sei que não agüentaria a aflição do catéter. Iam ter que me hipnotizar pra por o tal negócio nas minhas costas e ia ter que tomar uma anestesia geral pra deixar a enfermeira tirar o tubinho num movimento rapidinho... Eu sei lá. Eu me convenci de vez de tentar o parto tal e qual Deus sempre quis, aquele em que a mulher grita, empurra, agarra o braço do marido, manda ele fazer alguma coisa, manda ele praquele país e bota a culpa toda nele e naquele espermatozóide de merda, a contribuição mais microscópica e ridícula e injusta da história da humanidade. Eu entro com 15 kilos, 9 meses, pés inchados, bexiga solta, teta caída, estrias, mamilos rachados e você entra com o orgasmo e uma nanopartícula.

Peraí, vamos manter a calma. Agora não tem mais volta e a solução não é elocubrar...

Eu assinei o termo de ciência do lance da anestesia. Mas sabe gente, de todas as coisas que eu descrevi acima, das agruras da gravidez, eu acho que o pior mesmo seria o tal do catéter. Sorry indíviduos dourados da anestesia moderna, mas porra,se vocês fossem bons mesmos, vocês já teriam inventado um sistema menos primitivo que o catéter.

Friday, October 03, 2008

Novos classicos da literatura...

‘Next Life’
by Woody Allen

In my next life I want to live my life backwards. You start out dead and get that out of the way.
Then you wake up in an old people’s home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day.

You work for 40 years until you’re young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, and then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, and you play. You have no responsibilities; you become a baby until you are born.

And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm!

I rest my case.

Friday, September 26, 2008

clima (des)temperado.

Europeu adora esnobar o seu clima com quatro estações definidas. Eles adoram dizer que é lindo poder curtir a primavera e o outono que são meias estações, que o povo sul-americano nem conhece nem sabe o que é. Tipo, no Brasil, pra eles, só faz calor o ano todo e eles não gostam, ai, é calor demais. Mas sabe, infelizmente pra brasileiro o clima da Europa é uma merda. No fundo, gente, clima é uma questão de temperatura, ou seja, duas opções claras: quente ou frio. E, olha, se vocês querem saber a verdade, o calor é um conceito complicado por aqui (e.g.: ingleses stripping down on Hyde Park quando fazem 20 graus) e a partir do dia 21 de setembro, não se enganem não, outono o caralho, aqui faz frio.

Ah, na primavera? Também faz frio. Faz frio até meados de junho. As vezes ate julho. Dai começa o calor - que já explicamos que calor aqui quer dizer qualquer temperatura acima de 18 graus - gente besta. Na minha modesta opinião, só em agosto faz calor mesmo.

Ou seja, europeu, quem quer você seja, pode desarrebitar esse nariz, quatro estações? Onde? Pelo menos uma falta: Verão.

Thursday, September 11, 2008

pesce scatola.

Mi dicono che forse ho preso troppo peso troppo rapido. Ma non mi sento ne grassa ne cosi' enorme... infatti quando mi vedo riflessa in un vetro o specchio mi sento bella... mi sento gonfiare pian piano, ma so che e' perche' sono ripiena del mio maggior desiderio che sta per avverarsi.

Thursday, July 17, 2008

Kitchen time machine.

I sit down in the kitchen with my breakfast, everyday, and I talk to the trees outside the window, to the green mountains in the back, to the wind, about all the things I remember from my childhood. How naughty I was. All the times I lied to my parents or did wrong things knowing they were wrong... I must have been a horrible daughter, at times. I was a weird child. And grew up into a weirder teenager. And then by magic I became a decent adult. I think (maybe that's how it's supposed to be). I remember clearly my mother telling me I would someday pay my dues when I would have had kids of my own.

But then I come across some other memories... opening my lunch box and finding always something different, some surprise, sometimes there would be a twinkie - do they have twinkies here in Italy? Everyday a different fruit juice... but the most delicious thing, that sort of imprinted the taste of my childhood and was a lunch box classic, was this sandwich of thinly sliced bread, a veil of mayonnaise on either side and ham, sometimes also cheese. I tried to make myself one repeatedly but that taste somehow is never there. And I talk about and remember all these things because I'm gonna have to tell you all about it. And there are so many memories I am collecting for you...because you'll have to savour your childhood well for some flavors and smells, and sometimes some people too, remain in the past.

And in just a little time I won't be talking to myself in the kitchen anymore.

Friday, May 23, 2008

inside out

Why is it that when you finally get something you always wanted it feels so ... messed up. Weird. In a way, even wrong... I feel like my body is doing everything by itself. It's all involuntary right now. You burp, you fart, you wake up at night and your eyelids shut during the day when you are supposed to be working. The body is totaly taking over. And the thing I like the most which is eating, is the hardest to do right now. It's all comando.

I remember a ride on a theme park when I was maybe 10 years old, it was like a visit of a woman's body... I know it sounds like anything but a ride, but I swear that's what it was. So you start the visit up her legs, I think, and then you could see the human body from the inside. Funny enough, that's how I feel, like as if there were creatures visiting my insides, and the problem is they can see me and I can't see them. Or control anything.